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Tony Stark estava trancado em seu laboratório, imerso em trabalho como raramente se permitia estar. Luzes azuis e brancas piscavam em intervalos irregulares, criando sombras dançantes nas paredes de vidro do espaço altamente tecnológico. Do lado de fora, a chuva começava a bater contra as janelas, mas ele mal notava.

No centro da mesa principal, um dispositivo estava tomando forma. Pequeno, com bordas arredondadas e uma carcaça prateada, ele parecia simples, mas era extraordinário. Este não era apenas um rastreador; era um projeto experimental que usava tecnologias térmicas e bioquímicas avançadas, algo que Tony havia começado a desenvolver, mas nunca testara em campo.

— F.R.I.D.A.Y., atualize os cálculos de dispersão. Qual é a margem de erro agora? — perguntou ele, ajustando manualmente um pequeno circuito interno.

— Senhor, a margem foi reduzida para 18%, mas ainda não está dentro do limite aceitável para aplicação em campo. — respondeu a inteligência artificial.

— Não está aceitável para quem? Para você ou para mim? Porque eu aceito 18%.

Tony suspirou, afastando-se um pouco da mesa e esfregando o rosto com as mãos. Ele estava exausto, mas desistir não era uma opção. Sarah precisava dele, e ele sabia que ela não podia esperar. A imagem dela, assustada e vulnerável, estava gravada em sua mente, pressionando-o a continuar.

Caminhando até uma prateleira lateral, ele pegou seu telefone e começou a deslizar por fotos antigas. Ali estavam memórias de Sarah em vários momentos da vida deles: o primeiro Natal na mansão, quando ela abriu um presente enorme que ele havia embrulhado pessoalmente; um dia ensolarado na praia em Malibu, onde ela brincava com Pepper. Uma risada escapou de seus lábios ao ver uma foto dela adolescente, usando uma de suas armaduras como fantasia de Halloween.

Ele começou a enviar essas fotos para o dispositivo holográfico próximo, projetando-as no ar. Um sorriso melancólico se formou enquanto ele observava.

E então, as memórias o atingiram.

Tony piscou e foi transportado anos atrás, para um cenário muito diferente. Ele estava em uma instalação da Hydra, correndo por um corredor em colapso. A estrutura estava sendo destruída pelos próprios homens da organização, que preferiam deixar tudo em ruínas a permitir que caísse em mãos dos Vingadores. As explosões ecoavam como trovões, e cada passo que Tony dava parecia acompanhado por uma nova nuvem de fumaça e faíscas.

— Jarvis, rastreie sinais de vida! — ele gritou dentro do capacete, a voz abafada pelas camadas de metal.

— Há um sinal fraco a 20 metros à frente, senhor. É de uma criança.

Tony aumentou a velocidade, seus propulsores zunindo enquanto ele desviava de destroços caindo. Quando finalmente chegou ao local indicado, encontrou uma pequena sala parcialmente destruída, com vigas de metal penduradas perigosamente no teto. No canto mais distante, uma menina estava encolhida, as mãos cobrindo a cabeça e os olhos arregalados de puro terror.

Ela não deveria estar viva. Havia marcas de ferimentos pelo corpo, os cabelos grudados no rosto pelo suor e poeira, e os lábios rachados. Sua respiração era irregular, um som quase inaudível em meio ao caos.

Tony parou por um momento, sentindo o peso da situação. Não era comum ele resgatar crianças; não fazia parte do seu treinamento nem de sua rotina. Ele era um herói para o público, mas não era um Capitão América, alguém acostumado a lidar com momentos tão pessoais.

— Ei, garotinha. — disse ele com a voz mais gentil que conseguiu. — Você vai ficar bem.

Ela olhou para ele, hesitante, e parecia não entender. Tony ajoelhou-se, a armadura fazendo um som metálico contra o chão. Ele estendeu a mão, mas ela não se mexeu.

𝐃𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐲 | 𝐒𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐑𝐨𝐠𝐞𝐫𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora