O vento frio de outono em Nova York soprava pelas janelas da universidade, e Eloise sentia a brisa fresca aquecida pelo sol do fim da tarde. Aquele outubro estava sendo particularmente agradável, um refúgio de paz que parecia envolvê-la após meses de caos e incertezas. Os dias com Francesca e Penélope tinham sido um alívio para sua alma. Pela primeira vez em muito tempo, Eloise se sentia leve, livre, como se finalmente pudesse respirar sem o peso constante do medo. Desde que se afastou de Theo, ele havia sumido completamente, e mesmo que os papéis do divórcio estivessem demorando, ela agradecia a distância.
Ela voltava à rotina, imersa no trabalho que tanto amava na universidade. Estava dando uma aula sobre literatura inglesa quando, ao final da aula, o celular vibrou. Pegou o aparelho e viu o nome "William" na tela. O coração de Eloise bateu forte. Não costumava receber ligações de William, a não ser que fossem sobre algo importante.
Com uma mão trêmula, ela atendeu.
"Alô?" Sua voz soou baixa, incerta.
"Senhora Sharpe" a voz formal e fria de William ecoou. "Tenho uma notícia importante e, de certa forma, trágica para lhe dar."
O sangue de Eloise gelou naquele momento, e a atmosfera em torno dela pareceu mudar. Ela estava pronta para qualquer coisa, menos para o que viria a seguir.
"O que aconteceu?" perguntou, já esperando o pior.
"Seu marido, Theo... Ele... sofreu um acidente esta manhã. Ele estava em uma reunião de trabalho num iate com amigos. Aparentemente o iate não estava em boas condições e houve uma explosão do motor... Todos presentes infelizmente estão mortos."
As palavras de William soaram como um trovão nos ouvidos de Eloise. Explosão? Iate? Morte? Ela não conseguia processar a informação. Ficou estática, as palavras repetindo na sua mente como um eco distante.
"Desculpe... O que disse?" sua voz saiu fraca, quase inaudível.
"Theo está morto, senhora Sharpe " William repetiu com a voz embarcada mas ao mesmo tempo firme, como se precisasse cravar as palavras na mente dela. "A explosão foi fatal para todos a bordo."
O tempo parecia ter parado ao redor dela. A sala de aula estava vazia, mas a pressão no peito de Eloise era avassaladora. Ela se encostou na mesa atrás dela para se apoiar, sentindo as pernas perderem a força. Theo, morto? Ela não sabia como reagir. Era uma onda de alívio que se chocava violentamente com a incredulidade. Poderia ser verdade? Depois de tudo, isso finalmente significaria a sua liberdade completa?
"Eu..." Eloise não conseguia formar as palavras, sua mente um redemoinho de confusão.
"Entendo que isso deve ser um choque" William continuou. "A polícia ainda está investigando, mas já confirmaram que não há sobreviventes."
"Obrigada por me avisar " ela conseguiu dizer, embora sua voz estivesse embargada.
Quando a ligação terminou, Eloise ficou em silêncio por um longo tempo, o celular ainda em suas mãos. A sensação de realidade parecia escorregar por entre seus dedos. Ela olhou pela janela, observando as folhas laranja e amarelas caírem suavemente das árvores. O outono nunca pareceu tão silencioso.
Eloise sabia o que precisava fazer. Saiu rapidamente da universidade e dirigiu-se direto para a casa de Sophie. O caminho pareceu interminável, com cada segundo passando lentamente, enquanto sua mente revivia tudo o que havia acontecido. Quando chegou, bateu na porta com urgência, e Sophie abriu, percebendo imediatamente que algo estava errado.
"O que aconteceu?" Sophie perguntou, preocupada.
Eloise entrou, os olhos brilhando de choque.
"Theo... está morto" disse finalmente, sem rodeios.
Sophie piscou, atordoada.
"O quê? Como assim?" Sophie tentou entender.
"Houve um acidente" Eloise continuou, as palavras ainda soando irreais para ela. "Uma explosão em um iate... Ele estava lá, Sophie. Ele morreu."
Sophie processou a notícia, mas como advogada, sabia que precisava de mais detalhes. Pegou suas chaves, puxou Eloise pela mão e ambas correram para o carro.
"Vamos até o porto" Sophie disse, já acelerando o carro. "Precisamos confirmar isso."
O caminho até o porto parecia curto, mas para Eloise, cada quilômetro era uma montanha de pensamentos. Ela sentia um misto de alívio e culpa. Afinal, seria o fim da sua dor? Ou um começo de um novo tipo de tormento?
Quando chegaram ao porto, o local estava cercado por jornalistas, policiais e curiosos. Sophie estacionou o carro o mais próximo possível, e as duas desceram, caminhando até os oficiais. As sobras do iate estavam à vista, uma embarcação carbonizada e destroçada que boiava, parcialmente submersa, entre destroços espalhados. Era um cenário de pura destruição.
"É isso?" Eloise sussurrou, quase incrédula. Ela mal conseguia acreditar que aquele era o fim de Theo.
"Senhoras, não podem se aproximar mais" um dos oficiais advertiu.
Sophie tomou a frente, mostrando sua credencial de advogada.
"Estamos aqui em nome da senhora Eloise Sharpe. O marido dela era uma das vítimas. Ela precisa de uma confirmação oficial."
O policial assentiu e as guiou até a área onde os restos do iate ainda eram examinados pelos investigadores. O cheiro de queimado estava no ar, misturado ao sal do oceano. Era um cheiro de fim, um cheiro de morte.
Sophie observou tudo com atenção, tentando obter mais informações, mas era claro que não havia mais nada a ser feito. Os restos mortais estavam sendo levados para a identificação, mas a confirmação já era quase certa. Theo Sharpe havia sido uma das vítimas fatais. Eloise, por sua vez, olhava para o mar, sentindo uma paz desconhecida se instalar no peito. Pela primeira vez em anos, ela se sentia realmente livre.
O oficial se aproximou novamente e disse a elas que precisariam aguardar alguns dias para a liberação dos corpos, mas já estava claro: Theo não voltaria mais. E, por mais estranho que parecesse, Eloise sentiu as lágrimas finalmente escorrerem de seus olhos. Não eram de tristeza, nem de dor, mas de libertação.
Sophie segurou a mão de Eloise, apertando-a com firmeza.
"Acabou" ela disse suavemente, um sorriso de apoio surgindo no rosto. "Você está livre de verdade, Eloise. Finalmente. Mas agora você precisa fingir que essas lágrimas são de dor por ter perdido seu marido, consegue?
Eloise olhou para Sophie, depois para o mar, sentindo as correntes do destino se afrouxarem ao seu redor. Sim, ela estava livre. Mas o que viria a seguir, ainda estava para ser descoberto.
"Eu consigo!"
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My Salvation - Philoise
أدب الهواةQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
