Caleb

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Vencemos mais um jogo e agora estávamos nas semifinais. O peso da responsabilidade parecia se multiplicar a cada dia. Eu me sentia mais ansioso do que nunca, incapaz de encontrar descanso, mesmo quando fechava os olhos. As dores se tornaram uma sombra constante, beirando o insuportável. Não havia analgésico, fisioterapia ou descanso no mundo que pudesse aliviar o que eu estava sentindo.

— Você está bem? — Vitor perguntou, a testa franzida de preocupação enquanto me estudava com atenção.

— Estou — respondi rapidamente, tentando afastar o incômodo na voz.

— Está suando frio... e está pálido.

— Não é nada, vamos continuar.

Afastei-me antes que ele pudesse insistir e voltei ao treino. Mas meu corpo não cooperava. Na hora de lançar a bola, meu braço simplesmente travava, recusando-se a obedecer meus comandos. E agora, além da dor lancinante no ombro, minha cabeça latejava como se estivesse prestes a explodir.

— Caleb! — A voz firme do treinador cortou o campo.

Olhei para ele, tentando mascarar minha exaustão.

— Está tudo bem? — ele perguntou, os olhos estreitos cheios de desconfiança.

— Sim — forcei a resposta, endireitando os ombros.

— O que está acontecendo com você hoje?

— Nada, senhor.

Ele suspirou, claramente irritado.

— Vá para casa.

Pisquei algumas vezes, confuso.

— O quê?

— Vá descansar. Você não está rendendo hoje.

— Mas eu estou bem...

— É uma ordem.

A raiva borbulhou dentro de mim. Apertei os punhos e saí bufando do campo, trocando de roupa às pressas. Quando cheguei ao estacionamento, fui recebido por uma multidão de repórteres se amontoando perto do portão.

Fechei os olhos e encostei a cabeça no volante tentando amenizar as coisas que se passavam dentro de mim até que alguém bateu no vidro. Me virei e lá estava Walton em pé com seu terno impecável e um sorriso falso no rosto

— A onde pensa que vai?

— o técnico me dispensou do treino hoje, não estou me sentindo muito bem

Ele apoiou os braços na janela e me estendeu um papel dobrado. Quando abri vi que era uma ficha policial, tinha o nome da Nina e algumas acusações de roubo

— sabe o que está em jogo, não sabe?

— deixe minha noiva em paz — rosnei feito um cachorro

— as coisas são muito simples, Caleb. Você ganha o campeonato e isso tudo é esquecido, caso contrário eu terei que tomar minhas providências

— ela não tem nada haver com isso

— vá para casa e descanse, não quero minha estrela principal causando problemas

Ele saiu deixando aquele papel na minha mão e eu fiquei tão puto que soquei o volante várias vezes.

Precisava sair dali, então liguei o carro e assim que notaram o movimento os repórteres começaram a correr em direção ao carro, batendo no vidro e lançando perguntas sobre o motivo de eu estar indo embora mais cedo.

Ignorando-os, passei reto, desaparecendo na estrada sem olhar para trás.

— Oi — Nina me saudou com um sorriso radiante quando entrei pela porta de casa— Você chegou cedo.

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