Confissões na virada

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Eu não fazia a menor ideia do que iria acontecer no segundo seguinte àquela frase inacabada dele. O salão inteiro parecia ter ficado sem oxigênio. Por alguns segundos que pareceram horas, esperei por um desfecho, com o corpo tenso e as mãos frias. Depois, em um misto de exaustão emocional e entrega, simplesmente parei de esperar. Observei de longe, com os olhos fixos, enquanto o Taehyung caminhava com passos decididos em direção à porta lateral que dava para os fundos da mansão, sem pronunciar uma única palavra, sem olhar uma vez sequer para trás. Meu coração batia com tanta violência contra as minhas costelas que eu podia jurar que conseguia ouvir o som ecoando dentro dos meus próprios ouvidos.

​Cinco minutos se passaram. Longos. Angustiantes. Torturantes. O silêncio que se instalou entre os convidados era quebrado apenas pelo estalar sutil da lenha na lareira.

​Então, a porta se abriu novamente e ele voltou.

​Nas mãos grandes, ele carregava um buquê imenso e impecável de flores frescas. No olhar castanho, agora firme e focado, havia uma determinação cortante que eu nunca, em todos os nossos anos de história, tinha visto antes. Ele segurava o microfone entre os dedos e, no momento exato em que sua voz grave e aveludada preencheu o ambiente através do sistema de som, tudo e todos ao meu redor pareceram simplesmente evaporar.

​Ele começou a cantar Mirrors, do Justin Timberlake - a música que, desde o início do nosso namoro turbulento, sempre dissemos ser a trilha sonora perfeita da nossa conexão.

​Cada verso cantado com aquela rouquidão melódica parecia atravessar o meu peito como uma flecha. Ele caminhava em passos lentos, medidos e calculados na minha direção, sem desviar os olhos dos meus, como se tivesse um medo real de que qualquer movimento mais brusco pudesse quebrar a magia daquele momento. Foi então que, movendo o olhar sutilmente para trás dele, eu os vi cruzar o portal de entrada da sala. Minhas duas primas, a Cassia e a Stella... e os seus respectivos esposos logo atrás, caminhando devagar, sorrindo largamente de orelha a orelha, revelando-se os cúmplices absolutos daquele plano detalhado.

​Minha mão direita foi automaticamente à boca em um gesto de puro choque. Meus olhos se inundaram de lágrimas quentes antes mesmo que eu pudesse tentar qualquer esforço para contê-las.

​Quando o Tae finalmente parou a poucos centímetros de mim, ele entregou o microfone de forma fluida para o Jeon Jungkook, que já estava posicionado logo atrás dele. O Jeon assumiu o vocal da música sem hesitar, continuando a melodia com a sua voz firme, limpa e potente, enquanto o Taehyung usava as duas mãos para segurar as minhas com uma leveza extrema, como se eu fosse feita de cristais preciosos demais para sofrer qualquer aperto.

​Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo, encarou-me no fundo dos olhos e disse, com a voz visivelmente embargada pela emoção contida:

​- Naquela noite em que eu te pedi em casamento pela primeira vez... eu preciso ser homem para confessar que eu ainda não tinha a real certeza do que aquele compromisso realmente significava.

​Engoli em seco, sentindo o choro travar na minha garganta.

​- Eu acabei me perdendo completamente nas suas manias, nas suas ligações inesperadas de madrugada, no jeito único que você sempre dava para me encontrar e me trazer de volta para o chão, não importava onde ou quão longe eu estivesse. - Ele soltou um sorriso de canto, leve e genuíno. - Hoje, Lara, diante de toda a minha família e dos meus irmãos, eu posso afirmar com a maior certeza da minha vida: eu te amo com todo o meu coração.

​As lágrimas já desciam livremente pelas minhas bochechas, sem pedir qualquer permissão.

​- E eu me arrependo, sim, todos os dias, da nossa história não ter sido mais fácil ou mais limpa. Eu deveria ter tomado as atitudes certas na hora certa. Eu escutei quem não devia, acabei acreditando em narrativas completamente erradas... e eu só tive a real percepção do quão cruel, vazia e sem cor a vida era sem você quando você pegou as suas coisas e se foi.

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