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Já passava da meia-noite, e a mansão estava silenciosa, com todos os ocupantes já recolhidos em seus quartos para dormir. No entanto, Natasha ainda estava acordada, sozinha em uma sala de treinamento no andar de baixo. O som de seus punhos atingindo o saco de pancadas era constante, quase metódico. Ela não conseguia relaxar. O estresse dos últimos acontecimentos, somado à preocupação com o que estava por vir, a mantinha inquieta.

Mesmo depois de horas de treino, Natasha sentia sua mente agitada. Após um último soco mais pesado, ela parou, respirando fundo e enxugando o suor da testa. Decidiu que já era tarde o suficiente e que deveria descansar. Pegando sua garrafa d'água, saiu da sala e começou a caminhar pelos corredores silenciosos.

Enquanto subia as escadas, a mansão parecia ainda mais quieta. Ao passar pelo corredor que levava ao quarto de Bucky, Natasha ouviu murmúrios abafados. Franziu o cenho e se aproximou com cautela, parando em frente à porta entreaberta. O som era inconfundível: Bucky estava inquieto, preso em um pesadelo. Seu sono parecia agitado, e os murmúrios desconexos indicavam que ele revivia algo perturbador de seu passado.

Natasha ficou ali, parada por um momento. Sabia o quanto Bucky ainda lutava com os fantasmas do Soldado Invernal, mesmo que nunca admitisse. Ela hesitou por um segundo, considerando se deveria entrar ou deixá-lo. Sabia que ele não gostava de demonstrar fraqueza, mas ao mesmo tempo, o som de seu tormento era difícil de ignorar.

De repente, os murmúrios de Bucky se transformaram em gritos, cheios de dor e desespero, como se ele estivesse revivendo algum trauma. Natasha encolheu-se ao ouvir, o som era carregado de angústia. Sabia, naquele instante, que não poderia deixá-lo sozinho. Algo mais sombrio o assombrava.

Sem hesitar, Natasha empurrou a porta devagar, o suficiente para entrar sem causar alarde. O quarto estava mal iluminado, com apenas um feixe fraco de luz atravessando as cortinas semiabertas. Bucky estava deitado na cama, o rosto contorcido de agonia, o corpo se mexendo de forma brusca enquanto lutava contra o que quer que o estivesse perseguindo em seus sonhos. Seus punhos cerrados seguravam os lençóis com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos, e o suor escorria pela sua testa.

— Não... não... — ele murmurava, as palavras saindo entrecortadas, como se implorasse ou se defendesse de algo horrível. De repente, soltou um grito, cheio de terror e dor.

Natasha correu para o lado da cama, se ajoelhando ao lado dele. Sabia que precisava acordá-lo antes que o pesadelo o consumisse por completo. Evitou tocá-lo diretamente para não assustá-lo e falou com firmeza, mas com calma:

— Bucky... Bucky, sou eu. Você está seguro. Acorde.

Quando ele não reagiu, Natasha tocou seu ombro suavemente, sentindo a tensão dos músculos.

— Bucky, acorda. É só um pesadelo. Eu estou aqui

Bucky deu um solavanco, abrindo os olhos de repente, cheios de pânico. Por um instante, ele não parecia reconhecer onde estava ou quem estava ao seu lado. Natasha manteve a mão em seu ombro, estabilizando-o enquanto seus olhos vasculhavam o quarto, confusos e agitados.

— Natasha... — ele murmurou, ainda ofegante.

— Estou aqui, está tudo bem — disse ela, com um tom calmo, porém firme. — Você estava tendo um pesadelo. Está seguro agora.

Aos poucos, Bucky começou a relaxar. Sua respiração ainda era pesada, mas ele estava voltando ao presente. Seus olhos encontraram os de Natasha, e ele piscou algumas vezes, tentando assimilar a realidade.

— Eu... estava de volta lá... — ele sussurrou, com a voz fraca e rouca.

Natasha não precisava de mais explicações. Sabia exatamente o que ele queria dizer. Soltou o ombro dele e se levantou devagar.

𝐃𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐲 | 𝐒𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐑𝐨𝐠𝐞𝐫𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora