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Entre a Vida e a Morte

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O sol de agosto entrava pelas janelas do apartamento de Phillip, iluminando o espaço de forma suave. Ele estava sentado no sofá, conversando com sua mãe, Emily, que o visitava. A relação entre os dois sempre fora boa, diferente da que Phillip tinha com seu pai, Thomas. Emily sempre foi o suporte emocional do filho, e, mesmo após a decepção de Thomas ao descobrir o trabalho de Phillip como acompanhante, ela mantinha-se próxima e disposta a entender as decisões dele.

“Sabe, Phillip,” disse Emily, sorrindo suavemente enquanto tomava um gole de chá, “Eu sei que você passou por coisas difíceis, mas estou orgulhosa de você, por ter seguido em frente.”

Phillip sorriu, sentindo uma pontada de alívio ao ouvir as palavras da mãe. Era exatamente isso que ele precisava ouvir, especialmente depois de todo o caos recente com o trabalho, as fofocas e a relação conturbada com o pai. Ele começou a contar a ela sobre os últimos acontecimentos de sua vida, sobre como estava cada vez mais conhecido no meio de Michaela e até sobre a briga no bar. Emily o escutava atentamente, até que, de repente, seu rosto começou a mudar de expressão. Ela levou a mão ao peito e seu corpo se inclinou para frente, como se sentisse uma dor profunda.

“Mãe? Mãe, você está bem?” Phillip perguntou, a voz subindo de tom com a preocupação crescente.

Emily tentou falar, mas a dor parecia ser muito intensa. Ela colocou a mão no peito novamente, agora com uma expressão de pânico. O coração de Phillip disparou ao ver a mãe nesse estado.

"Mãe, pelo amor de Deus!" gritou ele, desesperado, sem saber o que fazer.

Naquele momento, Emily começou a suar e seu rosto ficou pálido. Phillip sabia que não podia perder tempo. Sua mente entrou em modo de sobrevivência, e ele imediatamente correu para a porta. Ele precisava de ajuda, e rápido.

Enquanto atravessava o corredor, o desespero e o medo tomavam conta de seus pensamentos. Ele bateu na porta do vizinho, Colin Bridgerton, rezando para que estivesse em casa. Para sua sorte, Colin abriu a porta rapidamente, sua expressão mudando ao ver o estado desesperado de Phillip.

“Colin, por favor! Minha mãe está muito mal, acho que está tendo um infarto!” Phillip gritou, os olhos cheios de lágrimas.

Colin, sempre rápido nas decisões, não hesitou.

"Anthony está aqui!" Colin exclamou, já virando para chamar seu irmão mais velho.

Anthony Bridgerton, renomado cardiologista, estava visitando Colin naquele dia com sua esposa, Kate, e sua filha, Charlotte. Ao ouvir o chamado, Anthony saiu da sala, sua expressão séria ao perceber o que estava acontecendo.

“O que houve?” perguntou Anthony, pegando sua maleta médica. Ele sempre a carregava para todo lugar, pois poderia acabar precisando.

"Minha mãe, ela... está tendo um infarto, eu acho!" Phillip respondeu, sua voz entrecortada pelo pânico.

Anthony não perdeu tempo. Seguiu Phillip rapidamente até o apartamento, onde encontrou Emily caída no sofá, ainda consciente, mas visivelmente em um estado crítico. Ele se ajoelhou ao lado dela, checando os sinais vitais.

“Está tudo bem, senhora Crane, eu sou o doutor Anthony Bridgerton. Vou cuidar de você agora, mas precisamos levá-la ao hospital o mais rápido possível,” disse ele, com uma calma que trazia certo alívio ao ambiente.

Enquanto Anthony realizava os primeiros socorros, Kate chegou para ajudar com a filha segurando uma maleta com medicamentos. Colin ligou para a ambulância, e, dentro de minutos, o lugar estava tomado por socorristas. Phillip assistia a tudo, impotente, enquanto sua mãe era colocada na maca. Anthony olhou para ele, sério.

"Vamos ao hospital agora. Ela vai precisar de cuidados intensivos," disse o médico, sem rodeios.

Phillip mal conseguia pensar. Estava em choque, tentando processar a rapidez com que tudo havia acontecido. Ele e Colin seguiram Anthony até o hospital, onde Emily foi imediatamente encaminhada para a ala de emergência. Phillip estava inquieto na sala de espera, o coração apertado com a incerteza da situação.

“Me passe o número de seu pai, vou ligar para ele.” Colin disse, já discando o número de Thomas no celular então Phillip dizia.

Quando Thomas chegou ao hospital, o rosto carregado de preocupação rapidamente deu lugar a um olhar de raiva ao ver Phillip. Ele caminhou até o filho, sem esconder sua fúria.

“Isso é culpa sua!” Thomas rugiu, a voz ecoando pelo corredor.  “Se ela não tivesse vindo te visitar, isso nunca teria acontecido!”

Phillip, ainda abalado com a situação, tentou se controlar, mas as palavras do pai o atingiram como um soco.

“Pai, isso não tem nada a ver comigo! Eu não causei isso!”  Phillip respondeu, tentando manter a calma, mas era evidente que o confronto estava prestes a explodir.

Thomas avançou, sua raiva incontrolável.

“Você é um desgosto! Um garoto de programa, um homem sem honra! Olha o que você está fazendo com sua mãe!”

Colin entrou no meio da discussão, segurando Thomas antes que ele pudesse avançar mais.

"Chega, Sr.Crane!" Colin gritou, sua voz firme. "Isso não é culpa do Phillip.  Sra.Crane está no hospital e tudo o que você consegue pensar é em quem culpar? Seja um pai de verdade e fique ao lado da sua família."

Anthony se aproximou nesse momento, seu olhar severo.

“Senhor, acalme-se. Estamos todos aqui para cuidar de sua esposa. Agora não é hora para discussões.”

Thomas, ainda furioso, se afastou, bufando, mas sem mais argumentos. Phillip, no entanto, estava em pedaços. O que o pai havia dito o machucara profundamente, e ele se culpava por tudo que estava acontecendo.

"Ei cara." Colin se aproximou "Eu vi em uma revista sobre o seu trabalho."

Phillip apenas suspirou, cansado.

"Você também vai pensar que sou um homem sem valor?"

Colin tocou seu ombro, passando um conforto que Phillip precisava.

"Phillip eu não tenho poder para julgar ninguém. Trabalho é trabalho, apenas isso."

Phillip murmurou um agradecimento e respirou profundamente.

"E além disso," continuou Colin "Eu daria um ótimo garoto de programa se não tivesse minha profissão"

Os dois homens riram com a fala de Colin e logo o ambiente tenso se tornou mais leve.

Após uma longa espera, o médico responsável por Emily finalmente apareceu. Phillip levantou-se imediatamente, o coração acelerado.

“Como ela está?”  perguntou ele, a voz tensa.

O médico suspirou, tirando os óculos antes de responder.

"O estado dela é delicado. Ela teve um infarto grave, e vamos precisar monitorá-la nas próximas 24 horas. Estamos fazendo tudo o que podemos, mas será uma recuperação difícil."

Phillip sentiu as pernas vacilarem, o chão parecia desaparecer sob seus pés. Ele se sentou, passando as mãos pelo rosto enquanto tentava processar a gravidade da situação.

Thomas, apesar da raiva, também ficou abalado com a notícia, mas manteve-se distante. Colin colocou a mão no ombro de Phillip, oferecendo algum apoio.

"Ela é forte, Phillip. Vamos torcer pelo melhor," Colin disse, tentando tranquilizá-lo.

Anthony também se aproximou, sua expressão grave, mas serena.

"Ela está nas mãos de bons médicos. Eu também vou acompanhar o caso dela, farei tudo o que estiver ao meu alcance," garantiu Anthony, olhando para Phillip com compreensão.

Phillip, ainda em choque, assentiu. Tudo o que ele queria era que sua mãe ficasse bem. E, pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu que a vida estava completamente fora de seu controle.

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