Após toda a recepção amorosa que recebeu de Pepper e da comida deliciosa, Sarah subiu para o seu quarto. Ela mal conseguia acreditar que estava em um lugar seguro novamente. Foram tantos meses sofrendo nas mãos de Pavlova, sentindo fome, frio, sede, sendo cobaia de seus experimentos malucos e suportando torturas, que Sarah havia esquecido como era se sentir segura de verdade.
O quarto dela era o mesmo de quando era criança, embora tivesse passado por algumas mudanças. Os brinquedos caros haviam sido doados com o tempo, e a decoração infantil deu lugar a um ambiente mais maduro. Mesmo assim, Tony e Pepper fizeram questão de manter o quarto de Sarah, conservando-o sempre pronto para quando ela quisesse ficar na mansão.
Ao abrir a porta, uma onda de nostalgia a atingiu ao ver tudo praticamente igual ao que lembrava. Ela entrou, fechando a porta atrás de si com um clique suave. Passou um tempo observando o quarto, deslizando os dedos pelas estantes, pela mesa, pela cama. Depois, foi até o closet procurar algo para vestir. Precisava de um banho para se livrar de toda a sujeira e da sensação de cansaço que parecia impregnada em seu corpo. Escolheu um conjunto de pijama composto por um short e uma camiseta.
No banheiro, Sarah não pôde deixar de admirar o luxo. Embora nunca tivesse se gabado pelo dinheiro dos Stark, depois de todo o tempo que passou naquele lugar decadente, sem nenhum conforto, ela não deixaria de aproveitar.
Lentamente, começou a se despir. Antes de entrar no chuveiro, olhou-se no espelho e percebeu o quanto havia emagrecido. Perdera, no mínimo, seis quilos. Não gostava do que via, preferia seu corpo antes, mas sabia que teria tempo para se recuperar.
Sob a água quente, deixou-a escorrer pelo corpo, lavando não apenas a sujeira, mas desejando que levasse embora também o medo, a culpa, o remorso. Mas Sarah sabia que, para limpar a alma, precisaria de mais do que água e sabonete.
Ela fechou os olhos, respirando fundo, até que uma onda de memórias invadiu sua mente. Eram lembranças de sua infância na Hydra, mas, dessa vez, não estavam turvas. Eram nítidas, mais nítidas do que nunca. Conseguiu ver os rostos dos cientistas, sentir a dor dos experimentos como se os estivesse revivendo naquele momento. O som das máquinas zumbindo ao redor, os passos dos cientistas e soldados do lado de fora da sala fria onde ficava.
A intensidade das lembranças a atordoou, obrigando-a a se segurar na parede para não cair. Seu coração martelava no peito, a respiração ficou ofegante. Apressou-se a terminar o banho, não querendo prolongar aquele momento nem por mais um segundo.
Enrolando uma toalha ao redor do corpo, saiu do banheiro. Enquanto caminhava pelo quarto, de relance, viu uma sombra. Seu corpo reagiu instintivamente. Fechando o punho, desferiu um soco na direção da figura, mas, antes que pudesse acertá-lo, sentiu uma mão segurar seu punho com delicadeza.
— Ei, calma aí. — Steve sorriu, segurando o punho de Sarah.
Ao ver que era ele, ela relaxou e seu punho se desfez. Deu um leve sorriso.
— Desculpe, Steve... eu só... — Ela começou, mas se interrompeu. Não sabia como explicar. Era complicado demais. Tudo sobre ela parecia sempre complicado.
— Você está bem? — Ele perguntou, notando a tensão nos ombros dela e a maneira como hesitava ao falar. Steve a conhecia bem demais para não perceber que algo estava errado.
— No banho... eu lembrei de tudo que sofri na Hydra. Mas, dessa vez, as memórias não estavam turvas como sempre foram. Elas eram nítidas. Nítidas demais... — Sarah lutava contra as lágrimas enquanto falava.
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𝐃𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐲 | 𝐒𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐑𝐨𝐠𝐞𝐫𝐬
RandomA vida de Sarah foi uma batalha constante desde a infância, marcada por perdas, solidão e a necessidade de se adaptar para sobreviver em um mundo que nunca lhe deu trégua. Quando foi adotada por Tony Stark, ela encontrou pela primeira vez um lar de...
