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O Desejo e a Razão

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Phillip respirou fundo ao entrar no escritório de Michaela, sentindo a tensão no ar. Ele sabia que havia ultrapassado os limites na noite anterior, mas não se arrependia. No entanto, o peso da responsabilidade batia à sua porta. O relógio na parede marcava mais de uma hora além do horário normal, e não havia como evitar as perguntas.

Michaela estava sentada em sua mesa, olhando para a tela do computador com uma expressão fechada. Quando ele entrou, ela levantou os olhos, e a intensidade de seu olhar o fez sentir um frio na barriga.

“Phillip,” ela começou, sua voz firme. “O que diabos aconteceu para você passar a noite com a cliente? Ficou maluco?”

“Desculpe, Michaela,” ele respondeu, sentindo-se um pouco envergonhado. “As coisas saíram do controle. Eu… não planejei isso.”

“‘Não planejei’ não é uma resposta. Você sabe que essa não é uma situação fácil de lidar, certo?” Ela se recostou na cadeira, estudando-o. “Você está se envolvendo demais. E com quem?”

Phillip hesitou. “Com a senhora Sharpe.”

“Eu imaginei que fosse ela mesmo, desde a primeira vez você está diferente. E o que ela fez para que você decidisse ficar com ela a noite toda?” Michaela indagou, suas sobrancelhas se ergueram.

Ele se lembrava do toque delicado de Eloise, da forma como ela havia se entregado ao momento. “Foi intenso,” ele confessou. “Eu… eu não sinto isso com outras clientes. É diferente.”

“Diferente? Como?” Ela cruzou os braços, aguardando a resposta.

“Eu não sei, Michaela,” ele disse, passando a mão pelos cabelos. “Sinto que tem algo especial nela. Como se fôssemos… conectados. Mas só nos encontramos duas vezes.”

Michaela mordeu o lábio inferior, parecendo pensativa. “Phillip, você precisa ter cuidado. Separar o que é trabalho do que é pessoal é fundamental. Você se perder nisso pode acabar comprometendo tudo.”

Ele assentiu, a preocupação dela começando a reverberar em sua mente. “Você está certa. É só que… eu nunca me senti assim antes.”

“E se você acabar se envolvendo emocionalmente? Ela pode não ter as mesmas intenções que você. É preciso estar ciente do que está em jogo.” A seriedade da conversa deixou Phillip inquieto.

Ele se perdeu em seus próprios pensamentos, tentando processar a profundidade das palavras de Michaela. “Eu vou tentar manter isso separado. Mas é difícil. Quando estou com ela, tudo faz sentido.”

“Não é só sobre o que você sente. Pense em como ela pode reagir a isso. Você pode acabar machucando alguém, Phillip.”

Aquela afirmação o atingiu como um soco no estômago. A última coisa que ele queria era ferir Eloise. “Entendo,” ele murmurou. “Prometo que vou ser cuidadoso.”

“Agora, vá e encontre e pense bem sobre isso.” Michaela sugeriu, mudando de assunto. “Você precisa de um tempo para colocar seus pensamentos em ordem.”

Phillip agradeceu e rapidamente saiu do escritório, sentindo a pressão aliviar um pouco à medida que se afastava. No caminho, ele pegou o celular e enviou uma mensagem a Miles, pedindo para se encontrarem no apartamento.

Ao chegar, Phillip encontrou Miles em sua sala, recostado no sofá com uma cerveja na mão — ele tinha se esquecido o quão folgado seu amigo era quando queria.. “Você parece um caco,” seu amigo comentou ao vê-lo. “O que aconteceu?”

Phillip se deixou cair na poltrona, passando a mão pelo rosto. “Eu não sei por onde começar,” ele disse, sentindo que todo o peso da noite anterior estava sobre seus ombros.

“Comece do começo,” Miles sugeriu, com uma expressão neutra. “Aquela mulher que você conheceu… a Sharpe, certo?”

“Sim,” Phillip confirmou, olhando para o chão. “Eu passei a noite com ela. E foi… incrível. Mas não foi só isso. Eu não consigo parar de pensar nela. Sinto que há algo mais ali.”

“Phillip, você sabe que isso não é bom, certo?” Miles disse, sentando-se na ponta do sofá. “As coisas podem ficar complicadas. Ela é uma cliente, não uma namorada.”

“Eu sei,” Phillip respondeu, sua frustração crescendo. “Mas é difícil. Quando estou com ela, tudo flui tão naturalmente. Eu nunca experimentei algo assim.”

“Então o que você está pensando em fazer?” Miles perguntou, curioso. “Você vai continuar se vendo?”

“Eu não tenho certeza,” Phillip admitiu. “Michaela disse que eu preciso separar as coisas. Mas não consigo tirar ela da cabeça. E a forma como ela me faz sentir… é diferente de qualquer outra coisa.”

Miles o observou por um momento antes de soltar um riso baixo. “Caramba, você realmente gosta dela, não é? Isso é novo para você.”

“É,” Phillip confirmou, olhando para o amigo com sinceridade. “Mas eu não sei se devo continuar. Eu não quero me machucar e nem machucar ela.”

“Então converse com ela,” Miles sugeriu, apoiando-se no sofá. “Descubra o que vocês dois realmente querem. Mas lembre-se, não é só sobre você. Pense em como isso pode afetar ela também.”

Phillip se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. “Você acha que ela pode se sentir da mesma forma?”

“Pode ser. Mas você nunca saberá até perguntar. Se vocês têm essa conexão, então vale a pena descobrir.”

Ele se perdeu em pensamentos, imaginando o sorriso de Eloise e como ela parecia tão viva e cheia de energia. “Você está certo. Preciso entender o que está acontecendo entre nós.”

Os dois amigos conversaram por mais um tempo, discutindo possibilidades e riscos, até que Phillip se sentiu um pouco mais leve. A conversa o ajudou a clarificar seus sentimentos e a perceber que, independente do que acontecesse, ele precisava ser honesto consigo mesmo e com Eloise.

Finalmente, ele se despediu de Miles, com a intenção de procurar Eloise e esclarecer as coisas. O que quer que eles tivessem, ele precisava descobrir. Não era apenas um desejo físico; havia algo mais profundo, e ele estava determinado a encontrar.

Com o coração acelerado, Phillip saiu do apartamento, sentindo que estava prestes a entrar em um novo capítulo de sua vida. Mas no meio do caminho decidiu que não era uma boa opção, não queria pressionar Eloise, eles continuariam se encontrando como ela pediu e então tiraria suas próprias conclusões sobre a relação.

My Salvation - Philoise Histórias para pegar e não largar. Descubra agora