NINA

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O Caleb não quis me dizer o que estava acontecendo, mas era óbvio que algo não ia bem. Depois de comer, fomos dormir, mas no meio da madrugada acordei com o toque insistente de um celular. Ainda meio grogue, ouvi a voz dele:

— Eu vou abrir a porta — disse Caleb, sonolento, se levantando da cama.

— O quê? — murmurei, confusa.

— É o Vitor, mas não se preocupe, pode ficar deitada — ele explicou, deixando um beijo na minha testa antes de sair do quarto.

Tentei voltar a dormir, mas ouvi um barulho surdo, algo caindo no chão. Aquilo me deixou alerta. Levantei e caminhei até a sala, pisando leve no chão frio. Ao chegar, encontrei o Caleb de braços cruzados, conversando com uma garota que eu não conhecia, e o Vitor estirado no chão, visivelmente bêbado.

— Ele apareceu na minha casa, falou um monte de coisas sem sentido e me pediu para trazê-lo aqui — disse a garota, desconfortável.

— O que ele disse? — Caleb perguntou, a voz baixa e preocupada.

— Algo sobre sua família e um tal de Walton, mas não entendi muito bem — ela respondeu, balançando a cabeça.

— Vou colocá-lo no quarto de hóspedes e pedir que um segurança acompanhe você até sua casa, você pode ficar com ele também se quiser — Caleb afirmou, já se agachando para erguer o Vitor do chão.

— Eu vou voltar para casa — a garota falou, hesitante.

— Claro

Nenhum dos dois tinha notado minha presença até então. Quando Caleb ergueu Vitor para levá-lo ao quarto, se virou e seus olhos encontraram os meus.

— Não precisava levantar, meu amor — disse ele, preocupado em não me incomodar.

— O que houve? — perguntei, olhando a cena: Vitor bêbado, uma estranha na sala, Caleb com o semblante tenso.

— Ele bebeu demais — Caleb respondeu, sem dar muitos detalhes.

— E o que o Walton fez agora? — insisti, sentindo um aperto no estômago. Eu sabia que o Walton era uma cobra, já havia ameaçado o Caleb, e provavelmente agora o Vitor também estava na mira.

Caleb não respondeu. Apenas seguiu em direção ao quarto de hóspedes carregando o amigo nos braços. A garota me olhou, sem jeito.

— Me desculpa invadir sua casa assim no meio da noite — disse, mordendo o lábio, visivelmente constrangida.

— Você não está invadindo nada, não se preocupe. Quer beber alguma coisa? — ofereci, tentando deixá-la mais à vontade.

— Hm... claro — ela respondeu com um sorriso tímido.

Fomos para a cozinha em silêncio. Coloquei a água para esquentar e peguei duas xícaras para preparar um chá.

— Qual o seu nome? — perguntei, enquanto escolhia o tipo de chá.

— Sara — ela respondeu, apoiando as mãos na bancada.

— Eu me chamo Nina — apresentei-me, tentando soar acolhedora — Como o Vitor acabou na sua casa? — não resisti à curiosidade.

— Somos velhos conhecidos.

Nesse momento, Caleb entrou na cozinha e pegou uma xícara, preparando seu próprio chá.

— Você deve ser a Sara — disse ele, calmo.

— Como sabe? — ela perguntou, surpresa.

— Ele me falou sobre você algumas vezes.

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