Phillip estava sentado no jardim da casa de George, observando os gêmeos Oliver e Amanda correrem e brincarem ao redor das árvores. O riso infantil ecoava no ar, trazendo uma leveza que ele não sentia há tempos. Os dois meses desde a morte de sua mãe, Emily, haviam sido um dos períodos mais difíceis de sua vida. Ainda que tentasse seguir em frente, a dor da perda ainda pesava em seu coração. A saudade de sua mãe se fazia presente em cada detalhe da sua rotina.
Marina, esposa de George, estava radiante com a recente descoberta sobre o bebê que esperavam. Uma menina. Ao saber disso, Marina havia decidido que a bebê se chamaria Emily, uma homenagem à sogra. A notícia encheu o coração de Phillip com um misto de emoções. Ele sabia que sua mãe ficaria feliz com essa homenagem, mas a lembrança de que ela não estaria presente para conhecer a neta o devastava.
Ele voltou seus olhos para os sobrinhos. Oliver puxava Amanda pela mão, tentando mostrá-la uma borboleta que havia pousado em uma das flores do jardim. As crianças eram uma distração bem-vinda, afastando-o, ainda que momentaneamente, das sombras que pairavam sobre sua mente.
"Phillip, pode vir aqui por um instante?" A voz de George interrompeu seus pensamentos.
Phillip se levantou, limpando as mãos na calça de forma distraída, e seguiu o irmão até um canto mais reservado do jardim, onde uma pequena mesa estava coberta por documentos. George tinha uma expressão séria, mas havia algo de suave em seu olhar.
"O que foi?" Phillip perguntou, ligeiramente preocupado.
George puxou uma cadeira e fez sinal para que ele se sentasse.
"Tenho algo para lhe dar. Algo que eu e Marina discutimos nas últimas semanas, e decidimos que é o certo a fazer" George começou, pegando um envelope grosso sobre a mesa e entregando-o a Phillip.
Phillip olhou o envelope nas mãos do irmão, sem entender de imediato o que estava acontecendo.
"O que é isso?" questionou, a curiosidade começando a despertar.
"A propriedade de Romney Hall" George disse calmamente. "Era da mamãe, e agora, é sua."
Phillip franziu o cenho, confuso. Romney Hall. Ele se lembrava vagamente da casa. Uma propriedade em Cambridge, onde sua mãe passava os verões antes de se casar com Thomas. Era um lugar cheio de memórias antigas, mas para Phillip, sempre fora algo distante, quase como um mito familiar. Não esperava que, de repente, aquilo fosse parar em suas mãos.
"George, eu..." Phillip começou, mas foi interrompido.
"Sei que você não esperava por isso, mas a verdade é que essa casa era o lugar favorito da mamãe. E ela queria que ficasse com você. Eu já tenho as outras propriedades da família para cuidar, e esta... bem, é a sua herança" George sorriu de leve, colocando uma mão no ombro do irmão. "Acredito que mamãe ficaria feliz em saber que você é o dono agora."
Phillip piscou, absorvendo a informação. Ele não sabia o que dizer. Romney Hall era um lugar lindo, mas também estava cheio de memórias que ele não tinha certeza de querer revisitar naquele momento. Ele ainda sentia o peso da ausência da mãe de uma forma tão intensa que a ideia de abrir a porta de uma casa que um dia foi dela parecia dolorosa demais.
"Eu não sei se posso aceitar isso agora, George." Phillip passou a mão pelos cabelos, suspirando profundamente. "Ainda estou lidando com tudo, com a perda... e não sei se estou pronto para lidar com uma propriedade que carrega tanto da nossa mãe."
George assentiu, compreendendo a hesitação do irmão.
"Não precisa fazer nada com a casa agora. Pode deixá-la fechada até se sentir preparado" George disse com compreensão. "Mas quero que saiba que está lá, esperando por você. Quando estiver pronto, Romney Hall estará à sua disposição."
Phillip olhou para o irmão, profundamente grato pela compreensão. Ele sabia que George tinha razão. Não era o momento de lidar com mais perdas, com mais lembranças, mas ao mesmo tempo, havia algo reconfortante na ideia de ter um pedaço da mãe em Romney Hall. Um lugar onde ela, de certa forma, ainda existia.
"Obrigado, George" Phillip disse finalmente, os olhos brilhando com uma emoção que ele não conseguia conter. "Obrigado por pensar nisso. Vou aceitar a casa, mas... acho que vou deixá-la fechada por um tempo. Preciso de mais espaço para respirar."
George assentiu novamente, apertando o ombro do irmão com mais força.
"Não há pressa. Quando estiver pronto, eu estarei aqui para ajudar no que for preciso."
Phillip respirou fundo, sentindo o peso da decisão, mas também a leveza de ter um irmão que o compreendia tão bem. Ele olhou para o jardim mais uma vez, observando os gêmeos agora sentados na grama, discutindo sobre quem havia visto a borboleta primeiro. Marina estava ao longe, os olhos brilhando de alegria enquanto acariciava sua barriga, onde a pequena Emily crescia.
"Ela vai ter o nome da mamãe" Phillip disse baixinho, sorrindo ao olhar para a cunhada.
George sorriu também.
"Sim, uma pequena Emily. Acho que a mamãe ficaria feliz."
Phillip concordou com a cabeça, sentindo uma onda de ternura invadir seu peito.
"É... acho que ficaria."
O resto do dia passou de forma tranquila, mas Phillip sabia que, por mais que estivesse se recuperando, ainda haveria dias difíceis pela frente. Entretanto, com o apoio de sua família, ele sentia que poderia, aos poucos, reconstruir sua vida. Talvez, um dia, ele estivesse pronto para abrir as portas de Romney Hall e revisitar as memórias que sua mãe deixou. Mas, por enquanto, ele se contentaria com o fato de que tinha um pedaço dela em seu coração — e agora, também em Cambridge.
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My Salvation - Philoise
FanfictionQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
