O final de semana finalmente havia chegado, e Aubrey Hall pulsava de energia e vida. O sol iluminava o extenso jardim, onde uma sucessão de carros trazia convidados para o aniversário de Colin. Ele parecia mais animado do que nunca, andando de um lado para o outro, cumprimentando amigos e parentes que chegavam, rindo e trocando histórias. Aquela era uma data especial, e ele não media esforços para que tudo saísse perfeito.
Eloise, a pedido do irmão, ficara encarregada de recepcionar os convidados e garantir que tudo estivesse organizado. Colocara um vestido azul leve, que combinava perfeitamente com o céu claro daquele dia, os cabelos soltos caindo pelos ombros. Ela se movimentava entre os convidados, sempre sorridente, intercalando as saudações com algumas piadas ocasionais, mantendo o clima descontraído.
Durante uma dessas conversas, um dos amigos de Colin, Fife, pareceu particularmente interessado em Eloise. Alto, elegante e de modos encantadores, ele conversava com ela, sempre procurando uma maneira de prolongar o assunto. Eloise ria com leveza, mas, ao mesmo tempo, sentia uma leve inquietação. Faltava algo ali, uma centelha que tornasse a interação realmente envolvente. Sua mente parecia constantemente vagar, como se algo importante estivesse para acontecer.
Enquanto isso, Colin estava na entrada, aguardando mais alguns amigos que ainda não haviam chegado. Foi quando notou Phillip Crane, caminhando na direção da casa com um olhar que mesclava curiosidade e uma leve ansiedade. Colin deu um sorriso largo ao vê-lo e foi ao seu encontro.
“Phillip! Que bom que você conseguiu vir!” Colin o cumprimentou com entusiasmo, dando-lhe um aperto de mão firme.
“Não podia perder essa festa, não é? E além disso, fazia tempo que eu queria conhecer Aubrey Hall,” respondeu Phillip, com um sorriso de canto.
Colin conduziu Phillip para dentro, onde a maioria dos Bridgertons e outros convidados já estavam se acomodando. Enquanto caminhavam, ele fazia questão de apresentar o amigo a todos, de uma maneira sempre cordial e calorosa. E, finalmente, Penelope tomou a iniciativa de levar Phillip até Eloise.
Quando ela viu Phillip, o ar pareceu sair de seus pulmões. Parou, boquiaberta, o coração disparado. Não havia como esconder o choque que transparecia em seus olhos. Ali, parado diante dela, estava o homem a quem ela conhecia como "dourado". O homem que a consumira de tal forma que sua mente não conseguia se libertar dele, que a fizera retomar a pintura como uma forma de expressar o turbilhão de emoções que sentia.
Phillip, por sua vez, quase não podia acreditar no que via. A irmã de Colin era a mulher misteriosa que ele não conseguia tirar dos pensamentos. A intensidade dos encontros que tiveram parecia palpável naquele instante, criando uma tensão quase visível entre eles.
Penelope, sempre perceptiva, captou o olhar entre os dois. Intrigada, mas também querendo dar uma oportunidade para que conversassem, inventou uma desculpa qualquer. “Eloise, poderia fazer um favor para mim? Phillip ainda não foi levado até o quarto onde vai se hospedar. Você poderia guiá-lo até lá?” Penelope lançou um olhar cúmplice para Eloise, tentando disfarçar um sorriso.
Eloise assentiu, ainda sem conseguir desviar o olhar de Phillip. “Claro, será um prazer.”
Eles seguiram em silêncio pelos corredores amplos e bem decorados da casa. Os passos de ambos ecoavam suavemente, criando um ritmo que acompanhava as batidas aceleradas de seus corações. Assim que se viram a sós, o choque inicial deu lugar a uma mistura de incredulidade e excitação. Eloise sentiu-se tentada a rir da coincidência que o destino havia preparado, enquanto Phillip não conseguia conter o sorriso que surgia nos lábios.
“Então... é você,” ele disse, quebrando o silêncio. Sua voz era suave, mas carregada de emoção.
“É, parece que sim,” respondeu ela, ainda tentando processar o quanto o mundo podia ser pequeno. “Eu não fazia ideia de que o tal amigo do Colin era você.”
“Acho que ambos fomos pegos de surpresa,” Phillip respondeu, inclinando-se levemente em sua direção. “Eu passei o caminho inteiro até aqui tentando imaginar quem seria a irmã de Colin. Nunca imaginei que já nos conhecíamos... e tão bem.”
Ela riu, corando levemente. “Bem, ao menos agora podemos dizer que não somos completos estranhos.”
O comentário fez Phillip sorrir ainda mais, e o clima entre os dois, que já era eletrizante, parecia crescer em intensidade. Eloise continuou a guiá-lo até um dos quartos de hóspedes, sem saber ao certo o que dizer. Algo precisava ser dito, mas o peso da intensidade entre eles tornava difícil encontrar palavras.
“Se precisar de algo... é só me chamar,” murmurou Eloise ao chegar ao quarto, sentindo-se estranhamente nervosa, algo que raramente acontecia com ela.
Antes que ela pudesse sair, no entanto, Phillip segurou sua mão, puxando-a suavemente para mais perto. Ela sentiu seu coração acelerar, e o calor do toque dele enviou uma onda de eletricidade por seu corpo.
“Eloise,” ele disse, a voz um pouco rouca, “sei que não tivemos muito tempo para conversar sobre... nós. Mas eu gostaria de ter a sua atenção por alguns momentos, durante esses dias. Acho que temos muito para discutir.”
Ela assentiu, incapaz de formar uma resposta coerente, sentindo-se embriagada pela proximidade dele. Aquele era o homem que ela vinha desejando há semanas, que aparecia em seus pensamentos a cada instante livre. E agora, sabendo que passariam três dias sob o mesmo teto, a ideia de manter o controle parecia um desafio impossível.
“Eu adoraria conversar,” respondeu ela, a voz um pouco mais baixa do que o habitual. “Mas temo que... manter o controle será difícil.”
Phillip sorriu, um sorriso que misturava desejo e uma certa satisfação. “Talvez não precisemos manter tanto controle assim.”
Eloise corou, sentindo um misto de nervosismo e excitação com a promessa implícita naquelas palavras. Ela se afastou lentamente, os dedos dele deslizando suavemente de sua mão, como se ambos hesitassem em quebrar aquele contato.
“Vou... deixá-lo descansar,” ela disse, tentando manter o tom leve, embora soubesse que suas intenções estavam longe de ser apenas amigáveis.
Phillip apenas assentiu, o olhar fixo nela, enquanto ela se afastava pelo corredor. Cada passo parecia mais difícil que o anterior, a cada olhar para trás, ela via a figura dele ainda parada à porta, observando-a. Quando finalmente se viu a uma distância segura, Eloise respirou fundo, tentando se acalmar. Aquele fim de semana prometia ser uma prova de fogo para seus sentimentos e autocontrole.
Na mente dela, a imagem de Phillip permanecia vívida, e as lembranças dos encontros passados ressurgiam a cada segundo. No fundo, Eloise sabia que, por mais que tentasse manter uma postura formal diante dos outros, o que sentia por Phillip era inevitável e incontrolável. Aquele homem se tornara seu "dourado", e a ideia de estarem tão perto, por três dias, era ao mesmo tempo tentadora e apavorante.
O fim de semana ainda estava apenas começando, mas o impacto daquele reencontro prometia repercutir em cada momento dali em diante.
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My Salvation - Philoise
FanfictionQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
