47 Vitamina V

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Violet Claire

Sinto um olhar queimar todo o meu corpo e incendiar meu rosto, abro os olhos tentando ver entender quem está me olhando feito um-

— Psicopata. - digo ao encontrar os olhos de Peter sobre mim e sem querer o assustando.

Tento me levantar de cima do seu corpo sem o machucar ou tentando não acertar uma costela. Uma risada abafada vem do mesmo que volta a me queimar com os olhos.

— Cacete você me assustou - solto um riso frouxo.

— Eu te assustei? Era você que estava me olhando igual um psicopata. - falo enquanto me sento na cama, vendo que já está quase de noite. — Eu dormi muito. - constato.

Peter não parece se preocupar com quantas horas eu dormi. Nem mesmo lhe ofereci alguma coisa para comer, apenas dormir em cima do mesmo por horas. Deve estar com fome ou com sede.

— Você 'tá aqui desde que eu dormi? - me refiro a ele não ter saído do quarto durante todo esse tempo.

Ele parece pensar um pouco para responder.

— Não, eu sai e voltei. - comenta.

— Desculpe por ter apagado em cima de você. - peço me sentindo culpada. Não sei como seu corpo inteiro não está dormente.

Peter revira os olhos e joga um travesseiro em cima de mim, o pego antes de atinja meu rosto e me deixe pior do que estou.

— Acredite, Vi. Eu estava ansioso para ter você por perto de novo. - admite com a maior suavidade, como se já estivesse com essa frase pronta na ponta da língua.

Me sinto uma adolescente de dezesseis anos quando sinto meu rosto esquentar, o que não acontecia a muito tempo pois minha pele sempre esteve muito fria. Rolo os olhos pelo quarto até parar para pensar que devo estar horrível. Porra por que eu não acordo bem como aquelas mulheres da novela?

— Eu vou- penso em qualquer coisa para fugir desse assunto. — escovar os dentes. - quando as palavras saem da minha boca sinto a vergonha se entranhar em cada célula do meu corpo.

Puta merda será que eu estou com mal hálito? Será que eu tenho mal hálito de manhã? Antes que Peter se sinta na obrigação de falar qualquer coisa eu saio correndo dali. Estou agindo como uma criança, que ridículo.

Quando saio do quarto novamente não encontro os olhos grandes de Bruno vagamente pelo meu quarto até cairem em mim. Reparo que não há mais caixinhas nem cartelas vazias jogadas pelo chão. Ao mesmo tempo que tenho vontade de vomitar tenho uma leve sensação de cuidado. Não queria que ele me visse assim, não queria que visse tudo isso.

Agradeço pela privacidade e busco alguma roupa para vestir depois do banho. Pela primeira vez em muito tempo a água do banho é somente... água de banho, sem lágrimas se misturando aos meus pés. Peter viajou até aqui por mim, suportou horas e horas de viagem até aqui, não parou de me buscar quando desapareci.

Me sinto pessima por fazê-lo sofrer, por ter causado nele esse sentimento terrível. Por ter feito perder horas de seu tempo matutando onde eu estaria. Me sinto horrível e ao mesmo tempo uma sensação estranha passa por todos os átomos do meu corpo.

Sentir o calor de sua pele batendo na minha e criando uma conexão maior é uma das melhores sensações do mundo. Sua voz me arrepia e me consola. É surreal o quanto sua presença faz uma diferença gigante, é como se os cantos da minha boca quisessem sorrir involuntariamente só de olhar para ele.

Em cima dos palcos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora