Violet Claire
O dia foi turbulento, até demais. Fiquei o dia inteiro como uma zumbi, olhando para algo distante e completamente introduzida na minha cabeça. Apenas quero minha cama e tentar dormir, assim eu não me sinto assim por mais tempo. Conversei com minha mãe por horas, teve uma pequena discussão na equipe que eu não entendi mas também não perguntei. Fiquei longe do celular depois de ter terminado de conversar com a minha mãe.
Ah, minha mãe.
Ficou desesperada quando soube de tudo que está acontecendo, ficou desesperada quando teve seu celular invadido. Nada teria acontecido se eu não tivesse sido tão burra, ela não teria sido tão exposta milhares de vezes. Sinto falta de casa, sinto falta de abraça-la, de chorar em seu colo quando tudo dava errado.
Já está bem tarde mas não consigo dormir, tento ao máximo esquecer do celular e resistir a vontade de entrar e ler o que estão dizendo de mim. Talvez seja melhor não ver, até por que qual seria a novidade ?
Xingamentos
Ameaças
Áudios me xingando e falando coisas terríveis que fariam comigo.
Foto de mulheres violentadas
Pessoas dizendo que eu deveria me matar.
Como eu disse, nenhuma novidade. Por mais que eu sei que não deveria, é como se um força me puxasse, quisesse que eu lesse. Pego o celular, já posso sentir minhas mãos ficando gélidas. No meu perfil, o número de seguidores estranhamente não mudou tanto, mas não me importo com números, me importo com pessoas.
Os comentários da minha última foto dobraram, respiro fundo e penso mais um pouco, até que não resisto. Nenhum choque.
"Vagabunda aproveitadora"
"Dois sumidos"
"E ele ainda defende"
Um comentário me chama atenção. "E ele ainda defende"? Vou para o perfil dez Bruno e vejo que tem algo postado recentemente. Quando abro,um texto e percebo o porquê do comentário, Bruno fez um texto pequeno e postou, talvez tenha sido sua equipe.
Passo o olho mas algumas palavras me puxam atenção então leio a carta com mais calma, já tremendo.
" É inaceitável o que as pessoas estão fazendo, é inacreditável tamanha crueldade. Ataques na internet, não ficam apenas na internet. As palavras atravessam a tela do celular e atingem como uma adaga o coração de quem lê, de quem está sendo o alvo das mentiras que crescem todos os dias. É inaceitável que nos dias de hoje ainda existam pessoas com coragem de depositar tanto ódio sobre em alguém. Somos todos humanos, humanos possuem sentimentos, humanos tem plena consciência de suas ações, de como suas ações podem levar alguém ao extremo. É inadmissível o que está acontecendo. Se ponha um pouco no lugar do outro, pense um pouco fora da caixa! Pense um pouco fora da vida virtual, porque vida real existe. Dói, não dói? Sim, dói. Ouvir uma única pessoa falar algo maldoso sobre você, entristece, porque somos humanos, e novamente, humanos possuem sentimentos. Milhares? Fere, machuca, corta. Pense antes de falar, não é engraçado. É intolerável. A antipatia, a desumanidade humana ainda vai destruir o mundo."
Berro alto. Tapo a boca para evitar gritar, choro alto lendo cada palavra a minha frente. São tantos comentários, tantos ataques, tantos xingamentos, tantos problemas, tantos... tantos que eu já me perdi no meio dessa guerra. Eu já não vejo mais sentido nisso tudo.
Apenas atiram por atirar. Apenas ferem por ferir. Não entendo como isso chegou aqui, não entendo. Não consigo. Não aguento. A barricada estourou. Na caixinha de mensagem as coisas só pioram, mais e mais atrocidades. Falam sobre minha família, minha vida, falam atrocidades sobre Bruno e coisas que chegam a doer pensar que fariam com ele e comigo.
Quando entramos no mundo da música, não apenas na música mas no mundo da fama em geral, percebemos que nem tudo é um mar de rosas. A porta é aberta e a chave é jogada ralo abaixo. Quando se envolve em alguma polêmica grande? Ai e só aí a coisa se torna verdadeira. A gente percebe o quão longe a maldade humana vai.
Não vejo mais sentindo em continuar vivendo um fracasso anunciado, prendendo alguém que ainda pode brilhar. Tento secar as lágrimas do meu rosto, mas em segundos ele está completamente inundado de novo.
Todas as pessoas que eu me aproximam sofrem, todas as pessoas. É como se eu carregasse comigo uma energia, um peso... e-eu não sei. Caralho. Não penso nem mais um segundo, mal consigo enxergar as letras dos comentários que leio.
Jogo o celular para o lado e me levanto do chão, abro a porta do guarda roupa e puxo uma das malas enormes. Enfio todas as roupas dentro da mala, não consigo pensar direito... estou apenas concentrada em não inundar meu quarto esta noite.
Seco o rosto forte demais em um tentativa falha dele parar de se molhar e o sinto a bochecha arder. Prendo o cabelo e ponho um óculos para esconder a vermelhidão. Mais que merda. Mal a fecho direito e me sento na cama. Minhas mãos tremem, pego o celular e não consigo enxergar mais as teclas, abro no contato do Bruno.
Com certeza deve estar dormindo, esta tarde. Forço minha cabeça a pensar em algo para escreve, mas minha mente está a um milhão. É quase impossível focar em apenas uma coisa. Afobada me levanto da cama e dou apenas uma boa olhada para o quarto de hotel. Sei que é apenas um quarto de hotel, mas...
Abro a porta de forma bruta demais assustando os seguranças do andar que logo correm para a minha porta perguntar o que está acontecendo. Ignoro suas perguntas pelo simples fato da minha voz não sair, a garganta fechar.
— Senhori- tenta.
— Vamos embora, agora. - consigo dizer, minha voz sai rasgada, como se não falasse a anos.
— Está muito tarde... não- sei que está.
— Agora. - travo. Odeio fazer isso.
Chamo o elevador e ouço o silêncio se instalar. Dou Graças a Deus pelo andar estar fechado para mim, a essa hora alguém teria percebido a movimentação e tirado uma foto da minha cara ferrada. Agradeço também por ninguém fazer mais perguntas.
Entro no carro pela parte de trás no hotel. Percebo o olhar do meu motorista, sei que está preocupado, mas permanece em silêncio pelos minutos que ficamos com o carro parado.
—Senhorita? - antes que eu o corte ele fala rápido — Para onde vamos? - pergunta apenas e me suavizo.
— México - respondo insegura. - talvez- sussurro desviando do seu olhar penetrante.
O mesmo engole seco apavorado e logo liga o carro. Deixo o celular de lado e tento dormir um pouco com o balanço do carro.
Talvez isso tenha sido o melhor a se fazer no fim das contas.
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Em cima dos palcos
Teen FictionViolet Claire é uma cantora famosa que faz inúmeros espetáculos pelo mundo. Do outro lado, outro fenômeno da música Bruno Mars, a história de ambos se cruzam e assim uma nova Era nasce.
