Capítulo 12

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Eu sei que você é errado para mimVou desejar que a gente nunca tivesse se conhecido no dia que eu partir

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Eu sei que você é errado para mim
Vou desejar que a gente nunca tivesse se conhecido no dia que eu partir

Angels like you


Era alto o suficiente para não restar duvidas de que morreria. Estaria no paraíso antes de tocar o asfalto. Ninguém mais poderia considera-la bonita de se olhar, ou atraente o bastante para qualquer homem desejar. Estaria livre dos toques de estranho quando seu corpo fosse guardado na gaveta, pois não teriam a coragem de olhar o que sobrara de uma mulher tão destruída quanto Hande.

Ela conseguiria.

Mais um pouco, e estaria livre.

Seus dedos escorregaram à medida que se movia para finalmente pular.

Precisava ser corajosa como sua mãe um dia foi. Não estaria sozinha do outro lado. Poderia enfim descansar nos braços da única mulher que a amou verdadeiramente. Fechar os olhos sabendo que ninguém mais a tocaria ou machucaria. Hande estaria livre de todos. Distante o suficiente para esquecer-se do passado.

Não valia a pena recordar do passado.

Seus olhos se voltaram para o apartamento vazio de paredes pintadas de branco. Ele era solitário como Hande. Talvez sua alma se prendesse a aqueles quartos e cozinha. Aquela seria sua nova prisão de concreto.

No entanto, ela sabia que sua alma só estaria presa a aqueles cômodos porque seu coração nunca esteve tão confuso e doído. Jamais encontraria as respostas para os próprios pensamentos controversos. Mesmo se quisesse esquecer o paraíso quando reencontrasse a mãe, seria vencida quando se lembrasse do dia que seus lábios foram tomados e todo seu corpo afastou o outono eterno para abraçar as flores da primavera.

Não conseguiria ir até o fim. Era algo pior que medo e curiosidade.

Seu corpo recusava-se deixar o sofrimento para trás.

Ela queria continuar com o confronto contra a vida, sem se importar com todos os ferimentos, porque se iludia com um prêmio de consolação impossível. Aquilo o movia para frente. Ignorando todas as facas que Benedict lhe acertou apenas usando a língua.

O som do telefone tocando assustou Hande, fazendo com que gritasse ao perder o equilíbrio e quase se viu em queda livre. Seus dedos segurara-se com a força que restava. Seu coração martelava furioso, querendo desesperadamente viver para encontrar novamente o homem que a fazia acordar menos infeliz.

Empurrou-se para a segurança da varanda, precisando usar as mãos para não bater a cabeça no chão. Suava frio com a possibilidade de morrer tão cedo, mas aquele era seu sonho desde que era uma garotinha. Arrastou-se no chão, sem forças nas pernas. Ainda temia o próprio corpo, porque o impulso a fazia cometer loucuras.

Suas mãos tremiam ao atender o celular, sem conseguir ler o que estava escrito na tela.

Encostou as costas na parede, buscando respirar.

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