41 se afogando no escuro

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Violet Claire

Eu estou novamente em cima dos palcos, sorrindo e vendo recebendo sorrisos de todas as partes. 50 mil pessoas aqui para me ver, me ouvir. Isso é mágico. Vou até a passarela do palco e começo a pular junto com a batida da música. Música agitada leva o público a completa loucura. Vejo inúmeros celulares levantados na minha direção e por um momento peço para que deixem o celular de lado para que possam curtir a música.

— Para cima galeraaa- grito animada e sentindo o suor escorrendo pela minha testa. Seguro o microfone com mais força quando sinto que chega a parte de entrar.

Sempre sinto um frio na barriga, um medo, medo de a minha voz não sair boa na hora ou que algo de errado mas sempre que eu começo eu não consigo parar. Porra é gratificante sentir tanta gente, sentir a energia tão forte fluindo.

I see my baby.... 1,2, 3 Let's go! - levo as mãos na cabeça quando falo a primeira fase dando uma rebolada e ouço alguns gritinhos. — One night I wondered how I could relate to you? - Percebo as vozes cantando comigo.

Aceno para algumas meninas grudadas na grade.

But then I remmebered your hands and the magic they do too- subo as mãos pelo meu corpo dando uma piscadela para um garoto a minha frente. — Our thoughts in tune drove me crazy and I felt like a Daisy. - fase uma cara de confusão e vejo a risada das pessoas já sabendo o que vem aí.

Vou para a parte de trás do palco onde as dançarinas já estavam me esperando em torno do pequeno sofá branco. Me sento e todas as meninas passam as mãos pelos meus braços enquanto dou uma respirada para continuar.

Speaking of the flower... that was the name that was on your cell phone, the strong smell on your clothes and in your hands the power! - digo e logo as meninas olham para a plateia a nossa frente. Espero a batida da música novamente.

Me levantando andando um pouco mais a frente e algumas meninas levam embora o sofá e saem do palco. Junto comigo Lisa e Yumi caminham para começarmos a dançar a animar o público.

I can buy myself flowers! - grito junto com o público. Esse trecho é uma homenagem para uma mulher que eu muito admiro. — I pay for my own drink and maybe the whole dinner, I'm indeed a winner. - digo por último.

De repente tudo fica um pouco mais escuro e a música um pouquinho mais baixa. Volto a abrir os olhos para ver os sorrisos e de repente me deparo com dentes ferozes em minha direção. Me desequilibro e olho para trás a procura de minhas bailarinas, e o que encontro é o mais claro nada.

Meu microfone cai no chão fazendo um barulho alto e ensurdecedor. Coloco as mãos sobre os ouvidos os sentindo doer, mas algo está estranho quando sinto um molhado saindo de dentro deles. Vejo sangue escorrer. Olho novamente para a frente, um vazio. Nada nem ninguém.

Rodo inúmeras vezes em busca de alguém e grito buscando ajuda. Choro e so paro de gritar quando ouço uma voz saindo da escuridão e do estrondo que fez o microfone. Uma mão toca levemente meu queixo, observo a figura iluminada na minha frente.

Uma luz reflete nos cabelos e no corpo de Bruno. Seus olhos me olham com pena. Me agarro em seu braço e imploro para que ele me tire dali, ele sorri e olha para baixo. Não entendo e volto a agarrar a gola de sua blusa, apenas quando sinto um líquido gelado e escuro cair na minha mão, me afasto.

Uma gota de sangue, em segundos Bruno está com uma aparência de dor, em sua blusa vários pontos vermelhos começam a aparecer jorrando sangue, como se ele tivesse levado vários tiros pelo corpo. Ele cai e agora ele que segura em minha roupa. Ele agoniza. Peço desculpas para ele me desespero.

Berro mais alto por ajuda.
Berro mais alto por ajuda.
Mas ninguém me ouve.

Me levanto suada, percebo que ainda está de noite. Foi apenas um sonho bizarro. Um pesadelo. Ver Bruno sangrando doeu como uma facada real, a sensação de ter o machucado com meu desaparecimento dói ainda mais. Vou até o banheiro e paro em frente o espelho para ver minha aparência, meu cabelo na frente está molhado de tanto que eu suei. Um calor absurdo sobe pelas pernas e queima até o pescoço, arranco toda a roupa e mergulho embaixo da água fria da banheira.

Sinto minhas células se contraindo em contato com a temperatura baixa. Deixo a mesma lavar meu cabelo e me afundo completamente por alguns segundos, deixando que os pensamentos sejam destruídos pela água. Relaxo o máximo que eu posso, até ver um flash na mente do rosto em sofrimento de Peter.

Subo até a superfície com a sensação de que algo me empurrava para baixo, não me deixando subir para respirar. Meus olhos ardem mas não sei se é pela água que os queimou ou se pelas lágrimas grossas que descem. Eu o machuquei. Eu o feri.

Como se não bastasse apenas eu me destruir, eu destruí Peter.

Em cima dos palcos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora