Do outro lado da mesa, Eloise não conseguia tirar os olhos do rapaz enquanto ele servia-se também. Era difícil de acreditar que aquele homem tão gentil e atencioso ainda fosse o mesmo que a levara ao êxtase minutos atrás.
“Você cozinha muito bem para um... garoto de programa”, ela disse, rindo.
Phillip ergueu as sobrancelhas e deu uma risada baixa, sem parecer ofendido.
“Obrigado. Acho que cozinhar é uma habilidade que se adquire para sobreviver.”
“E você tem muito mais habilidades do que eu esperava...” Eloise sentiu-se corar novamente, desviando o olhar para o prato.
Ele inclinou-se levemente sobre a mesa, parecendo mais interessado no que ela tinha a dizer do que na comida.
“Eu poderia dizer o mesmo de você.”
Eloise engoliu em seco, tentando entender o que estava sentindo. Algo no dourado a fazia querer mais do que apenas aquelas quatro horas. Havia uma gentileza e uma conexão que ela não havia previsto. E, no fundo, não sabia se estava pronta para deixar isso para trás quando o tempo acabasse.
“Você... faz isso com muitas mulheres?” perguntou de repente, a voz mais baixa do que esperava.
Phillip pareceu surpreso pela pergunta, mas respondeu com sinceridade.
“Depende. Não sou exatamente um novato, mas também não faço isso com tanta frequência quanto você pensa. Na verdade, só aceitei o trabalho porque... precisava de uma mudança.”
“Uma mudança?” Eloise inclinou a cabeça, curiosa.
“Sim. Algo que me tirasse da rotina.” Phillip olhou para o prato, pensativo. “E você? Por que me chamou?”
A pergunta a pegou desprevenida. Eloise não sabia como explicar o impulso de mudar sua vida, de experimentar algo novo, de se livrar das memórias de Theo e do que seu casamento havia sido. Ela hesitou, mas decidiu que a honestidade era o caminho.
“Eu acho... que só queria algo para mim. Algo que me fizesse sentir viva de novo.”
Phillip assentiu, como se compreendesse completamente.
“Então, espero ter ajudado com isso.”
“Mais do que você imagina.”
Depois de mas algumas conversas Phillip tinha que ir embora. Eles se despediram com um rápido selinho e então partiu rumo seu destino.
Phillip sentiu o vento cortante bater em seu rosto enquanto acelerava sua moto pela estrada quase deserta. A madrugada já havia caído há algumas horas, e ele ainda podia sentir a adrenalina do último encontro pulsando em suas veias. As ruas escuras da cidade refletiam o brilho da luz dos postes sobre o asfalto molhado pela chuva recente, e o som do motor da moto ecoava entre os prédios.
Ele tentou afastar os pensamentos sobre a mulher com quem estivera. Ela era diferente de todas as outras. Viúva, jovem demais para carregar um luto tão pesado. Algo naquela noite o havia tocado de uma forma inesperada, mas ele sabia que não poderia se apegar a isso. Este era seu trabalho, e Michaela sempre o lembrava disso.
Quando finalmente chegou à empresa, estacionou a moto na vaga habitual e tirou o capacete, sacudindo os cabelos desgrenhados. Michaela estava na porta esperando por ele, com um sorriso malicioso estampado no rosto. Phillip suspirou, já prevendo que aquela conversa seria longa e, possivelmente, cheia de provocações.
"Demorou, hein?" disse Michaela, cruzando os braços e encostando-se na porta. "Estava começando a achar que você tinha se apaixonado."
Phillip riu, tirando a jaqueta de couro e caminhando na direção dela.
"Muito engraçada. Eu cheguei no local e só aí fui ver as coordenadas. Quatro horas. Quatro horas, Michaela! Você acha que é assim tão simples?"
Ela gargalhou, claramente se divertindo com a frustração dele.
"Você conseguiu matar as quatro horas? O que fez? Contou estrelas? Pescou algum peixe imaginário?"
Phillip balançou a cabeça, mas estava sorrindo.
"Pelo contrário, eu fiz ela contar estrelas. Fiz uma comida rápida pra gente comer enquanto conversávamos depois de horas incessantes. Ela tava faminta. Acho que no fundo, só queria uma companhia. E não me olha assim! A mulher é uma viúva, ela é bem nova para isso. Não sei como você consegue mandar alguém como eu para casos assim."
Michaela abriu a porta para ele e o seguiu até a sala principal, onde se sentaram no sofá luxuoso do escritório. Phillip, ainda inquieto, começou a relatar os detalhes da noite, enquanto Michaela pegava uma garrafa de vinho e servia duas taças.
"Viúva, é? Jovem demais pra isso, pelo que você disse." Ela ergueu uma sobrancelha. "E, claro, você, o cavaleiro de armadura reluzente, fez da sua missão salvá-la da solidão."
Phillip deu um gole na taça de vinho e relaxou no sofá.
"Ah, ela foi uma companhia ótima. Tinha uma tristeza nos olhos, mas pareceu se divertir bem, além de ter demonstrado uma curiosidade, uma vontade de entender quem eu era. Claro, eu não contei nada além do necessário."
Michaela olhou para ele, fingindo surpresa.
"Não me diga que você finalmente aprendeu a guardar segredos. A propósito, ela quis saber seu nome?"
"Sim, quis. Mas eu não contei. Lembrei da sua regra. As novas clientes não podem saber nada sobre mim, só o necessário."
Ela bateu palmas de forma exagerada.
"Olha só, Phillip, você está ficando bom nisso. As novas clientes não precisam saber do seu nome. O mistério é parte do jogo. Se quiserem saber mais, elas têm que passar por mim. É por isso que você é tão bem pago."
"Eu sei, eu sei. Mas, com ela... foi diferente." Phillip olhou para o fundo da taça de vinho, pensativo. "É estranho, Michaela. Eu já fiz isso antes, várias vezes, mas nunca foi assim."
Michaela inclinou-se para frente, interessada.
"Diferente como?"
"Não foi só o lado carnal da coisa" Phillip parecia estar escolhendo as palavras com cuidado. "Tinha algo mais. Conversamos sobre a vida dela, um pouco sobre o marido. Eu acho que em vida ele não dava conta do recado.
Michaela deu uma risada curta.
"Ah, uma nova função para você, tomar o lugar na cama de falecidos que mesmo em vida eram incapazes de manter uma boa foda. Está no pacote?" disse, rindo de sua própria piada.
Phillip revirou os olhos.
"Engraçadinha. Mas não foi isso. Ela só... me fez pensar, sabe?"
"Hum, pensar não faz parte do serviço, querido." Ela brincou, mas ficou séria em seguida. "Mas eu entendo o que você quer dizer. Às vezes, as pessoas precisam de algo que vai além do físico. Isso acontece. Mas não se esqueça de quem você é e o que você faz. Ela é uma cliente, Phillip. Apenas isso."
"Eu sei." Phillip se levantou, sentindo a tensão nas pernas. "Eu sei muito bem."
Michaela se levantou também e caminhou até ele, colocando uma mão em seu ombro.
"Você fez um bom trabalho hoje. Eu sabia que seria uma situação delicada, mas confiei em você. Agora, descanse. Tenho certeza de que a próxima será mais simples... ou talvez não." Ela riu.
Phillip sorriu de volta, mas seu olhar ainda estava distante. Mesmo com toda a experiência, aquela noite havia deixado uma marca. Algo havia mudado, e ele não sabia exatamente o que era.
Enquanto Michaela se afastava, Phillip olhou para fora, observando a cidade através das janelas enormes do escritório. Ele se perguntava o que viria a seguir e como seria lidar com essas novas sensações que começavam a surgir.
Mas por agora, ele estava onde precisava estar. Ao menos por enquanto.
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My Salvation - Philoise
FanfictionQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
