Penélope desembarcou em Londres com o coração pesado. O reencontro com Eloise em Nova York não saía de sua mente, e por mais que ela quisesse acreditar que sua cunhada estava apenas sobrecarregada com o trabalho, algo em seu instinto dizia que havia muito mais por trás daquele cansaço. Eloise parecia frágil, esgotada, e a maneira como evitava falar de Theo apenas aumentava suas suspeitas.
Enquanto o avião taxiava na pista, Penélope tentou racionalizar seus sentimentos. Talvez fosse apenas preocupação exagerada de sua parte. Talvez Eloise estivesse realmente atolada com a universidade e os desafios de viver longe da família. Mas aquele olhar... Penélope não conseguia esquecer o olhar vazio de Eloise, como se a amiga estivesse sempre esperando o pior.
Após passar pela alfândega e pegar sua bagagem, Penélope entrou em um táxi e foi direto para casa, tentando se acalmar. Colin estava fora em uma missão policial, então ela teria tempo para refletir antes de precisar encarar qualquer pergunta sobre como foi sua viagem. Mas, para sua surpresa, ao entrar pela porta, encontrou Francesca sentada no sofá da sala, tomando um chá. Francesca, a irmã gêmea de Eloise, sempre teve uma conexão especial com ela, e Penélope sabia que, se alguém entendesse o que estava se passando com Eloise, seria Francesca.
Francesca levantou os olhos assim que Penélope entrou e deu um sorriso pequeno, mas genuíno.
"Pen, bem-vinda de volta! Como foi Nova York? Cheguei aqui e Colin não estava então resolvi te esperar."
Penélope sorriu de volta, mas havia uma tensão que ela não conseguia disfarçar.
"Oi, Fran. Foi... interessante."
Francesca, sempre perspicaz, notou a hesitação no tom de Penélope. Ela estreitou os olhos, colocando a xícara de chá sobre a mesa e cruzando os braços.
"Interessante como? Você viu a Eloise, certo? Como ela está?"
Penélope suspirou, sentindo um nó se formar em seu estômago. Não sabia se deveria abrir tudo para Francesca naquele momento, mas a expressão preocupada da cunhada e amiga a fez perceber que Francesca já suspeitava de algo.
"Eu a vi, sim. Fui até a casa dela, de surpresa. E... para ser sincera, Fran, não gostei do que vi."
Francesca se sentou mais ereta no sofá, a tensão em seus ombros se tornando visível.
"O que você quer dizer com isso? Ela parecia... diferente?"
Penélope assentiu, sentando-se ao lado de Francesca e olhando para suas próprias mãos, que estavam entrelaçadas nervosamente.
"Ela estava tão... distante. Cansada, exausta. E não parecia apenas cansaço físico, sabe? Era algo mais profundo, como se ela estivesse carregando um peso que não consegue compartilhar."
Francesca franziu o cenho, claramente preocupada.
"Você acha que tem algo a ver com Theo? Eu sempre tive uma sensação ruim sobre ele. Ele nunca foi muito aberto com a nossa família, e Eloise se afastou muito depois que se casou com ele."
Penélope suspirou, finalmente desabafando o que a estava atormentando.
"Acho que sim. Theo não estava lá quando eu cheguei, mas a maneira como Eloise falava dele... ou melhor, não falava... me deixou inquieta. E ela não deu nenhuma razão concreta para não ter vindo ao aniversário de Edmund. Foi como se ela estivesse inventando desculpas. E você sabe como Eloise é, sempre tão direta. Isso não é dela."
Francesca mordeu o lábio, pensativa. Ela conhecia Eloise melhor do que ninguém, e o comportamento descrito por Penélope soava alarmantemente fora de caráter.
"Eu também tenho sentido que algo está errado. Eu tento ligar para ela, e às vezes ela parece normal, mas outras vezes... há algo na voz dela que me preocupa. Eu pensei em voar até Nova York, mas com o trabalho e tudo mais, acabei adiando. Agora estou me arrependendo."
Penélope olhou diretamente para Francesca, sabendo que precisavam agir de alguma forma. Elas não podiam mais ignorar as intuições que estavam gritando dentro delas.
"Fran, acho que precisamos fazer algo. Eloise não vai nos contar o que está acontecendo, não enquanto Theo estiver por perto. Ela parece com medo dele. Talvez devêssemos confrontá-la, ou encontrar outra forma de saber o que está realmente acontecendo."
Francesca balançou a cabeça, concordando.
"Você tem razão. Se há algo errado, e parece que há, não podemos ficar paradas esperando. Eloise sempre foi teimosa, e se está tentando proteger Theo ou a si mesma, vai ser difícil fazê-la falar."
"Exatamente. Estava pensando... se fôssemos juntas, talvez ela se sentisse mais confortável. Mas também... eu me pergunto se Theo permitiria isso. Ele sempre foi controlador, e tenho certeza que ele não gosta que ela tenha contato com a família."
Francesca assentiu, os olhos fixos no nada enquanto tentava pensar em uma estratégia.
"Talvez a gente precise agir com cautela. Se confrontarmos Theo ou Eloise de uma vez, podemos acabar afastando-a ainda mais. Precisamos ser sutis. Mostrar a Eloise que estamos aqui, que ela pode contar conosco, sem pressioná-la diretamente."
Penélope concordou, mas ainda havia um senso de urgência queimando dentro dela.
"Certo. Eu concordo. Mas, Fran, se houver algo sério acontecendo... não podemos perder tempo. Não podemos deixar que ela fique presa nisso por mais tempo. Você sentiu o que eu senti quando falei com ela. Não é só trabalho ou estresse comum."
Francesca assentiu novamente, mais determinada agora.
"Vamos planejar isso com cuidado. Talvez a gente possa mandar alguém para ficar de olho em Theo, ou tentar descobrir o que ele está fazendo enquanto estamos aqui. E, ao mesmo tempo, começamos a trabalhar para ganhar a confiança de Eloise, para que ela saiba que estamos do lado dela."
Penélope sorriu, agradecida por ter Francesca ao seu lado nesse plano. Juntas, sabiam que seriam capazes de descobrir a verdade e, mais importante, salvar Eloise antes que fosse tarde demais.
"Vamos descobrir uma maneira de ajudar Eloise, Pen. Ela não está sozinha, mesmo que pense que está."
"Não, ela não está. E nós não vamos desistir até tirá-la dessa."
As duas passaram as próximas horas discutindo as possíveis abordagens, seus corações pesados com a preocupação por Eloise, mas com a determinação de que não deixariam Theo continuar com seu controle sobre ela. Sabiam que seria uma batalha delicada, mas estavam prontas para enfrentar qualquer obstáculo pelo bem de Eloise.
A decisão estava tomada. Eloise precisava delas, mesmo que ainda não soubesse disso. E juntas, Penélope e Francesca fariam o que fosse preciso para descobrir a verdade e libertar sua irmã da sombra de Theo.
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My Salvation - Philoise
Fiksi PenggemarQuando eu me vi perdida em meio às minhas tempestades, você foi o meu raio de sol... Quando pensei que estava destinada a sofrer, você trouxe a luz que eu jamais imaginei encontrar... Eloise Bridgerton passou anos aprisionada em um relacionamento se...
