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De Volta às Raízes

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O início de um novo ano sempre trazia consigo a promessa de um recomeço. Para Eloise, esse sentimento era mais forte do que nunca. Depois de tantos meses de dor e medo em Nova York, o retorno para Londres simbolizava mais do que uma simples mudança de cenário; era a oportunidade de redescobrir quem ela realmente era. Os últimos dias do ano anterior haviam sido passados na casa de sua mãe, Violet, um lugar repleto de lembranças calorosas da infância e da juventude. Estar de volta à sua terra natal, cercada pelo amor da família, era exatamente o que ela precisava, mas ao mesmo tempo, a sensação de dependência e o peso das memórias a faziam hesitar em se sentir completamente à vontade.

Apesar da recepção carinhosa de sua mãe e de seus irmãos, Eloise sabia que não poderia permanecer ali por muito tempo. Ela precisava de seu próprio espaço, de um lugar onde pudesse começar de novo, longe das lembranças de Theo e do casamento que a havia sufocado. Mas como ela poderia expressar isso sem parecer ingrata?

Uma manhã, enquanto o sol de inverno iluminava suavemente a casa, seu pai, Edmund, a chamou para conversar. Ele parecia especialmente animado, como se estivesse guardando uma surpresa para ela. Eloise, sempre perceptiva, sentiu que aquela conversa seria importante. Seguiu o pai até o escritório, um lugar onde as discussões mais sérias da família costumavam acontecer.

"Eloise, estou tão feliz que você está de volta" começou Edmund, sorrindo enquanto se sentava na poltrona de couro perto da lareira acesa. O calor do fogo preenchia o ambiente, criando uma atmosfera acolhedora. "Sei que esses últimos meses foram difíceis para você. Mas agora, de volta a Londres, quero garantir que você tenha tudo o que precisa para se sentir em casa novamente."

Eloise sentiu uma mistura de gratidão e desconforto. Ela sabia que seus pais estavam felizes por tê-la de volta, mas ao mesmo tempo, não queria ser vista como alguém que precisava ser cuidada, como se não fosse mais capaz de cuidar de si mesma.

"Obrigada, pai. Eu também estou feliz por estar de volta, de verdade." Ela hesitou, tentando encontrar as palavras certas. "Mas... não posso ficar aqui para sempre. Não acho justo com vocês. Depois de tanto tempo longe, voltar a morar com vocês... parece que estou retrocedendo. Preciso recomeçar, sabe?"

Edmund a olhou com compreensão, como se já esperasse aquelas palavras. Ele se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.

"Eu sabia que você sentiria isso, Eloise. E é exatamente por isso que quero te oferecer algo que pode ajudar nesse seu recomeço."

Eloise franziu a testa, confusa.

"Oferecer algo?"

Edmund sorriu e assentiu.

"Uma casa. Aqui, na propriedade Bridgerton."

"Uma casa?" Eloise repetiu, surpresa. "Pai, eu não posso aceitar. Não é necessário, eu posso encontrar um lugar, alugar um apartamento talvez. Não quero ser um fardo."

"Um fardo? De jeito nenhum, minha filha" disse Edmund, segurando gentilmente a mão dela.  "Temos várias casas na propriedade, e uma delas é perfeita para você. Ela fica perto da casa de Anthony e Kate, então você teria sua própria privacidade, mas ainda assim estaria perto da família. E mais importante, essa casa..." Ele fez uma pausa, olhando nos olhos de Eloise.  "Foi pensada para você desde quando era pequena. Sempre soubemos que você precisaria de um espaço seu, onde pudesse viver com liberdade."

Eloise ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras do pai. A ideia de ter sua própria casa era tentadora, mas ela temia que aceitar aquilo significasse se prender mais uma vez à sua vida antiga, quando tudo o que mais desejava era se libertar de qualquer laço que a ligasse ao passado.

"Pai, eu não sei..." começou ela, hesitante.

"Eu sei que você valoriza sua independência, Eloise, e é exatamente isso que quero te dar" continuou Edmund, com um sorriso encorajador. "A casa é sua. Não quero que você pense nisso como uma dívida ou um favor. É um presente, de pai para filha. Você merece ter seu próprio espaço, onde pode ser quem você quiser, sem pressões."

Ela olhou para o pai, vendo a sinceridade em seus olhos. Ele realmente acreditava que aquele era o melhor caminho para ela. Além disso, a proximidade com Anthony e Kate poderia ser um conforto, ao invés de um peso.

"Eu... bem, tudo bem" disse ela, finalmente sorrindo. "Se você acha que é o melhor, eu aceito."

Edmund abriu um sorriso largo, claramente aliviado com a resposta.

"Você não vai se arrepender, Eloise. Vai ser o lugar perfeito para esse seu novo começo. E prometo que não interferiremos, a menos que você peça."

Nos dias seguintes, Eloise visitou a casa que seria seu novo lar. Uma bela propriedade com um jardim espaçoso e uma estrutura charmosa, envolta por árvores altas que a protegiam dos olhares curiosos. O interior era aconchegante, com uma lareira grande na sala de estar e janelas que permitiam a luz do sol invadir o espaço com suavidade.

Enquanto caminhava pela casa, Eloise começou a imaginar sua nova vida ali. Era exatamente o que ela precisava: um lugar só seu, onde poderia respirar livremente, sem as sombras de Nova York ou as lembranças sufocantes de Theo. Ela já conseguia visualizar suas tardes trabalhando nos projetos da universidade, ou até mesmo recebendo Penélope e Francesca para longas conversas ao redor da lareira.

No entanto, antes de se mudar, havia uma última pessoa com quem precisava conversar: Anthony. Sabia que ele estaria envolvido em qualquer decisão sobre a casa, e queria deixar claro que não estava ali para ser uma intrusa.

Naquela tarde, Eloise foi até a casa de Anthony e Kate, que ficava a uma curta caminhada de sua nova residência. Anthony a recebeu com um sorriso caloroso.

"Irmã, é bom ver você" disse ele, abraçando-a. "Como está se sentindo? Gostando da ideia de ter sua própria casa?"

"Ainda estou me acostumando com a ideia" respondeu Eloise, sorrindo. "É estranho pensar que vou ter um lugar só meu, depois de tanto tempo."

Anthony a conduziu até a sala de estar, onde Kate os esperava com uma bandeja de chá.

"Você sempre foi independente, Eloise" disse Anthony enquanto servia uma xícara de chá para ela. "E se alguém merece um lugar para chamar de seu, esse alguém é você."

Eloise sorriu, sentindo o apoio incondicional do irmão.

"Eu só..." Ela hesitou, olhando para o chá em suas mãos. "Só não quero ser um fardo para ninguém. Sei que vocês têm suas próprias vidas, e não quero atrapalhar."

Anthony deu uma risada baixa e sacudiu a cabeça.

"Eloise, você nunca foi um fardo. Você é nossa família. E além disso, ter você por perto vai ser ótimo. Kate e eu estamos animados em ter sua companhia. Não pense nisso como um peso, mas como uma oportunidade de recomeçar com o apoio de quem te ama."

Eloise respirou fundo, sentindo o peso da relutância se dissolver.

"Obrigada, Anthony. Isso significa muito para mim."

Enquanto a conversa fluía, Eloise percebeu que finalmente estava pronta para recomeçar. A casa, a família, o novo começo... tudo estava se encaixando. E pela primeira vez em muito tempo, ela se sentia verdadeiramente livre.

My Salvation - Philoise Histórias para pegar e não largar. Descubra agora