Nina tem apenas um contato em seu celular, salvo como "Emergência", embora não saiba a quem pertence. Após sofrer um acidente e acordar no hospital, ela finalmente conhece o misterioso dono do número. O que ela não esperava era que isso traria uma s...
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Quando saí do hospital, uma massa de repórteres se espremia diante da porta principal. O burburinho das vozes era ensurdecedor, e os flashes das câmeras piscavam freneticamente como relâmpagos numa tempestade. Tentei avançar entre a multidão, mas foi difícil abrir caminho até meu carro. Eles me cercavam, esticando microfones e celulares, todos ansiosos por qualquer palavra. "E o noivado?", "Quem é a garota?", "Qual é o plano para a próxima temporada?", gritavam perguntas em todas as direções, mas eu simplesmente abaixei a cabeça, tentando ignorar.
Futebol sempre foi minha paixão, desde que eu era um garotinho. Nunca pensei que, ao me tornar profissional, minha vida se transformaria nesse caos. Agora, nem para comprar um café eu conseguia ir sem que alguém apontasse um celular na minha cara. Sentia-me como um prisioneiro da fama, julgado até pelo tipo de sabonete que escolhia no supermercado.
A mídia sempre inventou histórias, e por conta de tantas mentiras, tomei a decisão de viver na sombra. Evitava festas, me mantinha longe de relacionamentos, e acima de tudo, mantinha minha família fora dos holofotes. Eles eram meu ponto de paz. Meus pais, sempre amorosos, minha irmã, uma pessoa incrível. Agora, essa garota havia os arrastado para o centro do furacão, e ver minha mãe tão entusiasmada com uma mentira só piorava as coisas.
O acordo era simples: um contrato de relacionamento falso por alguns meses. Apenas alguns almoços de família, aparições breves, e pronto. Cada um seguiria seu caminho com o que precisava, e o mais importante, meus pais não sairiam magoados.
Na manhã seguinte, ignorei todas as distrações e fui direto para o treino, tentando focar no que realmente importava: o futebol. Quando cheguei ao campo o Vitor logo me interceptou com um sorriso provocador no rosto.
— Você sai daqui e, quarenta minutos depois, está noivo? — Ele riu, balançando a cabeça, claramente se divertindo com a situação.
— Longa história — respondi, desinteressado.
— Temos tempo.
Resignado, contei a ele sobre o que havia acontecido. Assim que terminei, ele explodiu numa gargalhada.
— Não tem graça, babaca! — retruquei, irritado.
— Já levei alguns golpes, mas nenhuma garota foi tão esperta quanto essa que você arrumou! — ele continuou, sem conseguir conter o riso.
— Ela diz que não quer dinheiro. Não consigo entender o motivo disso tudo.
— Talvez tenha sido só coincidência.
— Ela tinha meu telefone, não foi coincidência.
— E seus pais?
Suspirei, relembrando a cena de minha mãe eufórica.
— Eles ficaram muito empolgados. Minha mãe bombardeou a garota com perguntas.