Uma semana havia se passado desde o encontro com a misteriosa Sharpe, e Phillip não conseguia tirá-la da cabeça. O trabalho, que costumava ser um alívio mecânico e sem envolvimento emocional, agora parecia diferente. Ele se pegava pensando nela nos momentos mais inoportunos. A maneira como a pele dela era macia ao toque, o corpo definido que ela exibia com naturalidade, os olhos tão profundamente azuis que pareciam capturá-lo. Até as pequenas cicatrizes quase imperceptíveis que ele notou durante a noite vinham à tona em sua mente, como se fossem marcas de uma história que ele queria desvendar.
E, naquele momento, com outra cliente, ele se sentia distante. Seus pensamentos não estavam ali, nem no corpo da mulher com quem ele estava. Estava de volta àquela noite com Sharpe, revivendo cada toque, cada suspiro, cada detalhe daquela experiência única. A mulher sob ele tentava chamar sua atenção, mas Phillip simplesmente não conseguia se concentrar.
"Você está me ouvindo?" a cliente perguntou, com um tom irritado na voz.
Phillip piscou, voltando à realidade, mas era tarde demais. Ela sentiu a distração. Seus movimentos, outrora precisos e cativantes, agora eram vazios, quase automáticos.
"Sabe, eu esperava mais de você," a mulher disse, se levantando da cama, a frustração clara em suas palavras. "Você não está nem aqui de verdade, está? Parece que sua mente está em outro lugar."
Phillip tentou responder, mas as palavras não saíam. Ela estava certa. Sua mente não estava ali.
"Acho melhor você ir," a mulher acrescentou de forma seca. "Vou resolver isso com Michaela. Pode ter certeza de que ela vai saber que você não fez jus à sua fama hoje."
Ela o dispensou, um pouco amarga, talvez mais por orgulho do que qualquer outra coisa. Phillip se vestiu em silêncio, aceitando que, naquele momento, ele não havia correspondido às expectativas. Mas, em vez de tentar explicar ou justificar o que aconteceu, ele simplesmente saiu. Sabia que Michaela iria ouvir tudo de qualquer forma, então não havia necessidade de contar primeiro.
No caminho de volta para casa, Phillip refletia sobre como sua mente havia sido dominada por Sharpe. Ele não podia deixá-la escapar de seus pensamentos, por mais que tentasse. "Isso nunca aconteceu antes," pensou ele, perturbado com a própria falta de controle sobre sua mente e emoções.
No dia seguinte, seu telefone vibrou, tirando-o de seus pensamentos. Era uma mensagem de Colin Bridgerton, um amigo que Phillip conhecia há alguns meses, moravam no mesmo prédio e Colin foi de grande ajuda quando sua mãe faleceu, igualmente seu irmão, Anthony.
"Hey, Phillip! Vamos almoçar hoje? Queria que você conhecesse minha esposa. Venha aqui em casa por volta das 13h."
Phillip aceitou o convite, curioso para conhecer a esposa de Colin. Ele gostava de Colin, que sempre fora uma boa companhia, e sair um pouco para um ambiente mais leve parecia uma boa ideia.
Ao chegar à casa de Colin, Phillip foi recebido calorosamente.
"Phillip, que bom que veio!" Colin disse, sorrindo ao abrir a porta.
"Claro, Colin, não poderia recusar," Phillip respondeu, com um sorriso discreto. "E estou curioso para conhecer sua esposa."
"Você vai gostar da Penélope. Ela é... incrível," Colin comentou, seus olhos brilhando de orgulho.
Eles caminharam até a sala de jantar, onde uma mulher de cabelos ruivos e um sorriso gentil estava arrumando a mesa.
"Penélope, este é o Phillip, de quem eu tanto falei," Colin apresentou.
Penélope olhou para ele com um sorriso caloroso. "Finalmente nos conhecemos! Colin sempre fala muito bem de você."
"O prazer é todo meu, Penélope," Phillip respondeu, sentindo-se à vontade no ambiente acolhedor.
Durante o almoço, a conversa fluiu de forma natural. Colin e Penélope contaram histórias engraçadas de como se conheceram e falaram sobre a vida familiar. Phillip gostava do ambiente leve e da energia positiva que emanava do casal.
No meio da refeição, Penélope mencionou algo que despertou o interesse de Phillip.
"Ah, e a irmã de Colin, Eloise, não pôde vir hoje. Ela tinha algumas pendências a resolver, mas tenho certeza de que vocês vão se dar bem quando se conhecerem," ela disse, casualmente.
Colin assentiu. "Sim, minha irmã Eloise é um tanto ocupada, mas vai ter outras oportunidades. Ela é ótima, tenho certeza de que você vai gostar dela."
Phillip sorriu, curioso, mas não fez mais perguntas. O nome de Eloise não lhe era estranho, talvez fosse porque os Bridgertons são bem vistos, mas naquele momento, ele preferiu manter o foco na conversa leve e agradável.
Após o almoço, Penélope e Colin se despediram de Phillip com sorrisos calorosos e prometeram marcar outro encontro em breve.
"Foi ótimo te conhecer, Phillip. Da próxima vez, quem sabe Eloise também possa vir," Penélope disse com um sorriso.
"Com certeza," Phillip respondeu. "Foi um prazer."
Enquanto caminhava para casa, Phillip não conseguia deixar de pensar que, apesar de todas as pessoas interessantes que conhecera, era Sharpe quem dominava seus pensamentos. O que ela havia feito com ele? Por que ele não conseguia tirá-la da cabeça?
Ele sabia que, em sua profissão, envolvimento emocional era algo que não poderia existir. Mas Sharpe... ela era diferente. E agora, mesmo conhecendo pessoas novas, como Penélope e ouvindo falar de Eloise, ele sabia que uma parte dele ainda ansiava pela misteriosa mulher com quem passou uma noite inesquecível.
No entanto, Phillip também sabia que, se continuasse a pensar em Sharpe, correria o risco de cruzar uma linha que não poderia ser desfeita.
VOCÊ ESTÁ LENDO
My Salvation - Philoise
FanfictionQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
