O helicóptero militar pousou com um estrondo seco sobre a base de concreto reforçado, o vento das hélices chicoteando o chão gelado do amanhecer. Sarah sentia o frio cortar sua pele, mas o que a incomodava não era a temperatura — era o peso do que estava prestes a acontecer. Dentro do helicóptero, Steve Rogers manteve-se ereto, o escudo apoiado no colo, o semblante sério. Natasha observava silenciosa pela janela lateral, e Tony, como sempre, tentava esconder a inquietação com uma postura relaxada, mas o brilho dos olhos denunciava que ele também estava pronto para qualquer confronto.
Eles haviam aceitado comparecer à base a pedido de Thaddeus Ross, o general encarregado de supervisionar a transferência e a condenação de Helmut Zemo. Para Sarah, significava enfrentar não apenas a lembrança do homem que destruíra sua vida, mas também o julgamento de alguém que sempre vira nela uma ameaça em potencial, nunca uma vítima.
O helicóptero pousou e, em fila, os quatro desceram. O vento da manhã era cortante, o cheiro de combustível impregnava o ar, e soldados armados observavam de longe, atentos a cada passo. Sarah sentiu os olhares como facas invisíveis, mas manteve o queixo erguido. Estava cansada de ser vista como frágil, ou como uma sombra de si mesma.
O corredor que os levou até a sala de reuniões parecia interminável. As paredes de concreto nu, a iluminação fria e o som dos passos ecoando criavam a atmosfera de um julgamento não oficial. Sarah tinha plena consciência: não estavam ali apenas para ouvir a sentença de Zemo. Ross tinha algo mais em mente.
Quando as portas reforçadas se abriram, Ross já os aguardava. Estava de pé, mãos atrás das costas, uniforme impecável, expressão de homem que se achava no controle absoluto. Atrás dele, dois oficiais permaneciam rígidos, como estátuas armadas. Sobre a mesa central, repousavam dossiês grossos, pastas vermelhas e uma pasta cinza mais delgada, que Sarah não reconheceu de imediato.
— Capitão Rogers, Romanoff, Stark... — Ross saudou, sua voz grave ressoando com uma formalidade quase teatral. Então seus olhos deslizaram até Sarah. — Senhorita.
O modo como pronunciou a palavra fez Sarah sentir um arrepio. Era como se ele já a reduzisse a algo menor, um detalhe inconveniente no meio de figuras maiores.
Steve avançou primeiro, sem hesitar. — Vamos encurtar, Ross. O que vai acontecer com Zemo?
Ross arqueou uma sobrancelha, como se estivesse gostando do tom direto. Abriu o dossiê vermelho, folheando lentamente. — Helmut Zemo será transferido para uma instalação de segurança máxima. Oficialmente, responderá por crimes de terrorismo, conspiração contra estados soberanos, manipulação de agentes e assassinatos em massa. — Ele pausou, erguendo os olhos. — A sentença é perpétua, sem direito a condicional.
Tony deu uma risadinha curta, carregada de sarcasmo. — Olha só, um milagre. O sistema funcionando de verdade. Deve ser a primeira vez em décadas.
Ross o ignorou. — Ele será trancado, e posso assegurar: não haverá brechas desta vez.
Steve manteve o olhar firme. — Já ouvimos isso antes, general.
Ross se inclinou levemente para frente, como se saboreasse a tensão. — E desta vez será diferente, Capitão.
O silêncio foi interrompido quando Ross fechou o dossiê com um estalo seco. Seus olhos voltaram-se lentamente para Sarah. Ele deslizou os dedos até a pasta cinza, abrindo-a de maneira quase calculada.
— Mas há outro assunto que não podemos varrer para debaixo do tapete. — disse, sua voz carregada de intenção. — Pavlova.
Sarah sentiu os músculos do corpo se retesarem. Não era surpresa, mas ainda assim o modo como ele pronunciou o nome trazia uma sombra familiar de ameaça. Steve deu um passo mais próximo, como se instintivamente se colocasse entre ela e Ross.
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𝐃𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐲 | 𝐒𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐑𝐨𝐠𝐞𝐫𝐬
RandomA vida de Sarah foi uma batalha constante desde a infância, marcada por perdas, solidão e a necessidade de se adaptar para sobreviver em um mundo que nunca lhe deu trégua. Quando foi adotada por Tony Stark, ela encontrou pela primeira vez um lar de...
