Minha governanta ninja
Já eram quase quatro horas da tarde. Eu estava no meu quarto jogando Call of Duty tentando esquecer a conversa de Sarah com seu namorado quando o telefone tocou.
-Mansão do Brand. - Tinha o costume de atender assim, afinal a casa era minha e somente eu morava ali.
-Hey Fletcher! - Era o tio Ben, soube de cara pois somente ele me chamava assim (mesmo sabendo que eu não gostava) - Como vão as coisas por ai cara?!-
-Tudo ótimo, acabei de matar nove soldados inimigos e estou prestes a explodir a base inimiga com um tanque. - Respondi-.
-Ah claro, Ainda jogando esses joguinhos para meninas... Escuta soldado, estou de férias do trabalho e pensei em dar uma passada aí pra ver como estão as coisas com você. Tem algum problema?
É claro que havia problema, eu não gostava de visitas, principalmente se tratando dos meus parentes, eu não os suportava, mas felizmente dentre todos eles o tio Ben era o menos pior, então eu abria uma exceção.
-Não tem problema algum tio Ben, as portas da mansão do Brand estão sempre abertas para o senhor.
-Ótimo até mais então , ah e por favor Fletcher... vê se para com esses joguinhos femininos e vai caçar uns patos, ou jogar poker...
-Okay tio Ben, até mais.
Desliguei o telefone. Pausei o jogo. Inclinei-me para o lado e abri o mini frigobar que ficava ao lado da minha cama. Droga. Estava sem diet cola. Sei que pode parecer estranho mas eu preciso admitir, não consumia bebidas alcoólicas. Nas festas que eu dava na minha mansão sempre disfarçava. Antes que os convidados chegassem eu colocava diet cola em uma enorme garrafa de cerveja alemã, e não deixava ninguém tomá-la com o pretexto de que aquela era exclusiva para o dono da casa, e como todos os convidados eram em geral meio burros nem percebiam que eu estava blefando.Mas como naquele momento não tinha minha querida diet cola, tive que fazer a longa jornada até a cozinha para repor o estoque. Digo a longa jornada pois realmente era.
Saindo do meu quarto havia um enorme lance de escadas que dava acesso ao salão principal. Um espaço enorme com apenas um vaso chinês no centro. Não me pergunte o porquê dessa decoração tão simples em um espaço tão grande, é o tal do Feng Shui um modo de distribuição dos objetos pela casa que, Ana, minha governanta chinesa gostava de por em prática. Segundo ela aquilo fazia com que as más vibrações daquele lugar fossem afastadas. Nunca havia percebido diferença alguma mas nunca reclamei, gostava da Ana, ela era o mais próximo que eu tinha de ter uma noção de como era ter uma mãe.Após descer as escadas e caminhar pelo salão cheguei até a cozinha. Abri a geladeira e peguei um engradado de diet cola. Quando fechei a porta da geladeira tomei um susto. Ana apareceu do nada bem atras da onde estava a porta, da mesma forma que eu havia planejado fazer pela manhã no armário.
-Caramba Ana! Não da pra ser mais barulhenta quando chegar? - Exclamei.
Ana estava sempre andando pela casa mas era impossível ouvir seus passos. As vezes ficava imaginando que durante sua juventude no período que morava na china Ana deveria ser uma super ninja que combatia o crime e caçava tesouros.Ela continuou me encarando com aqueles seus olhos semicerrados. Por mais que tivesse apenas 1,50 de altura, aquele olhar de Ana era capaz de colocar medo até mesmo num lutador de UFC.Ela apontou para o engradado de diet cola em minhas mãos.
-"Issu vai mata você. Já dissi. Não podi bebe tanta pocaria". -disse ela exatamente dessa forma. Mesmo já morando nos Estados Unidos a um bom tempo Ana ainda falava poucas palavras e mantinha seu sotaque chinês, o que era bem engraçado-.
Como sempre não dei muita importância ao que ela disse. Ela era meio dramática mesmo e afinal, quem morre por beber diet cola?
-Tudo bem Ana, já sei disso. Obrigado por se preocupar comigo.
Já ia passando por ela quando sua pequena mão encostou no meu peito me fazendo parar. ( um movimento típico de um ninja ). Olhei para ela.
-Ta, e agora, o que foi?
Ela me encarou de novo.
-"Jardineiro começa hoje. Ta lá fora. Vai lá fala com ele."
Já havia me esquecido. Há algumas semanas estava à procura de um jardineiro que pudesse dar um trato no jardim da mansão. Quer dizer, dar um trato naquela selva para fazer ela se transformar num jardim. Eu poderia ter contratado uma equipe de jardinagem que certamente terminaria o trabalho em pouquíssimo tempo, mas não sei... gostava de seguir aquela tradição de contratar um velho jardineiro que me chamasse de senhor, usasse um macacão jeans surrado, um chapéu de palha na cabeça e uma boa e velha tesoura nas mãos. Deixei o engradado de diet cola em cima da mesa e fui la fora dar as primeiras orientações ao jardineiro.
O céu estava mais azul do que de costume. Haviam poucas nuvens no céu e o sol brilhava tão forte que tive de usar minha mão para bloquear a luz que ofuscava minha vista. Mesmo com a visão bem embaçada avistei o tal jardineiro próximo ao canteiro de rosas. Aquele era o único canto do jardim que estava organizado, pois eu mesmo estava cultivando aquelas rosas a muito tempo, pois elas tinham um significado importante pra mim. Foi quando percebi que o tal jardineiro estava tocando nelas, mais do que isso, estava prestes a cortar uma delas com sua tesoura. Não me contive. Sai correndo em direção a ele.
Por sorte eu era um atleta então cheguei antes que ele pudesse tocar em alguma das minhas rosas.
-HEY seu imbecil ! Não toque nessas rosas ! Ou vai perder seu empreguinho miserável antes mesmo de começar.
O jardineiro ficou imóvel. Estava de costas pra mim. Lentamente foi colocando a tesoura no gramado, e começou a se levantar. Minha visão que fora ofuscada pelo sol agora começava a voltar ao normal. Quando por fim ele se levantou percebi que havia algo errado. Ele na verdade não era ele. Era ELA!, uma jardineira!. Mas isso não era o pior. O pior é que essa jardineira era ninguém menos do que Sarah Grace.
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O Cara
Roman d'amourBrandon Fletcher é herdeiro de uma enorme fortuna. Além de um excelente quarterback e viver em uma mansão rodeado por carros de luxo, festas e garotas lindas, também possui uma aparência invejável. Se isso não fosse o bastante, ainda é extremamente...
