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Quebrando Correntes

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O sol ainda nem havia nascido completamente quando Sophie chegou ao hotel onde Eloise estava hospedada. Eloise não havia dormido muito durante a noite; a adrenalina da decisão tomada no calor da madrugada ainda pulsava em suas veias. Era um misto de alívio e medo. Alívio por finalmente ter rompido o ciclo de violência e opressão, e medo pelo que viria a seguir.

Quando Sophie entrou no quarto do hotel, encontrou Eloise sentada na beira da cama, com os olhos cansados.

"Está pronta?"  Sophie perguntou suavemente, sabendo que Eloise precisava de força agora mais do que nunca.

Eloise assentiu, levantando-se. "Sim. Acho que estou. Mas não consigo evitar... Ele vai ficar furioso, Sophie. Theo nunca me deixaria sair sem lutar."

Sophie se aproximou e segurou a mão dela, oferecendo um aperto firme.

"Não se preocupe com isso. Ele já perdeu, Eloise. Agora é só questão de tempo para ele perceber que você não está mais sob o controle dele. Vamos buscar suas coisas e tirar você de lá para sempre."

Elas desceram até o carro de Sophie em silêncio, o som dos passos ecoando nos corredores frios do hotel. Enquanto dirigiam até a casa que Eloise compartilhava com Theo, a ansiedade de Eloise crescia a cada quilômetro. Sophie tentava distraí-la com palavras de conforto, mas Eloise sabia que estava prestes a enfrentar a raiva contida de Theo.

Quando chegaram à casa, Eloise respirou fundo antes de descer do carro. Sophie colocou a mão no ombro dela, num gesto de apoio silencioso, e ambas caminharam até a porta. Eloise inseriu a chave na fechadura, com as mãos trêmulas.

Assim que a porta se abriu, Theo já estava na sala, seu rosto fechado, olhos injetados de raiva.

"Onde você esteve, Eloise?" A voz dele saiu áspera, como se estivesse se contendo para não explodir.  "Você some a noite inteira e não me avisa nada?"

Eloise congelou por um momento, mas antes que Theo pudesse avançar, Sophie entrou na casa, seu rosto sério e determinado.

"Eloise não te deve mais explicações, Theo." Sophie disse com firmeza. "Eu estou aqui porque ela está sob minha proteção agora. Já estamos providenciando uma medida protetiva, e os papéis do divórcio serão entregues em breve."

Theo lançou um olhar furioso para Sophie, com os punhos cerrados.

"Você acha que pode simplesmente aparecer aqui e levar minha esposa embora?"  Ele deu um passo em direção a Sophie, mas ela se manteve firme.

"Não é sua esposa, Theo. Não no sentido que importa." Sophie o encarou, sem desviar o olhar. " Você a tratou como prisioneira durante anos, mas isso acaba hoje. Ela vai pegar as coisas dela, e você não vai impedir."

"Isso é loucura!" Theo exclamou, agora completamente fora de si.  "Vocês não podem fazer isso! Eu não vou perder tudo assim!"

Sophie se aproximou de Eloise, que ainda estava paralisada com o medo. "Vá, pegue suas coisas. Rápido."

Eloise assentiu e subiu as escadas, quase tropeçando em sua pressa. Entrou no quarto, onde pegou as roupas que havia preparado mentalmente. Colocou na mala suas peças mais valiosas, mas também se certificou de pegar seus documentos, objetos pessoais e, principalmente, seus materiais de trabalho da universidade.

Enquanto Eloise estava ocupada, Theo continuava a argumentar com Sophie na sala de estar.

"Você está acabando com a minha vida!" Ele cuspiu as palavras.  "Sabe o quanto eu sacrifiquei por ela? Sabe o quanto fiz por nós? E agora você aparece aqui como se fosse a heroína, achando que pode levar tudo embora?"

Sophie manteve a calma, mas sua paciência começava a se esgotar.

"O que você fez por ela foi abuso, Theo. Você controlou cada aspecto da vida de Eloise. Mas agora acabou. Ela não precisa mais de você, e definitivamente não precisa do seu controle."

Theo deu uma risada amarga, uma mistura de desespero e raiva.

"Vocês não entendem. Isso não é só sobre Eloise. É sobre minha vida. Minha reputação. Eu tenho influência por causa dela. O que você acha que vai acontecer comigo quando todos descobrirem que minha mulher me largou?"

"Isso não é problema nosso, Theo." Sophie respondeu friamente. "Você não tem mais o direito de usá-la para conseguir o que quer. Aceite isso."

Theo se calou, rangendo os dentes. Ele sabia que Sophie tinha razão, mas a fúria dentro dele o cegava. Quando Eloise desceu as escadas, ele se virou para ela, o rosto contorcido de raiva.

"Você realmente vai me deixar assim? Vai jogar tudo fora?"

Eloise parou por um momento, sentindo o peso das palavras dele. Por anos, ela havia sido moldada a acreditar que não tinha escolha. Mas agora, depois de ter sofrido tanto, ela sabia que precisava se libertar.

"Já joguei tudo fora há muito tempo, Theo." Ela disse, a voz tremendo de emoção, mas firme.  "Só agora percebi que mereço uma vida melhor. E você não faz parte dela."

Theo parecia prestes a explodir, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, Sophie o interrompeu mais uma vez.

"É melhor você não tocar mais nela, Theo. Se tentar qualquer coisa, isso só vai piorar sua situação."

Eloise pegou sua mala e, sem olhar para trás, caminhou até a porta. O ar parecia mais leve quando ela finalmente saiu daquela casa. Sophie a seguiu de perto, e quando ambas chegaram ao carro, Eloise se permitiu respirar fundo, sentindo um alívio que nunca havia experimentado antes.

"Acabou, Eloise."  Sophie disse, entrando no carro. "Você está livre."

Eloise não conseguiu segurar as lágrimas. Era como se um peso imenso tivesse sido tirado de seus ombros. Pela primeira vez em anos, ela se sentia no controle de sua própria vida.

Enquanto isso, dentro da casa, Theo pegou o telefone com mãos trêmulas e discou o número de William, seu advogado.

"Eu preciso de você agora." Ele disse assim que William atendeu. "Eloise... Ela está saindo do meu controle, ela deu entrada no divórcio, juntamente com Sophie. Preciso fazer algo antes que ela destrua minha vida."

Do outro lado da linha, William suspirou.

"Theo, eu já te disse. A situação está complicada. Ela é inteligente. Não deixou nada no seu nome. Vai ser difícil conseguir qualquer coisa nesse divórcio, principalmente agora que ela tem Sophie ao lado dela."

Theo fechou os olhos, sentindo a raiva o consumir. Ele sabia bem que Sophie era uma das melhores – se não, a melhor – advogada que já pisou em Nova York, qualquer causa que ela pega é causa ganha.

"Eu não vou perder tudo, William. Não vou."

"Isso não depende de você, Theo." William respondeu. "A única coisa que você pode fazer agora é tentar salvar o que restar."

Theo desligou o telefone com um grito de frustração, atirando-o contra a parede. A sensação de perder o controle era insuportável. Ele sabia que a vida que ele havia construído ao redor de Eloise estava desmoronando, e não havia nada que ele pudesse fazer para impedir.

No carro, Eloise olhou pela janela enquanto se afastavam da casa. A cidade parecia diferente agora, como se Nova York fosse uma nova chance para ela, um lugar onde poderia recomeçar sem as correntes invisíveis que a prendiam a Theo. E embora ela soubesse que o caminho ainda seria difícil, pela primeira vez em muito tempo, Eloise sentia esperança.

Sophie, ao volante, olhou para ela com um sorriso encorajador.

"Vamos começar sua vida de novo, Eloise. E dessa vez, será do jeito que você sempre quis."

Eloise sorriu através das lágrimas. Ela ainda estava machucada, por dentro e por fora, mas agora, finalmente, começava a se curar.

My Salvation - Philoise Histórias para pegar e não largar. Descubra agora