Ainda atordoada, Sarah se virou lentamente para Bucky, a esperança se esvaindo de seu olhar. Ela buscou em seus olhos algum indício de que Pavlova estava mentindo, que tudo aquilo era apenas uma jogada cruel, mas encontrou apenas a dor e o arrependimento estampados no rosto dele.
— Bucky… — ela começou, a voz mal conseguindo escapar de seus lábios. — É verdade? Diga que não é verdade. Diga que Pavlova está mentindo!
Ela se aproximou dele, e Pavlova permitiu enquanto apreciava a cena. O desespero transparecendo em cada palavra. Sarah queria acreditar que tudo não passava de uma mentira cruel de Pavlova. Mas enquanto olhava nos olhos dele, a verdade cruel e pesada da realidade parecia esmagá-la.
Bucky respirou fundo, a culpa o consumindo. Ele sabia que as palavras que ele estava prestes a pronunciar iriam feri-la ainda mais, mas não havia como voltar atrás.
— Sinto muito, Sarah — ele disse, a voz embargada. — Lamento muito pelo que aconteceu.
O desespero se transformou em uma dor profunda, como se seu coração estivesse sendo esmagado sob o peso de suas palavras. Ela não queria acreditar no que estava ouvindo, mas a sinceridade no olhar de Bucky a forçou a enfrentar a verdade.
— Você… você não podia ter feito isso. Não podia ter me deixado — ela murmurou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Você sabia que eu estava sofrendo…
Bucky se debateu em sua própria dor, incapaz de responder. As memórias de suas ações como Soldado Invernal inundaram sua mente, uma onda de arrependimento consumindo-o.
— Não era eu… — ele tentou explicar, mas as palavras pareciam vazias. — Eu não era eu. A Hydra me controlava… não sou mais aquele homem.
Mas mesmo enquanto ele falava, Sarah sentia que a distância entre eles aumentava. As revelações estavam destrinchando o que haviam construído, e o abismo entre eles se tornava insuperável.
— Mas você estava lá — ela disse, a voz quase um sussurro. — Você estava lá e não fez nada para me salvar.
Bucky não tinha resposta. O silêncio entre eles se estendeu, pesado e opressivo, enquanto Sarah se afastava lentamente, o olhar vazio e perdido, como se tivesse sido arrancada de um sonho e jogada de volta à dura realidade. A dor nos olhos de Bucky era um reflexo da devastação que agora dominava seu coração, e ambos sabiam que nada poderia consertar o que havia sido quebrado.
Zemo observava tudo junto com Pavlova. O sorriso no rosto dele era malicioso, como se estivesse aproveitando cada momento de dor e desespero que cercava seus prisioneiros. Quando finalmente se aproximou, sua presença se impôs, e ele interrompeu a conversa com um tom de deboche.
— Então, Bucky — começou Zemo, com um sorriso satisfeito —, o que você acha de voltar a ser o homem que já foi? O Soldado Invernal. A máquina de matar imbatível.
Os olhos de Bucky se arregalaram em um misto de choque e raiva, e ele rapidamente se virou para encarar Zemo, seu olhar cheio de desprezo.
— Nunca mais — respondeu Bucky, a voz tensa e cheia de emoção.
Sarah também se sentiu abalada pela sugestão. Ela conhecia o passado de Bucky, as coisas horríveis que ele havia feito sob controle e manipulação. O simples pensamento de ele voltar a ser aquela pessoa a apavorava.
— Você não pode estar falando sério! — ela disse, sua voz tremendo de indignação.
Mas antes que pudesse continuar, Pavlova se aproximou e a puxou para longe de Bucky, afastando-a com uma força brusca.
— Não se envolva, Sarah — ele a advertiu, seu olhar ameaçador e controlador.
Zemo, percebendo a tensão crescente, não perdeu a oportunidade e começou a revirar os bolsos de sua jaqueta, retirando um pequeno livrinho vermelho.
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𝐃𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐲 | 𝐒𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐑𝐨𝐠𝐞𝐫𝐬
De TodoA vida de Sarah foi uma batalha constante desde a infância, marcada por perdas, solidão e a necessidade de se adaptar para sobreviver em um mundo que nunca lhe deu trégua. Quando foi adotada por Tony Stark, ela encontrou pela primeira vez um lar de...
