Sarah estava sentada no sofá, com a cabeça entre as mãos. Ela não podia acreditar até onde o controle e as ordens de Pavlova haviam chegado. Sabia que aquelas ordens não tinham propósito real, a não ser causar dor a ela. Pavlova não tinha motivos para querer Ji-eun ou seu bebê mortos, mas devia ter descoberto sobre a relação de Sarah com elas através de Ivan. Sarah agradecia por Ivan ter chegado a tempo de impedi-la, porque, se tivesse cumprido as ordens, nunca se perdoaria.
— Aqui, beba. — Ji-eun disse ao se aproximar de Sarah, estendendo-lhe uma xícara de chá.
— Obrigada. — Sarah respondeu, levantando a cabeça para olhar para Ji-eun enquanto pegava a xícara. Ela viu o sorriso que Ji-eun ofereceu, mas sabia que era falso. Sarah percebia a forma como a mulher olhava para ela com desconfiança, como se esperasse que, a qualquer momento, ela sacasse uma faca e tentasse atacá-la novamente.
— Ji-eun… olha… — Sarah começou a falar, sentindo um nó se formar em sua garganta, mas foi interrompida.
— Não.
— Não…? — Sarah ergueu uma sobrancelha, confusa.
— Não tente pedir desculpas, Sarah. Ivan me explicou o que aconteceu com você, e eu sinto muito, de verdade. Ninguém merece passar por algo assim. Mas isso não muda o fato de que você tentou me matar. E matar minha filha. — A firmeza no tom de Ji-eun fez Sarah querer se encolher. Ela já imaginava que Ji-eun não conseguiria perdoá-la e sabia que não merecia perdão, mas ouvir isso da boca dela era muito mais doloroso.
— Entendo… mas quero que saiba que sinto muito. Gostaria de fazer algo para compensar, se for possível. — Sarah se mostrou disposta a reparar o que fez.
— Se for possível, fique longe. Você pode ficar por enquanto, em consideração a Ivan. — Sem dizer mais nenhuma palavra, Ji-eun se virou e saiu da sala, deixando Sarah sozinha.
Assim que os passos de Ji-eun se tornaram distantes, Sarah bebeu um gole do chá que segurava, mas o sabor era amargo. O gosto amargo da culpa, do remorso. Ela colocou a xícara de volta sobre a mesinha à sua frente e enterrou a cabeça nas mãos. Sua cabeça ainda doía um pouco. As memórias do que sofreu na Hydra, antes de Tony salvá-la, e agora com Pavlova, inundavam sua mente. Parecia que sempre que algo em sua vida começava a dar certo, algo dava errado.
— Não devia ser tão cruel consigo mesma. — A voz familiar de Ivan soou ao seu lado. Quando Sarah olhou para ele, Ivan já estava sentado no sofá ao lado dela. Ela estava tão imersa em seus pensamentos que nem percebeu sua presença.
— E você não deveria ser tão gentil com quem não merece.
— E quem disse que você não merece?
— Ninguém. Ninguém precisa dizer. É óbvio que não mereço, não depois de tudo que fiz.
— Não foi sua culpa, Sarah.
— Isso não alivia muita coisa. Ainda carrego o fardo da culpa. — Sarah encarou o chão.
Ivan ficou em silêncio. Ele queria ter palavras para rebater o que ela dizia, mas nada vinha à sua mente. Sabia o quanto ela se culpava — muito mais do que devia.
— Sinto muito pelo que tentei fazer com Ji-eun e sua filha. — Sarah olhou para ele enquanto falava, o arrependimento e a culpa visíveis em seu olhar.
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𝐃𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐲 | 𝐒𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐑𝐨𝐠𝐞𝐫𝐬
DiversosA vida de Sarah foi uma batalha constante desde a infância, marcada por perdas, solidão e a necessidade de se adaptar para sobreviver em um mundo que nunca lhe deu trégua. Quando foi adotada por Tony Stark, ela encontrou pela primeira vez um lar de...
