40

69 1 0
                                        

A manhã depois da festa tinha um clima quase surreal. A mansão Stark, que na noite anterior estava tomada por música, gargalhadas e brindes, agora era um campo silencioso, iluminado pelo sol que entrava generoso pelas janelas altas. O contraste era tão grande que até Sarah se perguntou se tinha sonhado.

Do corredor ecoou uma voz familiar e um tanto rouca.

— Quem... diabos deixou Thor trazer aquele barril de hidromel?

Era Sam Wilson, descendo as escadas devagar, uma mão na testa. Steve vinha logo atrás, incrivelmente bem disposto, como se tivesse dormido oito horas perfeitas e não participado da mesma festa.

— Você bebeu três copos seguidos, Sam. — Steve lembrou, com aquele tom calmo que só irritava ainda mais o amigo. — A culpa não é do hidromel.

— A culpa sempre é do hidromel. — Sam rebateu, desmoronando no sofá da sala principal.

Natasha já estava acordada havia horas. Sentada na cozinha, ela bebia café com uma tranquilidade irritante para os que sofriam ressaca. Bucky, por outro lado, encostado no balcão, parecia apenas existir, os olhos meio semicerrados.

— Não sei por que vocês reclamam tanto. — Natasha comentou, erguendo a xícara. — Um pouco de disciplina no corpo e vocês acordariam bem.

— Disciplina? — Sam resmungou da sala. — Isso é genética soviética. Não vale.

Sarah entrou rindo, ainda com a camiseta simples que usara para dormir. O cabelo bagunçado, mas o sorriso vivo. — Bom dia para vocês também.

— Você não bebeu nada, né? — Tony surgiu por trás dela, ainda de roupão. — Claro que acordou bem. Diferente de alguns pássaros...

Sam levantou o dedo do sofá. — Continua aí, Stark, e eu vou provar que ainda consigo voar mesmo de ressaca.

Todos riram, e aquele clima leve de família improvisada foi o prelúdio para o que viria.

No fim da manhã, Maria Hill chegou à mansão acompanhada de dois agentes. O semblante sério dela imediatamente trouxe todos de volta à realidade. A festa fora necessária, mas a vida deles nunca ficava em pausa por muito tempo.

Reuniram-se na grande sala de conferências. Tony no canto, mexendo em hologramas; Steve sentado ereto como sempre; Natasha e Bucky lado a lado, discretos; Sam com uma garrafa de água na mão. Sarah, dessa vez, na cadeira ao lado de Hill.

— A situação é a seguinte — Hill começou. — Zemo está sob custódia. Pavlova não é mais uma ameaça. A imprensa já começou a especular, mas o Conselho da ONU vai divulgar em breve um comunicado oficial.

— E nós? — Steve perguntou.

Hill olhou para o grupo, depois fixou os olhos em Sarah. — É sobre isso que precisamos falar.

Sarah sentiu um aperto no peito. Já sabia que aquela conversa viria. Desde que matara Pavlova, imaginava que seu futuro estava em suspenso. Mas os olhares de Tony e Pepper na noite anterior, o discurso de Natasha, o apoio de Steve... tudo isso lhe dava coragem.

— Eu quero voltar. — Sarah disse antes mesmo que Hill fizesse a pergunta. — À S.H.I.E.L.D. É o que eu sempre fui. É onde eu posso ser útil.

A sala ficou em silêncio por um instante. Hill ergueu as sobrancelhas, surpresa, mas não chocada.

— Tem certeza? Depois de tudo o que aconteceu...

— Justamente por causa de tudo o que aconteceu. — Sarah respondeu firme. — A Hydra tentou me usar. Tentou me quebrar. Mas eu não sou deles. Nunca fui. Eu sou uma agente da S.H.I.E.L.D. E quero continuar sendo.

𝐃𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐲 | 𝐒𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐑𝐨𝐠𝐞𝐫𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora