Caleb

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Quando entrei no vestiário, uma multidão veio atrás de mim — equipe técnica, médicos, assistentes, gente gritando meu nome, fazendo perguntas, tentando entender o que estava acontecendo. Mas eu não queria escutar ninguém. Não queria responder. Não queria olhar pra ninguém.

A única coisa que eu queria era ficar sozinho.

Caminhei direto pro banheiro e me tranquei na primeira cabine que encontrei. Abaixei a tampa do vaso, sentei contra ela e fechei os olhos. Meu corpo começou a esfriar, e a dor... a dor era como uma lâmina rasgando por dentro. Tão lacerante que meu estômago virou, e eu comecei a vomitar no lixo vazio.

Minhas mãos tremiam, o suor escorria pelas têmporas, e o som abafado do mundo lá fora parecia cada vez mais distante.

— Caleb? — ouvi a voz do Vitor do outro lado da porta.

— Me deixa em paz — murmurei, engolindo a bile e o orgulho ao mesmo tempo.

— Tá tudo bem. Não vou deixar ninguém entrar aqui.

Houve uma pausa.

— Só preciso de alguns minutos — falei, ainda com a cabeça enfiada na lixeira. — Vou ficar bem. A gente vai voltar com tudo. Ainda dá tempo.

— Não vamos. — A voz dele saiu firme, sem hesitação. — Você não vai jogar mais.

— Não é você quem decide — rosnei, a raiva me dando força por um segundo.

Fiquei em silêncio. O coração batendo fraco. O corpo já exausto, mesmo sem ter terminado o jogo.

— Você deu tudo o que tinha — ele continuou, agora mais próximo da porta. — Mas agora está na hora de parar.

Fechei os olhos e encostei a cabeça na parede atrás de mim.

Eu nunca tinha me sentido tão fracassado como naquele momento.

— Falhei com vocês — sussurrei.

— Você não falhou com ninguém.

— O Walton vai ferrar todos vocês... e a Nina...

— A Nina está bem. E deve estar preocupada. Sai desse banheiro logo.

Assenti, engolindo em seco. Tentei dar mais alguns passos, mas a dor no ombro misturada com o enjoo me atingiu de novo. O estômago virou, e a visão começou a embaralhar.

— Eu... eu não consigo... — murmurei, sentindo as pernas fraquejarem. — Preciso sentar...

Vitor se adiantou, tentou me apoiar, mas foi rápido demais.

O mundo escureceu.

Não consegui chegar ao banco.

Apaguei ali mesmo, no meio do vestiário, com a última coisa que senti sendo o braço do Vitor tentando me segurar antes da queda. O barulho abafado de vozes se misturou ao vazio que tomou minha mente, e então, tudo ficou escuro.

Acordei ouvindo vozes familiares, abafadas no começo, como se estivessem vindo de muito longe. Pisquei algumas vezes até a luz branca do teto se tornar suportável. O som foi ficando mais claro, e logo reconheci as vozes — minha mãe, minha irmã, meu pai... todos falando alto demais, discutindo, sem notar que eu estava ali, de olhos abertos.

— Não tem como esconder isso dele — minha irmã dizia, impaciente.

— Ele já vai acordar com muitas notícias, não precisamos piorar as coisas — respondeu meu pai.

— É a noiva dele! — minha mãe rebateu, quase indignada. — Você acha mesmo que isso vai passar despercebido?

Eu tentei me mexer, mas o corpo doía. E então minha voz saiu, rouca, mas firme:

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