Theo saiu do restaurante após a reunião com Willian, sentindo o peso da frustração crescendo dentro dele. As palavras do advogado ecoavam em sua cabeça. “Ela foi cuidadosa.” Claro que foi. Eloise sempre fora meticulosa, não deixava brechas. E aquilo o enfurecia ainda mais. Ele sabia que, por mais que usasse seu charme e jogasse seu papel de marido dedicado, Eloise não era estúpida. Ela havia mantido o controle financeiro nas próprias mãos desde o início. Isso fazia com que ele se sentisse impotente, algo que ele não tolerava.
Entrando no carro, Theo fechou os olhos por um momento, tentando acalmar a mente. Mas a raiva borbulhava sob a superfície. Se ele não conseguisse acesso aos bens dela, todo o esforço teria sido em vão. Todo o fingimento, todas as noites em que ele sufocava sua própria vontade de explodir só para manter a fachada perfeita. Ele precisava agir antes que Sophie conseguisse descobrir algo ou antes que Francesca, com seu olhar atento, percebesse as falhas no teatro.
Enquanto dirigia de volta para casa, sua mente voltou ao passado, ao momento em que sua possessividade sobre Eloise realmente tomou conta de sua vida.
Flashback
O casamento deles já havia passado da fase de lua de mel. Eloise ainda mantinha sua postura independente, insistindo em tomar decisões sozinha, recusando-se a abaixar a cabeça para ele. Theo sempre foi um homem de controle, e a atitude dela o irritava profundamente. Lembrava-se da primeira vez em que ela o desafiou na frente dos amigos dele. Eles estavam em uma festa, e Theo havia sugerido que Eloise pegasse mais drinks para ele e seus convidados. Algo simples, inofensivo, mas ela o encarou com aquela expressão determinada e fria, dizendo:
"Você tem pernas, Theo. Pegue você mesmo."
Os amigos riram, achando engraçada a resposta direta de Eloise. Mas, para Theo, aquilo foi uma humilhação. Naquele momento, ele percebeu que, se quisesse manter o controle, precisaria quebrar essa atitude dela. Foi ali que ele começou a plantar as sementes da dependência emocional.
As brigas aumentaram. Ele a fazia sentir-se culpada por qualquer pequena coisa, minava sua autoestima com comentários sutis. Quando ela estava vulnerável, ele a reconquistava com momentos de carinho forçado, criando um ciclo de abuso que a mantinha presa. Theo percebeu que, para que ela não percebesse o quanto estava sendo manipulada, ele precisava usar o amor dela contra ela mesma.
E funcionou. Com o tempo, Eloise começou a se submeter. Não de forma óbvia, mas ele notava. Ela já não o desafiava como antes, e isso lhe dava uma satisfação cruel.
Fim do flashback
Agora, com Francesca em casa, ele precisava manter o controle firme. Eloise estava agindo diferente, mais reservada, e Theo sabia que isso era um sinal de alerta. Se ela ousasse contar qualquer coisa à irmã ou à Sophie, tudo desmoronaria. A influência que ele tanto lutou para conseguir seria destruída, e ele voltaria a ser um ninguém.
Ao chegar em casa, Theo encontrou Francesca e Eloise na sala de estar, rindo de algo no telefone. A visão das duas juntas o encheu de um misto de raiva e desconforto. A presença de Francesca era uma ameaça, uma observadora inteligente demais para ser enganada facilmente.
"Oi, querido," Eloise disse, ao vê-lo entrar, sua voz cheia de um afeto forçado. "Estávamos falando meus pais. Mamãe mandou lembranças."
Ele forçou um sorriso e se aproximou das duas.
"Que ótimo," disse ele, passando o braço ao redor de Eloise. "E o que mais eles disseram?"
Francesca lançou um olhar suspeito para ele, mas manteve a expressão neutra.
"Nada demais," — respondeu ela. "Estão com saudades. Mamãe, como disse na última chamada, queria que Eloise visitasse Londres."
A menção de Eloise indo para Londres fez o estômago de Theo se revirar. Ele não podia permitir que ela fosse para lá. Não agora, não quando as suspeitas estavam crescendo. Mas ele precisava disfarçar o desconforto.
"A ideia não é ruim," — Theo disse, apertando levemente o ombro de Eloise. "Acho que uma visita poderia ser revigorante, não acha, meu amor?"
Eloise forçou um sorriso, mas ele percebeu que algo estava errado. Ela evitava contato visual, e a tensão em seus músculos estava evidente sob seu toque. Theo olhou para Francesca, que o encarava com uma expressão enigmática, como se estivesse tentando ler seus pensamentos.
Depois de alguns minutos de conversa forçada, Francesca anunciou que ia subir para o quarto. Assim que ela saiu, Theo soltou Eloise e se afastou, caminhando até a janela com as mãos nos bolsos.
"Você não me contou que estava falando com eles," ele disse, sem se virar para ela.
"Foi uma ligação rápida, Theo," Eloise respondeu, a voz baixa, como se já previsse a briga que viria.
Ele se virou, os olhos frios.
"Você sabe que não gosto de ser deixado de fora."
Eloise o encarou, a expressão cansada. Ele podia ver a exaustão em seus olhos, mas aquilo só o irritava ainda mais.
"Você estava ocupado. E não achei que fosse um problema."
Ele deu um passo à frente, e ela instintivamente recuou, embora tentasse manter a compostura.
"Tudo é um problema quando envolve sua família, Eloise," ele disse, a voz suave, mas perigosa. "Você sabe disso."
Ela não respondeu, apenas desviou o olhar. Theo sentiu uma onda de raiva subir pela garganta, mas se conteve. Francesca ainda estava na casa, e ele não podia arriscar levantar suspeitas.
"Lembre-se do que eu disse," ele murmurou, a voz quase um sussurro. "Eu estou de olho em tudo. E se algo acontecer... você vai se arrepender."
Eloise fechou os olhos por um momento, como se quisesse desaparecer daquele lugar. Mas quando os abriu novamente, a submissão habitual estava de volta, e ela simplesmente assentiu.
Theo sorriu, satisfeito.
Mais tarde naquela noite, Theo saiu para encontrar Jonas em um bar discreto da cidade. Ele precisava conversar com alguém em quem confiava sobre os próximos passos. Quando chegou, encontrou Jonas sentado em uma mesa de canto, com uma cerveja na mão.
"Como está o plano?" Jonas perguntou, quando Theo se sentou.
"Está em andamento, mas preciso acelerar as coisas. Willian está tentando, mas Eloise é mais inteligente do que eu esperava."
Jonas levantou uma sobrancelha.
"Você não pode simplesmente... dar um jeito nisso?"
Theo bufou, balançando a cabeça.
"Não é tão simples. A família dela está atenta, e Sophie Baek está com as antenas ligadas. Se eu fizer qualquer movimento brusco, posso perder tudo."
Jonas acenou com a cabeça, compreendendo. Theo tomou um gole de sua bebida e respirou fundo.
"Eu vou conseguir o que quero, Jonas. Nem que tenha que destruir Eloise no processo."
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My Salvation - Philoise
FanfictionQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
