NINA

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Eu estava muito nervosa com as benditas fotos

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Eu estava muito nervosa com as benditas fotos. Não queria dar abertura para ninguém investigar a minha vida e toda a merda que eu empurrei para debaixo do tapete nesses anos. Caleb, no entanto, parecia não se importar. Ele estava completamente focado nos próximos jogos e, ultimamente, mal aparecia em casa, seu corpo presente, mas a mente sempre longe.

Fui à consulta de retorno com a médica que me operou. Ela disse que eu estava ótima, tirou os pontos, liberou-me para a fisioterapia e recomendou que eu me esforçasse para andar mais, apesar das dores que isso vinha causando. As noites eram longas e dolorosas, e o sono parecia um luxo cada vez mais distante.

— Ainda não dormiu?

O som da voz de Caleb, repentino na cozinha silenciosa, me fez saltar, quase deixando o copo de água que segurava cair no chão. Quando me virei, lá estava ele, sem camisa, vestindo apenas uma calça de dormir preta, baixa o suficiente para provocar qualquer mulher. Seus músculos perfeitos se destacavam à luz fraca.

— Estava com um pouco de dor, mas já tomei os analgésicos, antes que você diga qualquer coisa — me antecipei, tentando soar casual.

— Que bom que você já consegue ler meus pensamentos — ele respondeu com um sorriso discreto, abrindo o freezer.

Com movimentos despretensiosos, ele tirou um pote de sorvete, encheu uma tigela até a borda e, para finalizar, colocou uma quantidade generosa de Nutella por cima.

— O que aconteceu com a dieta de super atleta? — perguntei, levantando uma sobrancelha.

— Hoje não quero ser um super atleta — ele deu de ombros, a voz baixa e distante.

— Por quê? O que aconteceu?

— Nada — disse, enquanto enfiava uma grande colherada de sorvete na boca. Mas o peso em sua expressão dizia o contrário.

— Me conta, vai — insisti, me inclinando um pouco, como se tentasse fisgar a resposta que ele escondia.

— Alguns patrocinadores do time ameaçaram se retirar caso a gente não ganhe o Super Bowl. A pressão caiu toda sobre mim.

Eu podia ver a tensão nos ombros dele, o estresse nítido em cada movimento. Era como se o peso do mundo estivesse sobre suas costas.

— Não foi sua culpa. Vocês são um time e jogam juntos — tentei, com uma voz suave, oferecendo algum consolo.

— Eu escolho as jogadas, sou o capitão.

Ele deu outra colherada no sorvete, desta vez com um suspiro pesado, como se estivesse tentando aliviar a pressão com cada mordida.

— Que tal assistir a um filme e dividir esse sorvete? — sugeri, tentando distraí-lo.

— Não estou animado.

— Mas eu estou — insisti, com um sorriso, tentando quebrar aquele muro que ele havia levantado ao redor de si.

Fomos para a sala de TV e colocamos qualquer coisa aleatória na tela. Sentei-me ao lado dele, observando-o de canto de olho. Sua mente parecia longe, os ombros caídos, exalando cansaço.

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