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A Margem da Escolha

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O encontro com Michaela deixou Phillip intrigado. Havia algo nela, uma intensidade disfarçada sob o sorriso confiante, que o deixou em alerta. Enquanto preparava a bebida que ela havia pedido, não pôde deixar de sentir que aquele encontro não era casual.

"Aqui está sua bebida."

Michaela pegou o copo com um sorriso calmo, mas seus olhos nunca deixaram os de Phillip. Era como se ela estivesse estudando-o, avaliando suas reações. Ele sentiu um leve desconforto, mas disfarçou, tentando manter o profissionalismo.

"Você parece alguém que está buscando algo além disso aqui. Ou estou errada?"

"E o que te faz pensar isso?"

Michaela deu um gole na bebida, deixando um breve silêncio pairar entre eles antes de responder.

"Instinto. Vejo muitos caras por aí que trabalham em bares, tentando se encontrar ou, pelo menos, fugir de algo. E você... tem esse olhar. Como se soubesse que isso aqui é só temporário."

Phillip riu, um pouco nervoso, mas curioso para saber onde aquela conversa levaria.

"Talvez. Mas todo mundo precisa de um começo, não?"

"Sim, claro. Mas e se eu te dissesse que existe um caminho mais rápido? Algo que te daria mais dinheiro e, talvez, até mais liberdade?"

Phillip franziu o cenho. Ele já havia ouvido promessas assim antes, normalmente vazias ou carregadas de intenções questionáveis. Ele cruzou os braços, olhando-a mais de perto.

"E o que você está sugerindo?"

Michaela pousou o copo e o olhou de forma séria, como se estivesse prestes a compartilhar um segredo.

"Eu sou dona de uma agência. Um negócio exclusivo. A maioria das pessoas nem sabe que existe, mas atende uma clientela bem seletiva. E estou sempre à procura de pessoas como você."

Phillip inclinou a cabeça, curioso.

"Pessoas como eu? Que tipo de agência é essa?"

Michaela sorriu levemente, mas sua expressão permanecia calma e controlada.

"Uma agência de acompanhantes. Mas não qualquer tipo de acompanhantes. Meus clientes são pessoas com poder e dinheiro, e eles pagam muito bem por companhia de qualidade. Você tem o perfil que eu procuro — jovem, atraente, inteligente. Alguém que pode se destacar."

As palavras de Michaela pairaram no ar por alguns instantes, e Phillip ficou em silêncio, absorvendo o que ela acabara de dizer. A ideia o pegou de surpresa, e ele sentiu uma mistura de descrença e desconforto.

"Você está dizendo que quer que eu trabalhe como... garoto de programa?"

Michaela sorriu, mas sua resposta foi direta.

"Eu prefiro chamar de acompanhante. E sim, é exatamente isso que estou dizendo. Mas antes que você descarte a ideia, deixe-me te explicar algo: a maioria dos meus clientes busca companhia e discrição. Eles querem alguém para estar com eles em eventos, jantares, ou até mesmo para uma boa conversa. Sexo? É o que mais vão querer. O ponto é que você pode ganhar muito mais do que lavando pratos e servindo bebidas, e com muito menos esforço."

Phillip ficou paralisado, suas emoções conflitantes. De um lado, a oferta parecia atraente, especialmente em termos financeiros. Ele estava tentando escapar da sombra do pai e criar uma vida própria, e o dinheiro certamente seria útil. Por outro lado, havia algo moralmente complexo naquela proposta. Seria essa a solução que ele procurava, ou apenas mais um caminho que o levaria a complicações ainda maiores?

"Eu não sei... Isso não parece o tipo de coisa que eu imaginava para mim."

Michaela levantou as mãos, um gesto de compreensão.

"Não estou pedindo que você tome uma decisão agora. Só quero que pense. Você tem meu contato, e a oferta estará de pé por um tempo. E, acredite, eu pago bem. Muito bem."

Ela se levantou, deixando algumas notas sobre o balcão para cobrir a bebida e um cartão para contato. Antes de sair, ela lançou um último olhar para Phillip, como se já soubesse que, eventualmente, ele consideraria sua proposta.

"Pense nisso, Phillip. Você pode estar mais perto da liberdade do que imagina."

Com isso, ela saiu do pub, deixando Phillip parado, ainda processando a conversa.


De volta ao apartamento, Phillip encontrou Miles jogado no sofá, assistindo a um programa qualquer na televisão. Phillip passou direto para a cozinha, pegando uma cerveja, e se sentou ao lado do amigo, visivelmente inquieto.

Miles notou a tensão no rosto de Phillip e franziu o cenho.

"O que foi? Dia difícil no trabalho?"

Phillip hesitou por um momento, sem saber se deveria compartilhar o que havia acontecido com Michaela. Mas, no fundo, ele sabia que precisava conversar com alguém sobre isso.

"Algo estranho aconteceu hoje. Uma mulher apareceu no pub, Michaela. Ela me ofereceu um trabalho... um tipo de trabalho diferente."

Miles ergueu uma sobrancelha, curioso.

"Diferente como?"

Phillip tomou um gole de cerveja antes de continuar.

"Ela tem uma agência de acompanhantes. E me quer como um dos... caras dela. Ela disse que paga bem, e que eu poderia ganhar muito mais do que estou ganhando no pub."

Miles piscou, surpreso, e por um momento, ficou em silêncio antes de dar uma gargalhada.

"Espera, você? Garoto de programa? Cara, isso é meio louco."

Phillip deu um sorriso forçado, sem saber exatamente como se sentir.

"Eu sei, e no começo eu ri também. Mas, pensando bem... o dinheiro seria bom. E é uma forma de sair do pub mais rápido."

Miles parou de rir e observou Phillip com mais seriedade.

"Tá falando sério? Você tá considerando isso?"

Phillip suspirou, passando a mão pelos cabelos.

"Eu não sei. É tentador. Eu estou tentando sair da sombra do meu pai, mas isso parece... arriscado, entende? Não sei se é o tipo de vida que quero, mas ao mesmo tempo, estou cansado de lutar para me manter à tona."

Miles assentiu, compreensivo.

"Eu entendo. Mas você precisa pensar muito bem sobre isso, cara. Não é só o dinheiro. Esse tipo de coisa pode mexer com sua cabeça, te levar a lugares que você nem imagina."

Phillip sabia que Miles estava certo. Não era uma decisão que podia ser tomada de ânimo leve. A oferta de Michaela parecia fácil, quase boa demais para ser verdade. Mas, no fundo, ele sabia que não existiam atalhos sem consequências.

"Olha, seja o que for que você decidir, só saiba que estou aqui pra te apoiar. Só não faça nada por impulso, ok? Dá um tempo pra processar isso."

Phillip assentiu, apreciando a preocupação do amigo.

"Eu vou pensar. Preciso pensar."

Enquanto a noite avançava, Phillip se jogou no sofá, mas o sono foi difícil de alcançar. A proposta de Michaela ecoava em sua mente, entrelaçada com o desejo de provar a si mesmo e a necessidade de independência.

No fundo, ele sabia que sua decisão mudaria o curso de sua vida, para o bem ou para o mal.

My Salvation - Philoise Histórias para pegar e não largar. Descubra agora