45 reencontro

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Bruno Mars

Nos soltamos devagar, sinto o rosto dela cada vez mais perto, a poucos centímetros de mim. Apenas encaro seus olhos até que ela diga alguma coisa, ansioso para que diga alguma coisa, qualquer coisa. parece que ficamos anos se olhando. Sua mão gélida desce pelo meu braço, ela olha para a minha mão antes de sua voz ecoar pela sala.

— E-eu não sei o que dizer. - diz segurando minha palmas, como se estivesse buscando por calor. Rapidamente se vira para Dylan e o abraça, eles se abraçam por alguns segundos antes de se soltarem.

Violet enfia a mão dentro dos cabelos depois tenta ajeitar a blusa, com certeza tentando se arrumar mas... ela está linda desse jeito. Não parece ter acabado de acordar.

— Violet... meu Deus eu.... Eu estive louco atrás de você. - deixo escapar. Novamente ela se volta para mim, abrindo a boca mas apenas o ar sai.

Um ar pesado fica na sala, mas pouco me importa porque estou concentrado em adivinhar se o que eu vejo é real ou uma imagem.
Ao perceber, Olívia pigarreia e volta a falar.

— Que tal nos sentarmos? Assim podemos conversar direitinho... - sua voz morre quando Vi permanece em silêncio olhando para o chão com as mãos na cintura.

Voltando ao planeta Terra ela me encara e abraça a si mesma.

— Peter... podemos conversar? - pergunta. Peter. Meu nome fica mais bonito quando sai de sua boca

Afirmo com a cabeça e aceno para os dois que permanecem na sala. Caminhamos silenciosamente até o seu quarto, Violet vai na frente me dando a visão de suas costas, o cabelo ondulado batendo e balançando. Quando entramos a cama está desarrumada e vejo uma pequena pilha de remédios ao lado da cama, junto a um copo de água meio vazio. Engulo em seco. Será que todos aqueles remédios estão no seu organismo?

Ela fecha a porta atrás de si.

— Desculpa a bagunça. - falou parecendo envergonhada.

Me sento na cama e fico olhando para a mesma, esperando sua próxima fala. Ela se encosta na porta, a cabeça baixa mas logo me olha por alguns minutos em silêncio. Em poucos segundos lágrimas começam a escorrer pelas suas bochechas e Vi se aproximar para me abraçar.

Levanto a agarrando e chiando em seu ouvido, me pergunto o que está acontecendo, talvez não tenha gostado de me ver.

— Violet? Querida o que aconteceu? - pergunto tentando ver seu rosto mas está escondido no meu pescoço e sinto-o as lágrimas que pulam de seus olhos molharem meu ombro.

Ela não me responde. Apenas continua por mais um tempo antes de se afastar, não muito e olhar bem no fundo dos meus olhos. Parecia que estava conseguindo ver através deles.

— Eu só... estou tão feliz por você estar aqui. - ao ouvir a puxo para mais um abraço, sinto as costas mais leves.

— Achei que bateria a porta na minha cara. - digo e arranco uma risadinha dela, sei que faz um tempinho que ela não faz isso.

Novamente se afastando, a mulher a minha frente leva sua mão quente a minha bochecha, bate os cílios e água escorre por seu rosto. Isso não é só felicidade.

— Violet... não é só isso... - arrasto a voz. Em segundos sua expressão muda.

Fica séria, agora seu lábio inferior tem um leve espasmo ao tremer. Porra é tão nítida a tristeza invadindo sua mente. De novo, tenta se afastar, mas agora para longe de verdade, porém a seguro ainda perto e nos sento na cama.

— Me conta. - peço com cuidado.

— E-eu..... P-Peter.... É que... - se embola, ou enrola para dizer. — Cacete - só diz isso, colocando a mão na boca para conter o choro que vinha. — Me desculpa... me desculpa por ser toda essa confusão e trazer essa... essa bagunça para a sua vida. Me desculpe por entrar na sua vida e por transformá-la nesse inferno - as bochechas voltam a ficar molhadas.

Agarro seu rosto com as minhas mãos e limpo suas bochechas molhadas. Penso no que dizer. Puta merda, preciso ter cuidado com o que falar, preciso ter cautela com como vou falar. Minha vontade era de agarrar seu corpo e sacudi-la até que entenda que não tem culpa, que mesmo com todos atirando pedras na gente eu gosto de estar perto, que mesmo com tudo que aconteceu eu jamais me arrependeria de ter feito tudo que fizemos, do projeto fantástico que estávamos planejando e quase lançamos, de tudo.

Respiro fundo, tentando encontrar as palavras certas. Pigarreio antes de conseguir falar, e travo novamente quando me volto para seus olhos cravados em mim, vermelhos e com o dobro de tamanho que o normal.

— Violet.... Por Deus... q-quero que entenda uma coisa, uma coisa muito importante. Nunca, nunca em sua vida fale uma coisa dessas, nunca se desculpe por algo que não tem culpa, você é simplesmente... fascinante! O mundo lá fora não está pronto para a obra de arte que é você. E nunca peça perdão por entrar na minha vida, sou grato todos os dias por você estar nela, no tempo que estivemos distantes... eu fiquei perdido... é como se você tivesse virado uma bússola. Eu senti falta do seu toque- aproximo minha mão da sua, a agarro.

Está fria e um pouco trêmula. Sinto parte de mim morrer. Levo sua mão no meu peito, o choque térmico me atinge um pouco.

— Senti falta do seu olhar. - viro seu rosto para mim novamente. — falta dos seus sorrisos, falta do cheiro do seu cabelo, falta da sua voz, falta do som da sua risada, falta das suas piadas. Por favor... não venha me pedir desculpas por ter entrado na minha vida, acho que se isso não acontecesse eu nem sei como estaria hoje! Na verdade acho inevitável não nos cruzarmos nessa vida, porque não existe um caminho sem nos esbarrarmos. - ela ri, um sorriso verdadeiro, porém triste.

— Você estaria em casa, fazendo qualquer outra coisa sem ser estar com uma pessoa completamente na merda na sua frente, com um cigarro na mão. - ri e pisca com um olho só, mas logo para ao perceber que me mantenho sério.

— Eu estaria aqui, não necessariamente aqui no México mas do seu lado. - Vi encosta sua cabeça no meu ombro, a puxo para mais perto. Seu corpo que antes era quente está como uma pedra fria.

Afago suas costas, ela não chora mais. Só fica em silêncio e sinto suas lufadas de ar perto do meu pescoço.

Continuou agarrado a ela, sentindo que se a largar por um segundo irá se quebrar

Em cima dos palcos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora