Francesca já estava pronta para deixar Nova York. Durante sua estadia na casa de Eloise, cada tentativa de descobrir algo sobre o comportamento de Theo havia sido frustrada. Theo, sempre calculista, mostrou-se o marido perfeito, desempenhando seu papel com uma precisão aterrorizante. Ele não havia dado nenhum passo em falso, o que só aumentava a desconfiança de Francesca. No entanto, sem provas concretas, ela não podia fazer mais do que manter Eloise em seus pensamentos. Ela prometeu para Sophie, antes de partir, que continuaria atenta de longe, mesmo sem nada de sólido a compartilhar.
Eloise, por sua vez, estava aliviada com a partida da irmã. Não porque não gostasse da companhia de Francesca, mas porque a tensão em casa estava crescendo, como se Theo, ao perceber a ausência de suspeitas, estivesse pronto para retomar o controle. Eloise ainda não sabia das verdadeiras intenções de Francesca e Sophie, e acreditava que sua irmã havia vindo apenas para uma visita de rotina. Por isso, Eloise não abriu o jogo, não falou das sombras que se arrastavam pelo seu casamento, das horas silenciosas em que sentia o olhar severo de Theo sobre ela, como uma prisão invisível.
Assim que Francesca deixou o apartamento, Theo voltou a ser o homem que Eloise tanto temia. O comportamento carinhoso e atencioso evaporou como uma névoa, dando lugar ao controle opressivo e às palavras venenosas que se tornaram parte da rotina dela. A sensação de alívio que Eloise sentira com a presença da irmã foi rapidamente substituída pelo sufoco habitual.
Era um dia comum de trabalho na universidade, e Eloise tentava manter sua mente afastada dos problemas em casa, focando nos alunos e nas aulas. Quando o dia estava prestes a terminar, sua amiga e colega de trabalho, Rosamund, apareceu com um sorriso radiante.
"Eloise, o que acha de sairmos hoje? Só nós, o pessoal do trabalho, para um drink rápido" Rosamund sugeriu, seus olhos brilhando com expectativa.
Eloise hesitou. Nos últimos meses, qualquer tipo de socialização fora da presença de Theo se tornou um tabu não falado. Ela sabia que ele não aprovaria. Mas o convite de Rosamund era tentador, e fazia tanto tempo que ela não se permitia um momento de leveza.
"Ah, Rosamund... eu não sei. Tenho que voltar para casa..." Eloise começou, já preparando uma desculpa.
"De jeito nenhum!" Rosamund interrompeu, decidida. "Você trabalha tanto, Eloise. Só por uma vez, não pode dizer "não". Vamos, é só um drink, prometo que não vamos demorar."
Eloise olhou para o rosto de sua amiga, cheia de entusiasmo e energia. Ela sabia que não deveria aceitar, mas sentia falta de momentos assim — momentos em que pudesse se sentir normal, como qualquer outra pessoa. Finalmente, depois de muito relutar, Eloise concordou.
"Tudo bem, mas só um drink e depois vou para casa."
"Perfeito!" exclamou Rosamund, puxando Eloise animadamente.
O bar escolhido era próximo da universidade, um lugar tranquilo, frequentado por outros professores e estudantes. Eloise se permitiu relaxar pela primeira vez em semanas. Entre risadas e conversas animadas, ela quase esqueceu da realidade que a esperava em casa. As horas passaram rápido demais, e antes que ela se desse conta, já eram três horas além do horário que geralmente chegava em casa. Ao notar o relógio, o coração de Eloise disparou.
"Preciso ir" disse abruptamente, levantando-se da mesa.
Rosamund tentou acalmá-la, mas Eloise sabia que estava prestes a enfrentar a fúria de Theo. A caminhada até o apartamento foi rápida, mas parecia uma eternidade. Ao abrir a porta, tudo estava escuro, exceto pela luz fraca da sala. Theo estava lá, sentado em uma poltrona, as mãos cruzadas sobre o peito e o olhar fixo nela, como uma serpente pronta para dar o bote.
"Chegou tarde" disse ele, sem se levantar.
Eloise tentou parecer casual, mas sua voz traiu seu nervosismo.
"Eu... eu saí com Rosamund e alguns colegas depois do trabalho. Não foi nada demais, só um drink rápido."
Theo levantou-se lentamente, como se estivesse saboreando o momento. Seu rosto estava calmo, mas o perigo estava nas palavras que ele não dizia.
"Um drink rápido?" Ele riu amargamente. "Três horas depois do seu horário normal, e você acha que eu vou acreditar que foi 'só um drink rápido'?"
Eloise deu um passo para trás, sentindo o ar pesado na sala. Ela abriu a boca para responder, mas Theo a interrompeu, sua voz crescendo em intensidade.
"Eu deixei sua irmã aqui, fingi ser o marido perfeito por uma semana, e você me retribui saindo para beber com suas 'amiguinhas'?" Ele caminhou na direção dela, forçando-a a recuar até encostar-se à parede. "Eu sei o que você está fazendo, Eloise. Eu sei que está tentando escapar, que está procurando maneiras de me envergonhar."
"Não é isso, Theo!" Eloise tentou argumentar, sua voz desesperada. "Eu só queria um pouco de tempo com minhas amigas. Não estou fazendo nada de errado."
Theo a agarrou pelo braço, apertando com força.
"Errado é você desobedecer, é você pensar que pode fazer o que quiser sem consequências!" Seus olhos brilhavam com fúria controlada. "Você pertence a mim, Eloise. Cada passo seu, cada movimento, eu controlo."
Eloise tentou se soltar, mas o aperto dele era implacável. Ela sentia o medo crescendo dentro dela, a dor no braço aumentando.
"Eu não vou permitir mais esse tipo de comportamento" Theo sussurrou, aproximando-se mais. "Da próxima vez que você pensar em me desafiar, lembre-se disso."
Ele a soltou abruptamente, e Eloise quase caiu para trás. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas ela se recusou a deixá-las cair. Sabia que isso só lhe daria mais poder sobre ela.
"Vá para o quarto" ele ordenou friamente. "E amanhã vamos ter uma conversa séria sobre como as coisas vão ser daqui para frente."
Eloise obedeceu, sentindo-se quebrada por dentro. No silêncio da casa, enquanto se afastava de Theo, ela sentiu o peso de sua prisão invisível mais forte do que nunca.
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My Salvation - Philoise
Fiksi PenggemarQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
