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Jaemin era apenas dois centímetros mais alto que Jeno, mas isso já fazia diferença quando estavam de pé, tão próximos que o mundo parecia ter encolhido ao redor deles. Ele fechou a porta, encostando o platinado contra ela, e o encarou em silêncio, como se pedisse permissão apenas com o olhar. A resposta veio em forma de um sorriso leve, quase tímido, e isso foi suficiente para que Jaemin se deixasse levar.

As roupas desapareceram rápido demais, dando lugar a toques cautelosos e cheios de intenção. Jaemin acabou deitado, enquanto Jeno conduzia tudo com cuidado, atento a cada reação, como se estivesse tentando memorizar cada respiração. Em meio àquilo, Jaemin se pegou pensando em quantas vezes Jeno já havia feito algo assim, mesmo sendo o tipo de pessoa que ia para a faculdade até quando estava doente. Não demorou para que tudo estivesse pronto para ir além.

— Você está bem? — Jeno perguntou, acariciando o rosto de Jaemin, os olhos atentos demais para não notar o brilho úmido nos dele.

— Estou — respondeu com um sorriso pequeno, tentando tranquilizá-lo, embora sua mente estivesse longe.

— Eu posso parar, se você quiser — disse Jeno, secando com cuidado algumas lágrimas, genuinamente preocupado.

— Não… continue.

Mesmo com a preocupação, Jeno não quis contrariá-lo. Começou a se mover devagar, sem saber que aquelas lágrimas não vinham de dor ou desconforto. Jaemin não se sentia mal fisicamente — Jeno havia sido cuidadoso demais para isso. O que o fazia chorar era o medo. Medo do que aquele momento poderia significar para a amizade deles, medo de querer mais do que deveria, medo de não saber o que Jeno realmente sentia. Seu coração pedia por aquele contato, por aquele carinho, mas a dúvida gritava dentro dele. E, para piorar, havia outro nome insistindo em aparecer em seus pensamentos: Renjun.

O dia seguinte chegou rápido demais.

Jaemin acordou com a sensação de que algo tinha mudado para sempre. Não queria pensar no que fazer agora, não queria enfrentar as consequências daquela noite, mas o despertador tocou, impiedoso.

— Droga… — murmurou, desligando-o.

Virou o rosto para o outro lado da cama e encontrou exatamente o que esperava: o vazio.

— Claro que ele não ficaria… talvez nem more mais aqui — pensou, sentando-se e se encolhendo. — Eu sempre estrago tudo mesmo.

O nó na garganta crescia quando ouviu batidas leves na porta. Antes que pudesse reagir, o rosto de Jeno apareceu pela fresta.

— Ah… você já acordou — disse, aliviado. — Fiquei com medo de te acordar. Está tudo bem? Está sentindo alguma dor?

— Só um pouco… — respondeu Jaemin, confuso demais para formular qualquer outra coisa.

— Consegue levantar? Pensei em trazer o café na cama, mas acho que na mesa vai ser mais confortável — disse Jeno, estendendo a mão.

Jaemin hesitou.

— Por que você ainda está aqui? — perguntou, a voz baixa demais.

— Como assim? Eu moro aqui.

— Eu achei que… depois de ontem… você ia embora — as palavras saíram atropeladas. — Pensei que tinha estragado tudo, que você nunca mais ia querer me ver. Tem alguém que gosta de você, alguém melhor do que eu, alguém que não vai te dar tantos problemas…

— Jaemin, olha pra mim — pediu Jeno com calma.

Ele se aproximou, tocou sua bochecha e secou uma lágrima.

— Não quero que pense que eu fiz aquilo por pena ou por impulso — disse. — Eu também quis. E eu disse que não ia te deixar. Não vou quebrar essa promessa.

Quando foi que eu decidi isso?, pensou Jeno. Não sabia quando tudo havia mudado, só sabia que faria o possível para proteger aquele sorriso.

Aquilo não era exatamente uma declaração, e Jaemin percebeu. Ainda assim, se Jeno se importava tanto, talvez houvesse uma chance.

— Quer ajuda pra levantar? — perguntou Jeno, depois de um silêncio curto.

— Eu consigo — respondeu, envergonhado.

— Se quiser tomar banho, estarei na cozinha — disse, apressando-se para sair, tentando não encarar demais. Não confiava nem no próprio coração, muito menos no corpo.

— Me dá quinze minutos — Jaemin falou rápido.

Levantou-se devagar. Jeno havia sido carinhoso a noite inteira, mas seu corpo ainda sentia as consequências. Foi até o banheiro sem nem perceber que estava nu, tomou um banho rápido, perdido em pensamentos.

— Eu sou um desastre — concluiu, encarando o chão. — Nossa amizade nunca mais vai ser a mesma, e a culpa é minha.

Ignorava completamente o fato de Jeno também ter querido aquilo. Para ele, a culpa parecia sempre mais fácil de aceitar.

— Jaemin? — a voz veio do outro lado da porta. — Você disse quinze minutos… já faz meia hora.

— Já estou saindo — respondeu, percebendo só então o tempo que havia passado.

Saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura. Jeno ainda estava ali e, sem perceber, o olhou de cima a baixo antes de corar intensamente.

— E-está molhando o chão — disse, desviando o olhar às pressas.

— Não sabia que o Jeno era tsundere — murmurou Jaemin, sorrindo sozinho.

O café da manhã passou entre conversas calmas. Jeno continuava preocupado com a situação de Jaemin e sua mãe, ainda sem respostas da delegacia. Mesmo assim, tentava manter o clima leve.

Foram para a faculdade na moto de Jaemin. Não podiam faltar novamente, com as provas tão próximas. Jaemin gostava de observar Jeno pelo retrovisor enquanto dirigia, a forma como ele se segurava em sua camisa, atento a tudo ao redor. Mesmo em silêncio, ele conseguia ser absurdamente fofo.

E, pela primeira vez desde a noite anterior, Jaemin sentiu que talvez nem tudo estivesse perdido.

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