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A sala parecia escura. Cada segundo que passava, a escuridão parecia se intensificar, engolindo qualquer esperança de luz. O espaço apertado e úmido era sufocante, as paredes de concreto manchadas de musgo e descaso. A lâmpada pendurada no teto piscava de vez em quando, lançando sombras inquietantes que dançavam pelas paredes, tornando o ambiente ainda mais opressor. Sarah não fazia ideia de quantas horas ou dias haviam se passado desde que Pavlova a trouxe para aquele lugar.

Ela estava sentada no chão, as costas apoiadas contra a parede gelada. Seu corpo estava fraco, sentindo fome e sede. Suas roupas estavam imundas, manchadas de sujeira e suor. Pavlova havia oferecido um banho, mas ela se recusara, preferindo manter sua dignidade, mesmo que isso significasse estar desconfortável. Seu cabelo estava desgrenhado, e o frio constante fazia sua pele arrepiar.

Mas, apesar do estado físico debilitado, sua mente estava em constante turbilhão. A imagem de Bucky se transformando novamente no Soldado Invernal não saía de sua cabeça. Ela sentia um misto de emoções: uma raiva silenciosa pela dor que ele causara aos seus pais, um sentimento de traição pela forma como ele cedeu, mas, ao mesmo tempo, uma compreensão profunda de que ele não tinha escolha. E, acima de tudo, ela se preocupava com ele.

"Ele fez isso por mim" ela pensava, tentando encontrar sentido no que havia acontecido. Mas o peso da situação e a incerteza sobre o futuro a sufocavam.

De repente, o som da pesada porta de metal sendo destrancada ecoou pela sala, cortando o silêncio sufocante. A grande porta se abriu com um rangido alto, e Pavlova entrou, carregando uma bandeja na mão. Ela era alta, com um semblante cruel e olhos que brilhavam com malícia.

Sarah endireitou-se no chão, observando-a com olhos semicerrados. Pavlova caminhou até ela, parando a alguns passos de distância antes de jogar a bandeja no chão de qualquer jeito. O sanduíche que estava sobre a bandeja caiu, se despedaçando levemente no impacto.

— Aí está. — Pavlova falou com um tom carregado de desdém. — Isso é tudo o que você vai comer hoje.

Sarah olhou para o sanduíche, seu estômago roncando involuntariamente. Mas, quando o pegou e aproximou do nariz, sentiu o cheiro. Era presunto, mas estava estragado. O odor ácido e podre fez seu nariz enrugar, e ela afastou o alimento.

— Isso está podre! — Ela disse, sua voz carregada de raiva e repulsa. — Eu não vou comer isso.

— Então morra de fome. Você não vai receber mais nada. — Pavlova riu, uma risada fria e debochada.

Sarah jogou o sanduíche de volta na bandeja e olhou para Pavlova com olhos que transbordavam ódio.

— Onde está Bucky? O que você fez com ele?

Pavlova inclinou-se ligeiramente, com um sorriso cruel nos lábios.

— Ah, ele está ocupado. Muito ocupado sendo exatamente o que deveria ser: uma máquina, obediente e mortal.

As palavras dela eram como facas cortando o coração de Sarah.

— Ele é mais do que isso. — Sarah murmurou, a voz fraca, mas carregada de convicção. — Você não entende nada sobre ele.

Pavlova riu novamente, endireitando-se.

— Entendo mais do que você imagina, garota. Ele agora é nosso. E se você acha que pode salvá-lo, sinto muito por sua ingenuidade.

Ela deu meia-volta, caminhando em direção à porta, enquanto Sarah permanecia no chão, tentando processar aquelas palavras. Antes de sair, Pavlova lançou mais uma frase, quase como um golpe final:

— Aproveite sua estadia. Ela pode ser curta... ou longa demais para o seu gosto.

A porta se fechou novamente com um estrondo, deixando Sarah sozinha na escuridão fria. Mesmo com o estômago vazio e o corpo enfraquecido, sua preocupação com Bucky era maior do que qualquer fome ou dor que pudesse sentir.

𝐃𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐲 | 𝐒𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐑𝐨𝐠𝐞𝐫𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora