Phillip estava sentado ao lado da cama de sua mãe no hospital, o ambiente tomado por uma estranha quietude, apenas interrompida pelo som monótono dos aparelhos médicos. Emily Crane estava inconsciente, sua respiração fraca e irregular. Cada dia que passava, o diagnóstico de Anthony se tornava mais difícil de aceitar. Phillip segurava a mão de sua mãe, tentando encontrar conforto no simples ato de estar presente, embora soubesse que o tempo estava se esgotando.
Michaela, sempre prática e sensível, havia concedido a Phillip uma folga por tempo indeterminado. “Cuide da sua família,” ela havia dito. “Estarei aqui quando você precisar voltar.” E ele sabia que precisaria, eventualmente. Mas agora, sua mente estava completamente tomada pela saúde de sua mãe, que piorava a cada dia. Anthony, como cardiologista, fazia o que podia, mas até mesmo ele admitia que as chances de recuperação eram mínimas.
Colin Bridgerton, que estava se tornando um verdadeiro amigo para Phillip, permanecia ao seu lado. O mais novo dos Bridgertons tinha se comprometido a ajudar no que fosse necessário, e Phillip era grato por isso. Apesar do peso do que estava acontecendo, Colin conseguia trazer uma leveza à situação, sempre fazendo piadas na tentativa de aliviar a tensão, mesmo que apenas por um momento.
"Sabe, Phillip, minha mãe sempre dizia que momentos difíceis revelam os verdadeiros amigos" comentou Colin, sentado ao lado de Phillip na sala de espera, enquanto Anthony fazia outra avaliação em Emily. "E, apesar de tudo, acho que já posso te considerar um grande amigo."
Phillip deu um leve sorriso, cansado, mas genuíno. "Você tem sido incrível, Colin. Eu nem sei como te agradecer por tudo."
"Não precisa." Colin deu de ombros. "Família é isso, não é? E a amizade também. Você faria o mesmo por mim."
Phillip assentiu, sua mente voltando à mãe que repousava na cama de hospital. Não havia como escapar do fato de que ela estava se aproximando do fim, e a única coisa que restava era o tempo.
George, o irmão mais velho de Phillip, havia chegado de Madri no dia anterior, acompanhado por Marina e os filhos, Oliver e Amanda. Marina estava grávida do terceiro filho, e, mesmo assim, insistiu em vir para ficar ao lado de Emily e da família. Quando Phillip viu seu irmão pela primeira vez em anos, houve uma mistura de sentimentos. A ligação entre eles nunca havia sido frágil, mas o distanciamento, causado principalmente pela influência de Thomas, havia deixado um vazio. Agora, porém, qualquer rancor parecia insignificante diante da gravidade da situação.
Naquele final de tarde, Phillip, George e Thomas se encontraram no pequeno corredor do hospital, todos com a expressão abatida. Marina havia ficado com as crianças em casa, enquanto Anthony e uma equipe médica avaliavam o estado de Emily. O ambiente pesado e denso parecia sufocar qualquer tentativa de diálogo, mas havia coisas que precisavam ser ditas.
Thomas, sempre reservado e distante, finalmente quebrou o silêncio, seu olhar fixo no chão.
"Ela não tem muito tempo" sua voz era rouca, quase irreconhecível. "Os médicos já me disseram que... que o coração dela está fraco demais para continuar."
George suspirou profundamente, cruzando os braços. "Eu sei. Também conversei com Anthony. Ele disse que só estamos esperando... o inevitável."
Phillip olhou para o pai e o irmão, sentindo o peso daquelas palavras. Por mais que soubesse, no fundo, que o fim estava próximo, ouvir aquilo em voz alta tornava tudo muito mais real. Era como se uma parte de seu coração estivesse sendo lentamente esmagada.
"Ela sempre foi forte" murmurou Phillip, seus olhos fixos em um ponto distante no corredor. "Mesmo depois de tudo o que passou com a gente... com você, pai. Ela sempre nos manteve unidos."
Thomas levantou os olhos, surpreso com as palavras de Phillip, mas sem argumentar. Havia verdade nelas, e, no fundo, ele sabia disso. Emily tinha sido o pilar da família por décadas, mesmo quando Thomas havia imposto sua visão dura de mundo sobre os filhos, sempre forçando George e Phillip a serem perfeitos, a se adequarem ao que ele considerava sucesso. Emily, porém, havia equilibrado essa balança. Era ela quem havia ensinado aos filhos o valor da empatia, do amor incondicional.
"Ela sempre foi melhor do que eu merecia" confessou Thomas, sua voz quebrando. "E, talvez, seja por isso que eu me sinto tão... impotente agora."
George, que raramente expressava emoções abertamente, deu um passo à frente, colocando uma mão no ombro do pai. "Ninguém está preparado para perder alguém como a mamãe, pai. E acho que nunca estaremos. Mas precisamos estar juntos agora. Por ela."
Phillip observou a cena com um misto de emoções. Por tanto tempo, ele havia sentido ressentimento pelo modo como Thomas o havia tratado, sempre comparando-o com George, sempre criticando suas escolhas. Mas, naquele momento, todos esses sentimentos pareciam insignificantes. O que importava era o tempo que ainda restava, o tempo que poderiam passar ao lado de Emily antes que ela partisse.
"Não sei o que vou fazer sem ela" Phillip murmurou, quase para si mesmo.
Thomas, surpreendentemente, respondeu de imediato. "Você vai viver, Phillip. Vai continuar vivendo por ela. Nós três vamos. Porque é isso que ela quereria."
George assentiu, concordando. "A mamãe sempre dizia que a família era o que nos definia. Não importa o que aconteça, sempre teremos um ao outro. E agora, mais do que nunca, precisamos ser essa família que ela acreditava."
Phillip sentiu os olhos encherem de lágrimas, mas não deixou que elas caíssem. Havia uma verdade profunda nas palavras de seu irmão. Apesar de todas as dificuldades, Emily havia mantido a família unida, e agora, no momento mais difícil de todos, eles precisavam se apoiar mais do que nunca.
Antes que pudessem continuar a conversa, Anthony saiu da sala, seu rosto sério. "Vocês podem entrar. A situação dela ainda é estável, mas não sabemos por quanto tempo."
Os três homens se entreolharam, a gravidade da situação pairando no ar. Thomas, George e Phillip entraram na sala de Emily em silêncio, cada um se aproximando da mulher que, mesmo em seu estado frágil, ainda emanava a força de caráter que sempre possuíra.
Phillip pegou a mão de sua mãe novamente, sentindo a textura suave e pálida de sua pele. George estava do outro lado da cama, enquanto Thomas se mantinha um pouco mais afastado, seus olhos cheios de pesar.
"Mãe..." Phillip sussurrou, apertando levemente a mão dela. "Estamos todos aqui."
Emily não respondeu, seus olhos ainda fechados, mas Phillip gostava de pensar que, de alguma forma, ela sabia que eles estavam ali, ao seu lado.
O tempo parecia desacelerar à medida que os três homens ficaram ali, ao lado de Emily, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Não havia mais palavras a serem ditas. Apenas a esperança silenciosa de que, de alguma forma, ela soubesse o quanto era amada.
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My Salvation - Philoise
FanfictionQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
