Capítulo 2

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Perdida, mas agora me encontrei
Eu posso ver que já fui cega uma vez
Eu estava tão confusa quanto uma criancinha
Tentei pegar o que podia, com medo de não conseguir encontrar
Todas as respostas que preciso

Born to die




O avental era um pesadelo. A cor mostarda não combinava com o vestido vermelho. Os dois tons a deixava ridícula. Ela se encarava no vidro sujo do carro do proprietário da lanchonete fumando mais um cigarro, sem entender o motivo de parecer tão bem com os cabelos presos. O clima era selvagem, ventava o suficiente para congelar seu nariz e fazer seus dedos doerem.

Hande desejou está em casa escondida, debaixo das cobertas, longe dos olhares quentes e vozes roucas. Ao fechar os olhos estava encolhida no edredom felpudo, respirando lentamente porque a sonolência era seu maior inimigo.

— Handy, já verificou os molhos que chegaram?

— Vou fazer agora.

Ela gostava de organizar. Enquanto tudo estivesse limpo, não precisaria se lembrar da sujeira de onde veio. O cheiro de desinfetante não a incomodava, porém fazia alguns reclamar. Não importava quanto tempo levaria para lavar cada lata ou embalagem, tudo deveria está tão limpo que qualquer um poderia passar a língua pela superfície sem ser contaminado. Ela também se lavava da mesma maneira, esfregando com tanta força que a pele ficava sensível.

Sua parte favorita era afundar-se nos livros acadêmicos. Fora difícil entender o novo idioma, mas bastou alguns anos para tudo fazer sentido. A Turquia estava morta. As palavras turcas escondidas no fundo da sua mente, junto do passado assombroso. Ninguém a conhecia em solo inglês, ou se importava o suficiente para perguntar o que havia acontecido.

Havia conquistado Oxford sozinha, e se orgulhava por aquilo.

Infelizmente não teve a sorte de encontrar um emprego bom o suficiente porque era estrangeira. Ninguém queria uma turca andando por aí como se fosse uma inglesa. Os empregadores só se interessavam com o rosto de Hande, totalmente chocados com as feições perfeitas, desde os olhos até os lábios.

Benedict não era diferente de todos os outros. Ele só era mais invasivo. Perigosamente invasivo.

As semanas só eram boas quando sabia que ele estava longe o suficiente para não pensar nela.

— Seu namorado está procurando por você.

Bastava ouvir aquela frase para tudo desabar.

Quanto mais via Benedict, mais ele pedir e menos Hande dava.

E ela tentou lhe dar algo.

Beija-lo era frio. Ele não a tocava maliciosamente, mas era o mesmo que sentir serpentes perigosas preparadas para dar o bote. Hande nunca sabia o que fazer quando precisava demonstrar emoção, porque seu corpo só queria rejeitar Benedict, enquanto sua mente a obrigava a fingir paixão.

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