51 - A letra da nossa história

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Violet Claire

A música é lançada hoje. Estou me corroendo de ansiedade para ver a reação das pessoas, sei que vou ser xingada e atacada. Esses últimos tempos me mantive em total silêncio, desapareci, apenas em respeito aos fãs mantive atualizadas cartas. Estamos todos juntos na casa do Bruno, faremos uma comemoração com o novo lançamento.

— Esta nervosa? - pergunta Olivia, entrelaçando sua mão na de Dylan. Ela também mudou o visual, agora os cachos estão mais curtos e com algumas mexas iluminadas.

— Um pouco. Quero ver os comentários e oque as páginas de história fofocas vão comentar. - digo me jogando no sofá de frente para eles.

— Seja lá o que vão falar, você está maravilhosa e vocês arrasaram. Eu não consigo tirar a letra da cabeça - ri.

Bruno se aproxima com duas garrafas de bebida alcoólica na mão e se senta ao meu lado. Observo enquanto ele abre uma delas e despeja o líquido dourado nos copos de todos. Observo a contagem regressiva para o lançamento de Please Me.

Estou tão ansiosa, quero que gostem da música.  Sinto as costas de Bruno afundaram a nossa almofada, então olho para ele buscando a mesma ansiedade que eu sinto mas aparentemente ele está muito... tranquilo.

— Não está ansioso ? - pergunto franzindo as sobrancelhas. Talvez eu seja a única cantora que quase vomita antes de lançar músicas.

— Não... estou... feliz. - olha para cima, como se buscasse as palavras certas. Depois me lança um sorriso ladino e bate sua taça na minha.

— Porra.... Estou me corroendo por dentro. - digo passando as mãos nas coxas e bebendo o líquido todo de uma vez só.

Ele segura minha mão forte e procura meu olhar novamente.

—Relaxa, a música tá foda. Impossível não gostarem. - fala como se fosse óbvio.

Talvez seja óbvio. Mas para mim é como se uma bomba atômica estivesse prestes a explodir, foram meses longe da internet e aparecer assim de repente causa surpresa nas pessoas.

—Foram meses longe... eu não sei como vão reagir. - respiro fundo, mas logo me recomponho. — Não importa, se não gostarem não há o que fazer, que se foda os haters. - digo séria.

Ouço passos rápidos vindo em direção a sala e vejo Cardi B com uma taça de álcool na mão.

— É isso aí! Que se foda os haters! - levanta o líquido que logo cai na sua garganta.

— Gente falta poucos minutos. - diz Dylan se debruçando sobre os joelhos e mexendo no computador.

5 minutos.
4 minutos
3 minutos
2 minutos
1 minuto.

Bruno se levanta rápido e explode a champanhe, molhando um pouco o chão mas sem se importar. Está no ar. Oficialmente lançada. Entro em um estado de choque quando vejo as vizualizações subindo tão rápido. Ouço todos gritando e rindo alto,as não consigo me movimentar.

Os números sobem rapidamente, os comentários mais ainda. Como se fosse algo automático, abro rapidamente os comentários ansiosa para ler.

"PUTA MERDA ELA VOLTOU"
"CLAIRE VOLTOU"
"ARRASARAM PORRA"

Sinto minhas bochechas molharem e só então percebo que estou chorando. Uma mão quente encosta e empurra meu ombro, desvio meu olhar para Bruno ajoelhado na minha frente. Olho em volta, todos rindo e dançando a nova música, nem percebi quando a mesma começou a tocar. Eles parecem tão distantes.

— Vi? O que houve? - ele desvia o olhar para o computador aberto . —Ah, puta merda... não leia essas merdas, eles não sabem- percebo que o mesmo entendeu errado minhas lágrimas.

As seco e começo a gargalhar.

— Eu não estou chorando de tristeza. - quase berro. — Olha só! Leia isso. - digo mostrando as coisas que estão falando.

Em um passo de mágica seus olhos sorriem para mim. Ele se levanta e me puxa para um abraço apertado, quase me suspendendo do chão.

— Obrigada, obrigada, obrigada. - digo repetidas vezes antes que ele me coloque no chão.

A pesada mão afaga minhas costas.

— Obrigado você.- responde, deixando o ar quente sair de sua boca e beijar meu pescoço.

Caímos na realidade a nossa volta e dançamos todos juntos a nova música. Fizemos uma mini rave com bebidas a vontade, estava tão feliz com os números subindo que mal percebi que já era muito tarde da noite.

Com o tempo, a maioria foi indo embora ou se acomodando nos quartos da casa. Me despeço com uma abraço desajeitado, por causa da bebida, de Ol e Dylan. Rimos com o mesmo a ajudando a subir as escadas aos tropeços.

Bruno coloca sua taça de bebida em cima da mesa, e dança a música que agora toca mais baixa. Ao reparar que eu o observo dançar, sua mão se entende me convidando. Deixo meu copo de lado e agarro a mesma.

A música é tranquila, lenta, bem efeito final de festa. Sua mão desce para a minha cintura e levo a minha em seu ombro, remexemos sincronizados e tudo parece muito leve. É como se eu fosse uma pena. O homem me gira, fazendo minhas costas baterem no seu peito, me abraçando por trás.

Jogo minha cabeça em seu ombro e relaxo.

— Acho que minha ficha ainda não caiu. - digo rindo feito uma boba.

Sinto sua respiração quente tocar meu pescoço, e sua voz rouca me faz arrepiar.

— Que você é fantástica? - ri, daquele jeito abafado.

— Que deu certo. - eu li tantos comentários incríveis que me senti abraçada por todas aquelas pessoas.

— Não sei porque pensou que não daria. - comenta, como se fosse tudo muito simples.

Gargalho. As coisas não costumam dar certo de primeiro para mim.

— Você é uma artista do caralho. - completa, e gargalhamos juntos.

— As vezes eu nem acredito que você é real. - viro de frente, encarando-o mais de perto.

Percebo seus olhar oscilante. Deito minha cabeça agora em seu pescoço, colando nossos corpos e dançamos em um vai e vem tranquilo.

— Porra... você foi até o México para me encontrar, me procurou por semanas, não desistiu de mim... não soltou a minha mão. - abaixo o tom de voz, quase um sussurro. — não passou a me odiar. - me encolho um pouco.

Sinto sua mão pestanejar pelas minhas costas, apertando. Posso não o encarar mas sei que está sorrindo.

— Acho que é impossível isso acontecer. Caso o multiverso exista... tenho certeza que sinto o mesmo por você em todas as minhas versões. - sua voz quase some.

Como se uma energia estivesse nos envolvendo, como se a música tivesse nos envolvido, me afasto poucos centímetros, apenas para deixar que seus lábios toquem os meus. Descanso minha mão em seu rosto, puxando-o para mim, selando ainda mais nosso beijo.

Suas mãos me agarram ainda mais, como se estivesse tão ansioso para isso quanto eu. Sua língua dança em sincronia com a minha, assim como nossos corpos faziam antes. Afundo minhas unhas pelos seus cachos, sentindo a maciez.

O tempo a nossa volta pareceu parar, como se o mundo inteiro estivesse se silenciado para ouvir o som silencioso desse beijo. Como se a letra da música se encaixasse na melodia do nosso beijo. Me afasto para respirar, colando nossas testas.

Mesmo sem abrir os olhos sei que ambos estão sorrindo. Antes que eu consiga dizer alguma coisa, ele me rouba um selinho e me gira, entrando novamente no ritmo da canção. Gargalha alto pelo susto e ele me puxa novamente para perto.

— Você é a artista que escreveu a letra da nossa história. - diz.

Em cima dos palcos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora