Sr. & Sra. Kim

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Meu olhar foi direto para o vão da porta no segundo exato em que a maçaneta girou. Assim que ela colocou os pés dentro daquele quarto hospitalar, exalando aquele rastro pesado de essência de baunilha, meu estômago deu uma reviravolta tão violenta que precisei fechar os dentes com força e respirar pelo nariz para não colocar todas as frutas do café da manhã para fora ali mesmo. O Bang PD sacou a minha reação na hora e se posicionou bem ao meu lado, colando o ombro no meu, firme como uma muralha protetora. Os meninos travaram o falatório instantaneamente, encarando a figura elegante e fria que cruzava a entrada. Mas, antes que qualquer um ali dentro pudesse esboçar a menor reação ou ensaiar uma saudação educada, o Tae deu dois passos largos à frente, se interpondo entre ela e a minha cama. A voz dele saiu carregada de uma autoridade sombria, cortando o ar.

​- Pode parar exatamente aí onde você está! Não dê mais nem um passo para dentro deste quarto! - O tom dele foi seco, ríspido, afiado feito uma lâmina de bisturi.

​O impacto daquelas palavras foi imediato. O Jungkook chegou a prender a respiração, o Yoongi travou os maxilares e todo mundo na sala ficou estático, completamente pego de surpresa pela postura 100% intransigente e agressiva do Tae com a própria mãe. Ela piscou, visivelmente desconfortável com a recepção, e tentou dar mais um passo à frente, abrindo a boca para falar, mas o Tae ergueu a mão direita espalmada no ar, enquanto passava a outra pelos fios de cabelo num gesto de pura exaustão e tensão psicológica.

​- Eu disse para parar, caramba. Agora. - A voz dele subiu um oitavo, arrastada por uma fúria contida que fazia o peito dele subir e descer rápido.

​Ela congelou no lugar, com as duas mãos presas na alça da bolsa de grife, como se o chão sob os saltos dela tivesse desaparecido de repente. O Tae apertou os olhos por um segundo, respirando fundo, numa tentativa nítida de conter a avalanche de sentimentos ruins que estava consumindo o interior dele.

​- Saia daqui agora. Você já fez o suficiente por uma vida inteira... Quase destruiu o noivado do Eunwoo com as suas armações de bastidores e... - a voz dele deu uma fraquejada feia por um milésimo de segundo, mas ele engoliu o seco e se recompôs com uma rigidez assustadora - ... e quase me fez perder os maiores e únicos amores da minha vida de uma vez só por causa desse seu orgulho idiota. Saia.

​O olhar dela, que antes exalava pura soberba, vacilou. Ela vagou os olhos pelo quarto até encontrar os meus na cama. O foco dela caiu direto sobre o esparadrapo e o acesso venoso que ainda estavam espetados no meu braço, e um sussurro quase inaudível escapou dos lábios perfeitamente pintados dela:

​- Então... a história que corre... é verdade. Você está mesmo grávida.

​O Bang PD, percebendo que o Tae estava na iminência de perder o controle físico e explodir de vez em um escândalo, deu um passo saindo do meu lado e caminhou até a mãe dele. O olhar do nosso chefe estava frio, calculista e desprovido de qualquer traço de simpatia.

​- Não me faça passar pelo constrangimento de acionar os seguranças deste hospital para tirar você daqui de dentro, senhora Kim. Saia agora, por favor. Quando o seu filho estiver em condições de ser racional e mais calmo, vocês conversam em outro lugar. Aqui não é o momento e nem o espaço.

​Ela engoliu a seco, olhou para o Tae uma última vez, mas não encontrou nada além de uma barreira de gelo. Sem dizer uma única palavra para se defender, ela apenas girou nos calcanhares e saiu pelo corredor, fazendo o barulho dos saltos sumir aos poucos. Assim que a porta se fechou com um clique suave, soltei todo o ar que estava prendendo nos pulmões, sentindo um alívio físico, como se um piano de cauda tivesse sido tirado das minhas costas. A tensão sufocante que tinha tomado conta da sala foi evaporando aos poucos, e, em poucos minutos, o ambiente voltou a ganhar vida, retomando a leveza com o Jungkook já abrindo os pacotes de doces e puxando conversas aleatórias sobre os bebês.

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