46 lobo em pele de cordeiro

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Bruno Mars

Ficamos algumas horas deitados na cama de Violet, depois de tanto chorar as lágrimas finalmente se cessaram. Ela dorme em cima de mim, parece tão leve e suave, mal dá para acreditar que é a mesma pessoa que estava chorando tanto a um tempo atrás. Sua pele quente esquenta a minha.

Continuo fazendo desenhos aleatoriamente nas suas costas. Os cílios descansando nas bochechas, os lábios volumosos entre abertos, as sobrancelhas claras agora relaxadas, as maçãs do rosto ligeiramente salientes, o leve sinal perto do nariz que só olhando bem para seu rosto é possível notar. Tudo nela lembra a paz e a calmaria, olhar para ela é como olhar para o oceano por horas e horas.

Me deixa puto assistir Violet assim, quebrada, sentindo-se culpada. A culpa pesa nas suas costas, uma culpa que não é dela. Acho que se fosse para descrevê-la em uma só palavra, eu me perderia no dicionário tentando escolher apenas uma. São tantas que poderia ficar dias listando. Doce. Sempre doce. É impossível estar perto dela e não sentir a doçura do seu olhar, a ternura da sua voz, o cuidado.

Ou então poderia ser engraçada. O poder do seu humor faz tudo ficar melhor, faz o mundo parecer suportável. O seu sorriso radiante te dá a impressão que somos planetas girando em torno do sol. Facilmente diria bela. A beleza delicada e ao mesmo tempo sensual, o cabelo volumoso e ondulado dando a ela um ar selvagem se encaixa perfeitamente e também entra em oposição com seu lado delicado e sua beleza fina. como um quebra cabeça ou um desenho, uma escultura impecável.

A vontade de berrar para o mundo até que vejam o que eu vejo é sufocante. Como não podem ver? Ou talvez se recusam a ver. Eu queria poder colocá-la no topo do mundo, no topo do prédio mais alto para que todos vejam seu encanto. Ao mesmo tempo tenho vontade de coloca-lá em um potinho, guarda-la só para mim, guarda-lá do mundo que não a merece. Para que seja somente minha, para que nunca mais seja machucada.

Sinto a respiração de seu peito se vc chocar no meu. Sei que Dylan e Olivia estão nos esperando lá embaixo mas não vou acorda-lá agora, está em um sono tão profundo e tão relaxado. Tento me mover sem interromper seu descanso, o que faço com sucesso pois a morena nem ao menos se mexe.

Fecho a porta com cuidado e logo estou do lado de fora. Sinto um leve arrepio pela falta do seu toque quente. Ao descer as escadas sem fazer barulho pego Dylan sentado no canto do sofá e Olivia quase em seu colo, com as pernas em cima de seu corpo.

Parece que agora está tudo bem entre eles. Isso é incrível, eles são um bom casal. Meu amigo parece mais relaxado, com certeza menos estressado, com certeza ainda cansado, mas um pouco melhor com Olívia mexendo no seu Cabelo.

Pigarreio para avisar que estou entrando, a mulher se apressa em tirar as pernas de cima de Dylan, mas antes que eu levante a mão para que fiquem a vontade, ele a puxa de volta, o que a faz olhar para  sua cara com olhar de repreensão .

— Como ela está? - pergunta o mesmo.

— Dormindo. - digo me sentando em frente aos mesmos no sofá, e afundando o rosto na almofada.

Olívia tomba a cabeça para trás e aperta os próprios olhos.

— sem remédios? - questiona e tiro meu rosto do acolchoado. Ela me olha com um sorriso negativo. — Ela se viciou neles. - termina.

Sinto meu corpo pesar. Estou tão perdido, não sei o que fazer para ajuda-lá, não sei o que fazer para aconselha-la, eu só sei que quero agarrar seu corpo e ficar o dia inteiro preso a ela.

— Porra... eu não sei... eu não sei mais o que fazer. - ambos notam o tom desesperado em minha voz. 

Um silêncio rápido paira, mas logo Ol o quebra.

— Ela estava bem ontem, acordou, tomou café na mesa, conversou com Rosa, teve consulta com a psicóloga e saiu de lá bem. Não entendi o que aconteceu para ficar assim hoje. - Olivia também parece desesperada.

Agora Dy comenta

— Recaída. Talvez devesse ter acompanhamento com um psiquiatra também. - Dylan diz e concordo. Por mas que Violet esteja se dopando e ingerindo muitos remédios, um acompanhamento com um psiquiatra talvez possa a ajudar, tomar algo que realmente a ajude e que não a afunde cada vez mais.

— Toda aquela merda de antes voltou como uma avalanche em cima dela. Aquele filho da puta - comento e logo recebo o olhar de Olívia.

— Pesquisou sobre Jackson? - questiona. E eu acho que não fui o único pois Dylan não parece nada espantado com a menção de seu nome.

— Aquele filho de uma puta. Sempre está enraizado em tudo. - exponho toda a minha revolta.

Um clima pesado fica no ar. Ninguém fala absolutamente nada. A tensão é paupável. Ninguém ousa falar mais nada. Ninguém sabe mais o que dizer.

— Aquele cretino deveria pagar! Tentaram coloca-lo na justiça? Eu vou atrás dele. - volto ao assunto sem conseguir parar de pensar nisso.

Dylan faz um barulho estranho como se indicasse que eu estou falando a maior burrice do universo. Olívia se apressa em abrir a boca.

— Por favor... eu sei que toda essa situação é uma merda do caralho mas podemos não voltar nessa assunto? Vamos focar na Vi, ela não precisa que mais merda seja desenterrada. - sinto na sua voz áspera a preocupação com sua amiga.

Ol tem razão, isso só daria a oportunidade para uma avalanche ainda maior surgir. Violet não precisa que aquele merda inicie um mutirão para a atacarem ou que contratem alguém para sumir com ela. Pode parecer pesado o que digo mas na indústria da música muita coisa suja fica por baixo dos panos.

Muita coisa que facilmente ganharia uma pena de morte fica em completo sigilo. Não conheço Jackson mas sei que ele é um covarde e um cara sujo, sem um pingo de caráter. Ele não hesitou em jogar toda a culpa da cagada que ele fez em cima de Violet e a deixá-la completamente perdida e ferida.

Não o conheço, então não sei do que ele é capaz de fazer mas... a vontade de revidar é tão grande que se ele aparecesse agora na minha frente não teria tempo de dizer um oi antes que eu quebrasse a cara dele.

O desgraçado é tão babaca que dias após falar que estava devastado com a traição de Violet estava se exibindo em iates, cruzeiro e em festas, dizendo estar "tentando superar tudo". Enquanto isso Violet estava destruída em casa, recebendo ameaças de morte.

Eu não o conheço e não sei do que ele é capaz, até onde ele iria para fazer essa história morrer de vez, não posso arriscar a saúde mental de Violet e sua vida. Preciso ajuda-lá.

Me levanto me dirigindo ao seu quarto novamente. Agora consigo reparar na bagunça que está e em quantas caixas de remédios estão espalhadas pelo chão. Muitas cartelas vazias, copos de água pelo chão e um caderno aberto em cima da banqueta perto da cama. Pego algumas coisas do chão tentando deixar o quarto com um aspecto menos pesado.

Volto a me deitar ao seu lado e a puxar para mim. Ela se remexe um pouco mas volta a dormir. O caderninho me chama atenção e sei que é errado ler mas não aguento minha curiosidade ao ler a primeira linha.

The water suffocates me
and i feel it enter my lungs

Em cima dos palcos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora