Os treinos da semana foram insuportáveis. Nosso treinador parecia possuído pelo espírito do ódio: mal falava conosco e exigia o máximo a cada segundo. Eu implorava mentalmente para que aquela tortura acabasse logo.
— A mulher desse homem deve estar obrigando ele a dormir no sofá — comentou Vitor assim que chegamos ao vestiário, tirando a camisa suada.
— Algo está estranho — falei, passando uma toalha no rosto. — Ele não é assim.
— Concordo. Espero que as coisas se resolvam logo — Vitor conferiu o celular e depois me olhou. — Tá a fim de tomar uma cerveja? Você mal me dá atenção agora que tá de "coleira".
— Não tô de coleira. Só não gosto de sair de casa. Você sabe que pode ir lá quando quiser.
— Eu quero um programa de homem com meu amigo, só isso.
— Tudo bem, aceito a cerveja.
— Ótimo, você dirige.
Saímos do estádio e fomos até um bar próximo, vazio a essa hora. Sentamos no balcão.
— Posso ajudar? — perguntou a atendente, mascando chiclete, num tom entediado.
— Duas cervejas — pediu Vitor.
Ela serviu as bebidas e foi atender outro cliente. Vitor me encarou.
— E então, como andam as coisas?
— Tudo como sempre — dei de ombros.
— Tirando o fato de que agora você é a cadelinha da Nina — provocou, sorrindo de canto.
— Não sou cadelinha!
— É sim, mas eu entendo. A garota é legal.
— Eu a pedi em casamento.
— Eu sei, vocês têm aquele contrato...
— Não, pedi em casamento de verdade, não por causa do contrato.
Ele me olhou com um enorme sorriso.
— Jamais imaginei te ver tão apaixonado.
— Eu simplesmente não lembro como era a vida sem ela.
— Fico feliz por você, cara. Parabéns.
— E você, como andam as coisas?
— É complicado.
— Temos a noite toda — incentivei, curioso.
— Lembra da minha namorada de infância? A Sara?
— Aquela que você namorou a vida inteira e largou quando entrou na NFL?
— Eu não a abandonei.
— Abandonou sim, foi escroto.
— Enfim... a reencontrei no estacionamento de um restaurante na semana passada. Ela tava linda, foi como levar um tiro no coração.
— Você se deu conta de que nunca deixou de amá-la e foi um idiota?
— Sim.
— Que clichê, mas bem feito.
— Pensei que fosse meu amigo.
— Sou seu amigo, por isso tô sendo sincero.
— O que eu faço agora?
— Vocês conversaram?
— Ela me deu um tapa na cara.
Caí na gargalhada e Vitor cruzou os braços, contrariado.
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Contato de emergência
RomanceNina tem apenas um contato em seu celular, salvo como "Emergência", embora não saiba a quem pertence. Após sofrer um acidente e acordar no hospital, ela finalmente conhece o misterioso dono do número. O que ela não esperava era que isso traria uma s...
