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Ecos do Silêncio

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Depois de tudo o que aconteceu, Eloise ficou parada por um tempo, encarando o teto do quarto. As lágrimas escorriam silenciosamente por seu rosto, mas ela sabia que chorar não mudaria nada. O peso do que Theo acabara de fazer era esmagador, mas ela não podia se dar ao luxo de ficar paralisada. Ele sairia em breve e ela teria que voltar a sua rotina habitual de cuidar da casa, como se nada tivesse acontecido. Era assim que sobreviviam: silêncio, obediência e medo.

Theo, com seu sorriso cruel de satisfação, finalmente saiu. Sem dizer para onde ia, ele apenas pegou as chaves e bateu a porta ao sair, deixando um vazio ainda maior dentro de Eloise. Ela respirou fundo, tentando estabilizar suas emoções. Sabia que tinha pouco tempo antes de precisar seguir adiante.

Arrastando-se até a cozinha, ela começou a preparar o almoço. Os movimentos eram automáticos, quase robóticos, enquanto ela cortava legumes e preparava a carne. Enquanto trabalhava, sua mente vagava para longe. Cada minuto que passava parecia uma eternidade, e, ao mesmo tempo, uma fuga temporária do que tinha acabado de acontecer.

Enquanto lavava a louça, a campainha soou de forma inesperada. Eloise franziu a testa, limpando as mãos no avental antes de ir até a porta. Quando abriu, encontrou uma figura familiar do outro lado.

Penélope estava parada ali, sorrindo, segurando uma bolsa grande. Seus olhos brilhavam de entusiasmo.

“Surpresa!”

Por um momento, Eloise ficou estática. Ver sua cunhada e melhor amiga à sua porta, depois de tanto tempo, trouxe uma mistura de alívio e medo. Theo odiava visitas inesperadas, especialmente de sua família. O controle que ele tinha sobre Eloise não permitia esses encontros, e ela sabia que Penélope perceberia rapidamente que algo estava errado.

Eloise tentou forçar um sorriso, mas não conseguiu evitar que sua expressão entregasse o cansaço e a dor.

“Penélope... o que você está fazendo aqui?”

Penélope entrou rapidamente, puxando Eloise para um abraço apertado, como se não notasse a hesitação inicial.

“Eu estou em Nova York a trabalho e pensei que seria a oportunidade perfeita para te ver! Faz tanto tempo, Eloise. Você nem foi para Londres na última vez, e Colin me disse que você recusou o convite do aniversário do Edmund. O que está acontecendo?”

Eloise tentou manter a compostura, mas a presença calorosa de Penélope a fez sentir um nó na garganta. Era reconfortante, mas também perigosamente próximo. Ela sabia que teria que ser cuidadosa com suas palavras.

“Ah, eu... estou com muito trabalho. As coisas estão complicadas na universidade, e eu não tenho conseguido tempo para viajar.”

Penélope ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços. Ela conhecia Eloise há tempo suficiente para saber quando ela estava mentindo ou omitindo algo. Observando sua amiga mais de perto, Penélope notou o semblante abatido, as olheiras que Eloise tentava disfarçar, e o leve tremor de suas mãos.

“Eloise... você parece exausta. Está tudo bem? Tem certeza que é só o trabalho?”

Eloise engoliu em seco, desviando o olhar enquanto fingia arrumar algumas coisas na cozinha.

“Sim, claro. É só isso. Estou apenas... sobrecarregada.”

Penélope não comprou a desculpa. Ela conhecia Eloise o suficiente para saber que havia algo mais. Aproximando-se, ela colocou uma mão suave no ombro da amiga.

“Eu sei que é difícil, mas se algo estiver errado, você pode me contar. Somos família, lembra? Colin está preocupado. Todos nós estamos. Faz tempo que você se distanciou.”

Eloise congelou por um momento. Queria tanto desabafar, contar tudo o que estava acontecendo com Theo, mas o medo de como ele reagiria se soubesse a impedia. Como sempre, ela sentia a necessidade de proteger todos, até mesmo Penélope, da verdade sombria que vivia diariamente.

“Está tudo bem, Pen. Sério. Theo e eu só estamos passando por uma fase difícil.”

Penélope franziu o cenho, não convencida. Ela conhecia Eloise desde sempre, e nunca a havia visto tão distante. E a menção de Theo a fez ficar ainda mais desconfiada. Penélope sempre teve um pé atrás com o comportamento de Theo, especialmente depois de algumas interações estranhas que teve com ele no passado.

“Você quase não fala de Theo. Vocês estão bem?”

Eloise forçou um sorriso, tentando dissipar as suspeitas.

“Sim, estamos bem. Ele tem estado ocupado, e eu também. É só isso.”

Penélope olhou em volta, percebendo a frieza do ambiente, e seu olhar voltou para Eloise. Não parecia o lar acolhedor que ela esperava. A vibração da casa estava tensa, e havia algo na postura de Eloise que não estava certo. Penélope sabia que não podia forçar sua cunhada a falar, mas algo dentro dela dizia que as coisas não eram o que pareciam.

“Eloise, se você precisar de ajuda, para qualquer coisa... sabe que pode contar comigo, certo? Sempre.”

Eloise sentiu as palavras de Penélope como um abraço invisível, mas também como uma lembrança dolorosa de que estava presa. Ela assentiu, sem conseguir encontrar as palavras certas para responder. Estava em um ciclo do qual não sabia como escapar.

Penélope suspirou, percebendo que não adiantaria pressionar mais.

“Certo. Vamos deixar isso para lá por enquanto. Que tal me mostrar o que você está cozinhando? Eu sinto falta de comer com você, como nos velhos tempos.”

Eloise concordou, grata pela mudança de assunto, mas enquanto continuava a preparar o almoço com Penélope, o medo persistente não a deixava. Sabia que Theo poderia voltar a qualquer momento, e ele odiava que ela tivesse contato com sua família sem sua aprovação.

As duas passaram a próxima hora conversando sobre coisas triviais, mas Penélope não deixou de notar os pequenos detalhes — a forma como Eloise parecia tensa, como se estivesse esperando algo ruim acontecer a qualquer momento, e como ela evitava falar sobre Theo diretamente.

Enquanto o relógio marcava o passar do tempo, Penélope não pôde deixar de se perguntar o que realmente estava acontecendo naquela casa, e o que Eloise estava escondendo de todos.

Antes de sair, Penélope se aproximou mais uma vez de Eloise, segurando suas mãos com firmeza.

“Por favor, Eloise... se algo estiver errado, você precisa me prometer que vai me procurar. Não importa o que seja.”

Eloise sorriu, um sorriso pequeno e dolorido, mas não respondeu. Penélope a abraçou forte antes de se despedir, prometendo voltar para uma nova visita em breve.

Assim que Penélope saiu, Eloise sentiu o peso da solidão retornar. Sabia que Theo não demoraria a voltar, e que qualquer suspeita levantada por Penélope poderia se transformar em outra explosão de raiva.

Ela se sentou à mesa da cozinha, as mãos tremendo enquanto segurava uma xícara de chá frio, e se perguntou se algum dia teria coragem de sair daquela vida.

My Salvation - Philoise Histórias para pegar e não largar. Descubra agora