O dia estava nublado, como se o próprio céu estivesse em luto pelo que estava prestes a acontecer. Phillip havia ido para casa descansar um pouco, mas não dormiu bem. Seu corpo estava exausto, sua mente entorpecida pelo cansaço e pela dor insuportável de ter perdido sua mãe. Ao se olhar no espelho, ele quase não reconheceu o homem refletido ali — os olhos inchados, o rosto abatido, e o peso do mundo caindo sobre seus ombros.
O funeral estava marcado para o final da manhã. Era um evento simples, reservado apenas para os parentes mais próximos e amigos íntimos. Phillip não queria uma cerimônia grandiosa; sabia que sua mãe, apesar de toda a sofisticação que mantinha, sempre preferira as coisas simples. Ela não gostava de extravagâncias, e Phillip queria honrar isso da maneira mais digna possível.
No entanto, enquanto ele se vestia no silêncio solitário de seu quarto, um vazio o tomava por dentro. Ele ajustou a gravata preta, respirando fundo, tentando manter a compostura. "Seja forte", repetia para si mesmo. Mas o conceito de força parecia cada vez mais distante. A verdade era que, no fundo, Phillip estava em pedaços, e hoje seria o teste definitivo de sua capacidade de suportar o sofrimento.
Ao chegar ao local da cerimônia, o silêncio já pairava no ar. O pequeno cemitério, cercado por árvores e flores, parecia um lugar sereno, mas para Phillip, era apenas o local onde sua mãe seria enterrada para sempre. Ele se aproximou do caixão, coberto de flores brancas, e tocou suavemente a madeira, sentindo as lágrimas ameaçarem cair mais uma vez.
George estava ao seu lado, assim como sempre esteve durante esses dias difíceis. Ele era a rocha que Phillip tentava se apoiar, mas sabia que George também estava sofrendo. Ambos estavam arrasados, mas se mantinham de pé, unidos na dor.
Thomas, parado a alguns metros de distância, observava em silêncio. Ele mal trocara palavras com os filhos desde a morte de Emily. Seu olhar estava perdido, refletindo o arrependimento e a culpa que carregava por todos os anos em que priorizou seu orgulho e seus negócios acima da família. Talvez, agora, fosse tarde demais para remediar tudo isso.
Anthony chegou com sua esposa, Kate. Ele foi direto até Phillip e o abraçou de maneira firme, oferecendo um conforto silencioso. Anthony sabia melhor do que ninguém o que Phillip estava enfrentando, e desde a morte de Emily, ele esteve presente o máximo possível, tanto como médico quanto como amigo.
"Meus sentimentos, Phillip." disse Anthony, com sinceridade, soltando-o do abraço. "Se precisar de qualquer coisa, estamos aqui."
Kate, ao lado de Anthony, ofereceu seu apoio com um olhar carinhoso. Ela segurou a mão de Phillip por um momento, como se quisesse transferir um pouco de força a ele.
"Sua mãe estará em um bom lugar!" disse Kate, suavemente. "Meus sentimentos, Phillip."
Phillip assentiu, as palavras lhe escapando enquanto tentava controlar a emoção que borbulhava sob a superfície. Ele apenas agradeceu com um breve movimento de cabeça, sentindo-se grato pela presença dos amigos.
Colin, que estava só, aproximou-se em seguida. Ele também havia estado ao lado de Phillip em muitos momentos, e agora, sua presença era mais reconfortante do que nunca.
"Penélope mandou seus pêsames" Colin disse com um tom sincero, olhando diretamente nos olhos de Phillip. "Ela lamenta profundamente não poder estar aqui hoje, mas o trabalho a prendeu."
Phillip sorriu com gratidão. Ele ainda não conhecia Penélope pessoalmente, mas sentia que, através de Colin, havia construído uma conexão importante com a família Bridgerton.
"Diga a ela que agradeço." Phillip respondeu, com a voz um pouco falha. "Espero conhecê-la em breve."
A cerimônia começou logo depois, as palavras do reverendo ecoando suavemente pelo espaço. As flores ao redor do caixão balançavam com a brisa, e o som dos pássaros ao longe era a única coisa que rompia o silêncio pesado. Phillip, George e Thomas ficaram na linha de frente, encarando o inevitável destino que aguardava todos eles.
E foi durante a cerimônia que uma presença inesperada causou um murmúrio entre os presentes. Agatha Danbury, a mulher elegante em seus cinquenta anos, apareceu ao lado de Michaela e Miles. A chegada dela foi uma surpresa para muitos, inclusive para Phillip, que não esperava vê-la ali. Agatha não era apenas uma cliente; segundo ela, eles eram amigos, e era assim que ele gostaria de vê-la.
Enquanto a cerimônia prosseguia, Agatha permaneceu em silêncio, observando com respeito. Quando tudo terminou, e as pessoas começaram a se dispersar, ela se aproximou de Phillip, que ainda estava parado diante do túmulo recém-coberto de sua mãe.
"Phillip" a voz de Agatha era suave, mas firme, cortando o silêncio ao redor deles. "Eu lamento profundamente pela sua perda."
Ele virou-se lentamente, seus olhos cansados encontrando os dela. Havia uma sinceridade genuína no rosto de Agatha, e Phillip sentiu uma onda de gratidão por vê-la ali.
"Eu não esperava que viesse" Phillip admitiu, a voz quase um sussurro.
"Estou aqui como sua amiga, Phillip." Agatha disse, pousando uma mão delicada em seu braço. "Não como cliente, mas como alguém que se importa. E se você precisar de mim, para qualquer coisa, você sabe onde me encontrar."
Phillip assentiu, sentindo-se tocado pela presença dela. Ele sempre soube que Agatha era uma mulher forte e decidida, mas naquele momento, ela representava uma espécie de estabilidade que ele tanto precisava. Michaela, ao lado dela, também lançou um olhar reconfortante, como uma promessa silenciosa de que Phillip não estava sozinho nessa dor.
"Obrigado..." Phillip disse, a voz trêmula. "Agradeço muito por estarem aqui."
Agatha olhou para ele por um momento antes de se inclinar e dar um leve beijo em sua bochecha.
"Não hesite em me procurar, querido." Ela sorriu, um sorriso triste, mas cheio de carinho.
Enquanto Agatha e os outros se afastavam, Phillip voltou a se concentrar no túmulo. O caixão de sua mãe já havia desaparecido na terra, mas o vazio que ela deixou ainda estava muito presente dentro dele. George ficou ao lado dele, em silêncio, e Thomas, agora visivelmente afetado, deu um passo hesitante em direção a Phillip e George.
"Eu sei que... cometi muitos erros" Thomas começou, sua voz rouca e hesitante. "Mas quero que saibam que... eu amava sua mãe. Sempre amei."
Phillip olhou para o pai, mas não tinha mais forças para responder. As palavras de Thomas, por mais sinceras que pudessem ser, não mudariam os anos de distância e frieza entre eles. E naquele momento, nada parecia suficiente para preencher o vazio que agora dominava sua alma.
O sol começava a se pôr, e Phillip se deu conta de que aquele era o fim. O fim de uma era. O fim de uma parte de si que ele nunca mais recuperaria.
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My Salvation - Philoise
FanfictionQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
