QUARENTA E TRÊS

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Gabi point of view.

Acordo no meio da noite e vejo que a Liz não está na cama. Estranho demais. Me sento e calço minha chinela, começo a caminhar pelo quarto à procura dela. Procuro no closet, no banheiro e na varanda, ela não está em nenhum deles, então vou pra fora do quarto.

Mal conheco essa cobertura, mesmo estando aqui a quase uma semana. Vou andando, a única coisa que ilumina a sala é a luz lá de fora e decido ir lá. Encontro ela, chorando. A cena parte meu coração. Ela abraçada com uma almofada e chorando pra caralho.

— Bê... — a chamo e ela ergue o olhar. A mesma começa a negar com a cabeça, não fala nada e volta a olhar pra baixo.

Chego mais perto, me sento ao seu lado e lhe abraço de lado, fazendo um pequeno carinho em seu braço. Ela treme e aqui fora está muito frio, não sei como ela está aguentando.

— Vida, vamos lá pra dentro, vamos? — a convido, ela faz que não ouviu, continua chorando e nem se mexe, respiro fundo e minha preocupação vai de zero a cem muito rápido.

Que dia é hoje? Pego meu celular e olho, duas da manhã, dia 16 de maio. Ah. O motivo me preocupa mais ainda. Eu nunca pensei que veria alguém assim, agora estou vendo e é uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Respiro fundo, ela se aninha nos meus braços e o choro começa a molhar minha camisa. Eu deixo. Deixo ela me fazer de travesseiro, porque eu sei a dor que ela sente, e não vou poder fazer nada sobre isso. Nada vai amenizar a dor que ela sente.

Eu não sei dar conselhos, não sei o que falar, não sei o que fazer, então eu apenas continuo abraçado nela e não falo mais nada. Melhor eu ficar quietinho do que falar alguma coisa e ser merda.

Ela está chorando tanto que chega a soluçar. Olho pro céu e... Aquela estrela tá brilhando muito, né? Caralho. A estrela se destaca entre todas as outras e isso me faz sorrir. Será que é ele? Sei lá, os povo não dizem que quando a pessoa morre ela vira uma estrela? Então. Será que ele virou também? Ninguém nunca sabe.

— Olha... — penso bem antes de dizer. Minha fala é baixa, em um quase sussurro — Não se tranca, tá? Não fica sozinha em um quarto, por favor. Eu só quero o teu bem, meu amor, quero tá do teu lado o dia todo, tá? Quero ver você sorrindo, alegre, brincando e aproveitando o seu dia. E... Eu preparei uma surpresa pra você — dou um sorriso olhando pro prédio iluminado a nossa frente — Você vai comigo ver a surpresa?

O choro vai diminuindo aos pouco, ela funga, ergue a cabeça, me olha e respira fundo. Não consegue falar e eu entendo pra caralho isso.

— Vai? — pergunto. Ela respira fundo mais uma vez e concorda com a cabeça, apoiando ela em meu ombro.

Agora nós dois estamos olhando o show de luzes que começou do nada no prédio da frente, o mesmo do vídeo. Esse predinho tem história, hein? Caralho.

E ficamos ali por um bom tempo, só curtindo a companhia um do outro e o choro dela agora é baixinho, acho que nem tá mais chorando, papo reto.

Nos levantamos e quando fomos entrar no quarto ela trava, não consegue se mover e os olhos enchem d'água novamente. Eu lhe olho e meu peito dói ao ver que ela nem sequer consegue entrar no quarto.

— Vida... — fico em sua frente, ela olha pra mim — Faz... Faz isso por mim, hum?... Vai?

Ela olha pra mim, olha pro chão e concorda com a cabeça. Entramos no quarto e ela prende o choro, ela pensa que eu não percebi, mas é quase impossível não perceber.

Deito com ela na cama, a mesma se encolhe toda e eu solto um suspiro beeem fundo.

Eu achava que a Liz não tinha esse lado "frágil", é claro que todo mundo tem, eu tenho, minha irmã tem, meus amigos têm, mas a dela é uma coisa muito intensa, sabe? Caralho eu... Eu fiquei sem palavras.

Eu já era apaixonado por ela antes, agora é que estou mais.

Mano, ela agora está sendo uma pessoa totalmente daquela lá do comecinho. A durona que não ficaria comigo por eu ser o Gabigol, a que me odiava, a que não trocava uma palavra comigo... E agora ela tá aqui, chorando deitada no meu peito.

E eu amo isso, sabe? Porque desde o comecinho eu sabia que a gente teria muito mais que só uma transa, mas não sabia que seria nessa dimensão.

Eu nunca tive essa intimidade com uma namorada, como eu tenho com a Liz. Daqui a uma semana vamos completar um mês de namoro e que pra mim já faz uns seis meses que estamos juntos.

E... Cara, eu amo tanto ela, não tem como explicar. O nosso santo bateu, como diz algum cantor sertanejo. Não manjo muito desse estilo de música não.

São tantos defeitos que a torna cada vez mais bonita que... Eu tô bobão, né? Mas foda-se. A rainha já deu o papo dela: "Se amar assim for brega, me chama de Marília Mendonça ou de Falcão".

— Eu te amo, tá? — dou um sorriso, mesmo ela não olhando pra mim.

Eu sempre relembro isso. Eu acho que por eu ter tido relacionamentos muito tóxicos, acabo que tenho essa necessidade.

Eu amo você — ela sussurra e isso pra mim já foi o suficiente pra ficar com um sorriso bobão no rosto até eu ir dormir.

Eu odeio o quanto eu amo ela. Quer saber? Odeio nada, eu gosto disso.

Fim.

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𝐌𝐈𝐒𝐓𝐄́𝐑𝐈𝐎 | 𝐆𝐀𝐁𝐑𝐈𝐄𝐋 𝐁𝐀𝐑𝐁𝐎𝐒𝐀Onde histórias criam vida. Descubra agora