~ Violet Claire ~
— De novo! - falou o diretor pela vigésima vez, não quero demonstrar mas sinto vontade de arrancar esse laço que puxa cada vez mais meu cabelo da cabeça.
Porra. Percebo a irritação também no rosto de Bruno, que também se esforça para manter a paciência. Já deve ser a milésima vez que o mesmo nos interrompe no meio da gravação, não sei o que ele quer, já perguntamos mas ele apenas diz para fazermos de novo e de novo. Desço de cima do piano sentindo meus pés podres de tanto ficar nesse salto.
Já devemos estar no quinto take do clipe, onde Bruno está de pé de frente para mim com o microfone de chão cantando, enquanto eu sensualizo em cima do piano cantando junto com o mesmo. Retornarmos as gravações e novamente:
— De novo! - gritou.
Bruno larga o microfone apertando os olhos e colocando a mão na cintura olhando diretamente para o diretor enquanto as luzes voltam a se acender.
— Porra...O que tem de errado? - questiona e um silêncio se instala no homem que não o responde.
— Já fizemos o mesmo take várias vezes, cacete meu pé está apodrecendo. - digo a ele, que novamente não responde.
Bruno me encara agora e se dirigi a mim baixinho.
— Vou voar nele. - sussurra e sorrio, me apoiando no instrumento para poupar meu pé, ele parece perceber meu incômodo quando volta a dizer. — Tire isso, - diz mais alto e fazendo um movimento de desconforto com a mão.
Bufo.
— Como se pudesse. - murmuro para mim mesma.
— Está te machucando, então tire. - diz mais exigente, como se fosse uma ordem.
— Vamos gravar agora- sou cortada.
— Precisamos de um descanso afinal - diz depois me chamam para sair do cenário, antes que conseguíssemos dar o primeiro passo, uma voz alta nos interrompe.
— Esperem! Eu já assisti mil vezes os outros takes e já sei do que precisamos. - fala se levantando e chegando paga perto de nós. — vocês tem uma química muito sensual - acho que estou pegando fogo, minha cara está quente. — Oh, querida... a química de vocês é incrível mas.... Falta uma coisinha e que já sei o que é- passa a mão pela pelugem em seu queixo.
Ouço Bruno rir abafadamente.
— Um beijo... a essência da música... é-é disso que ela precisa. - diz fazendo movimentos estranhos e tocando em meu rosto.— Vocês tem que parecer um casal separado mas que ainda se amam, vocês precisam entrar mais no personagem! - sinto meu corpo arrepiar quando sua mão fria desliza pelo meu maxilar. — Sensualize mais! Você é nova mulher... se mexe! - olho para ele indignada.
Sempre fui tímida, mas agora isso parece triplicar quando tenho que sensualizar na frente de Bruno. Por algum motivo isso me faz querer enfiar a cara em um buraco.
— M-mas a música é sobre um casal separado que estão sofrendo. - digo sentindo sua mão se afastando de mim.
— Que ainda se amam, ainda sentem aquilo que faz você querer agarrar aquela pessoa. Vamos gravar o beijo depois dessa cena, agora... sensualize, mostre sua essência. - disse dando uma piscadinha.
Mais que merda. Porra! Alguém se aproxima de mim e um ar quente toca a minha orelha.
— Não está constrangida, está ? - olho para seus olhos de avelã próximos e não aguento respirar.
—Mars! Você está cantando com pouca intensidade, coloquei o sentimento do personagem para fora, homem! - grita o diretor vendo o antigo take pela... perdi as contas de quantas vezes.
Sorrio e me afasto, voltando para o piano. Encho os pulmões de ar e volto para cima do instrumento. Cruzo as pernas e jogo o corpo para trás, olhando para a Bruno que fica de pé de frente para mim e segura o microfone com as duas mãos, quando olha para mim logo desvia o olhar para algum ponto atrás de mim. Ouvimos o diretor gritar para começarmos e a música alta começa.
A câmera se aproxima de meu rosto e passo a mão contornando o maxilar, como sei que está focando em minha boca passo a unha pela mesma e agora olho para a direção da câmera. Atrás e distante o diretor me envia um joinha, sigo fazendo o playback. Pode parecer estranho mas gostaria de estar cantando de verdade.
A agora a câmera gira para o rosto de Bruno, que levanta os braços como se pudesse agarrar algo no ar e me encara. Outra vez, minha cena. Desço do piano dando uma leve rebolada e caminho devagar em direção a Bruno, quando chego, arranco o microfone de sua frente para que eu possa me aproximar. A distância agora é mínima. Passo a mão por cima de seus ombros contornando seu rosto com as unhas até chegar no queixo. Suas mãos descem de meus braços até a minha cintura.
Estranho pois a música já devia ter cortado, acabado para gravarmos a cena seguinte separadamente. Nenhum grito. Bruno canta seu último verso e espero o grito do Diretor para me distanciar. Mas isso nao acontece. A música não para. O braço de Peter parece ainda mais firme em mim e agora sua mão sobre para meu pescoço e desliza até a parte de trás do meu cabelo. Sinto minha espinha se arrepiar.
Mas, o que
Sem me dar muito tempo para pensar sinto sua boca beijar a minha, seguro sua nunca e o trago mais para perto. Sinto seus lábios moldarem um sorriso e me puxarem ainda mais para perto. Sua mão serpente-a as minhas costas fazendo desenhos. Como na noite do beco. Desço a mão pelos seus braços até agarrarem suas costas e quando seus lábios se afastam dos meus bem lentamente. Seus olhos se abrem e encaram os meus.
Um grito vem de longe, de muito longe, muito mesmo. Algo sobre cortar algo. Mal entendo. Um sorriso involuntário se forma em minha boca e vejo a marca do meu batom na de Peter, que também sorri.
— Porra! Perfeito! Nem precisamos gravar a cena separada. Porra! Isso aí! - o berrante sai de trás das câmeras gritando ao ver o resultado.
Olhando para o diretor percebo que, eu beijei na frente de várias pessoas e que ainda estou agarrada a Peter. Me afasto um pouco do seu aperto mas seu braço não afrouxa para que eu possa sair. Quando olho para o Diretor e a equipe ele parece entender e sai tira seu braço. O mesmo pisca e pigarreia voltando seu olhar a direção.
Quero explodir. Deus do céu. Busco Olívia e ela parece querer explodir tanto quanto eu, a única diferença é que está com os braço agarrado ao de Dylan e os dois gargalham abafadamente. Puta merda. Quero sair da frente de todos esses holofotes. Espero mais alguém falar alguma coisa além dos berros do homem que saltita a nossa frente.
— Q-que bom ficou bom. - falo e os olhares do doido se voltam para mim. Ele agarra minha mão.
— Ficou perfeito, bom é pouco. - ele se aproxima afastando o meu cabelo. — Que química hein. - e dá uma piscadinha para Bruno.
O mesmo mal consegue segurar a risada. Ando para descer do pequeno palco e vejo a mão de Peter estendida para mim. Penso mil vezes em aceitar sua ajuda para descer. Seus olhos avelã ainda esperam a resposta. Me agarro a sua mão e desço os alto degrau.
— ele tem razão... bom é pouco. - sussurra para apenas eu ouvi. Não resisto ao sorriso malicioso que insiste a aparecer.
Cacete. Minha vida está virando de cabeça para baixo.
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Capítulo não revisado
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Em cima dos palcos
Fiksi RemajaViolet Claire é uma cantora famosa que faz inúmeros espetáculos pelo mundo. Do outro lado, outro fenômeno da música Bruno Mars, a história de ambos se cruzam e assim uma nova Era nasce.
