Fazia uma semana que Francesca estava hospedada na casa de Eloise em Nova York. Desde sua chegada, ela estava vigilante, tentando notar qualquer detalhe que confirmasse as suspeitas de Sophie. Mas a tarefa estava se provando mais difícil do que imaginara. Theo, ao contrário do que esperavam, havia mudado completamente sua postura. Ele parecia ser o marido perfeito. Todos os dias, ele era carinhoso, oferecia ajuda a Eloise com as tarefas da casa e a tratava com um cuidado que Francesca nunca havia presenciado.
"Ele está sendo perfeito demais..." pensava Francesca em silêncio, observando de longe. Ela sabia que Theo estava tramando algo, mas não tinha provas.
A mudança de Theo não era natural. Ele sabia da presença de Francesca e tinha plena consciência de que Sophie estava de olho em sua relação com Eloise. Ele não podia dar nenhum passo em falso. Por isso, havia pedido a Jonas, um de seus comparsas, para vigiar cada movimento de Francesca e Eloise nas ruas. Disfarçado como um vizinho comum, Jonas observava as irmãs Bridgerton com uma discrição que só alguém treinado conseguiria.
Apesar de toda a encenação de Theo, Francesca ainda não havia conseguido uma oportunidade de falar diretamente com Sophie. O tempo passava rápido e as situações se acumulavam, dificultando um encontro sem que Theo percebesse.
Naquela manhã, enquanto tomavam café, Francesca sugeriu algo que poderia dar um alívio a Eloise e também ajudá-la a se conectar com sua família.
"Que tal fazermos uma chamada de vídeo para Londres? Tenho certeza de que mamãe e papai adorariam falar com você. Todos os nossos irmãos também."
Eloise hesitou por um momento. Ela adoraria ver sua família, mas sabia que Theo estaria por perto, controlando cada palavra que saísse de sua boca. Mesmo assim, sentia uma saudade imensa, especialmente de sua mãe e de seus irmãos mais novos.
"Claro, seria ótimo," Eloise respondeu, tentando manter o tom animado.
Francesca rapidamente pegou seu celular e organizou a chamada. O plano era simples: reunir todos da família e proporcionar um momento leve para Eloise, mesmo que por pouco tempo.
A chamada foi estabelecida, e logo, os rostos familiares apareceram na tela. Violet e Edmund, com sorrisos radiantes, estavam à frente, seguidos por Anthony, Benedict, Colin (que estava ao lado de Penélope), Daphne, Gregory e Hyacinth.
"Eloise, minha querida!" exclamou Violet, visivelmente emocionada. "Que saudade de ver você! Como estão as coisas em Nova York?"
Eloise forçou um sorriso, tentando esconder o nervosismo. Sabia que Theo estava na sala, não muito longe, fingindo estar distraído com outra tarefa.
"Tudo está bem, mamãe," respondeu ela, mantendo a voz estável. "O trabalho tem sido intenso, mas é bom ter Francesca aqui comigo."
Anthony, que nunca foi grande fã de Theo, parecia o mais atento a cada detalhe da expressão de Eloise. Seus olhos semicerrados mostravam que ele estava desconfiado, como sempre. Ele nunca havia se convencido de que o casamento de sua irmã com Theo era uma boa ideia. Mas, como Eloise raramente abria espaço para perguntas invasivas, ele preferia manter suas opiniões para si — pelo menos por enquanto.
"Quando é que você vai nos visitar?" perguntou Gregory, sua voz cheia de expectativa. "A casa está muito vazia sem você por aqui."
"É verdade, Eloise," acrescentou Hyacinth. "Queremos muito que você venha logo."
A menção de uma possível visita fez Eloise estremecer. Ela queria mais do que tudo voltar para Londres, ao menos por um tempo, mas sabia que Theo jamais permitiria isso facilmente. Antes que ela pudesse responder, Theo, que agora estava se aproximando, colocou a mão no ombro dela e sorriu para a tela.
"Talvez em breve, quem sabe?" disse ele, com um tom suave que fez todos os Bridgertons relaxarem. Mas Francesca sabia que aquilo era apenas mais uma manobra de controle.
Penélope, que estava ao lado de Colin, observava a interação com um olhar aguçado. Ela e Francesca tinham conversado muito antes da viagem, e, embora estivesse mantendo uma expressão serena, Penélope estava alerta a qualquer sinal de que algo não estava certo.
Daphne, que tinha uma relação mais distante com Eloise, ainda tentou puxar conversa, mas os comentários eram superficiais. O que Eloise precisava, no fundo, era de uma chance de escapar, e essa chamada estava apenas trazendo à tona a saudade que ela tentava enterrar.
Após alguns minutos de conversas leves sobre Londres, as rotinas de todos e as atualizações sobre os irmãos mais novos, Edmund, o patriarca da família, tomou a palavra. Seu olhar paternal fixou-se em Francesca.
"Francesca, minha querida," ele disse, com um tom de voz firme mas carinhoso, "cuide bem de sua irmã. Você sabe o quanto ela é importante para nós. E, Eloise, minha filha, eu sei que a vida em Nova York é agitada, mas sua mãe e eu sentimos muito a sua falta. Quem sabe você não nos faz uma visita em breve? Seria bom ter você por aqui, nem que seja por alguns dias."
O pedido de Edmund fez o coração de Eloise apertar. Ela queria tanto voltar, mas como convencer Theo a permitir isso? E mesmo que fosse possível, ela sabia que a liberdade seria breve. Theo estava mais presente e controlador do que nunca.
"Eu vou pensar nisso, papai," ela respondeu, sua voz suave escondendo o turbilhão de emoções por dentro.
Anthony, que havia permanecido em silêncio por grande parte da chamada, finalmente interveio.
"Eloise, se precisar de qualquer coisa, você sabe que pode contar comigo, certo?" disse ele, sem tirar os olhos de Theo.
Theo sorriu, fingindo não perceber o tom subentendido de Anthony. Mas Eloise sabia que seu irmão mais velho não estava apenas oferecendo ajuda casual. Ele suspeitava de algo, mesmo sem ter provas.
"Claro, Anthony," ela disse, tentando encerrar o assunto rapidamente.
Após mais algumas despedidas, a chamada terminou. Francesca colocou o celular de lado e suspirou. A felicidade de ter se conectado com a família era palpável, mas também sentiu um peso. A cada momento que passava, Eloise parecia se afundar mais na teia de controle que Theo havia tecido ao redor dela.
Theo se levantou e beijou a cabeça de Eloise, como se estivesse agradecendo por manter as aparências. Francesca observou, silenciosa, mas atenta.
Agora, mais do que nunca, ela sabia que algo precisava ser feito.
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My Salvation - Philoise
FanfictionQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
