NINA

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— Quem é você? — perguntou, irritado

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— Quem é você? — perguntou, irritado.

— Eu me chamo Nina.

— E o que você quer de mim, Nina? Dinheiro? Fama?

— Eu não quero nada de você.

— Por que então armou essa história toda?

— Eu não sei do que você está falando.

— Você é uma mentirosa.

— Olha aqui, senhor super estrela, eu não sei o que você está fazendo aqui, mas pode ir embora. Não te conheço e não quero nada de você, apenas vá embora.

— Você é completamente louca.

— Eu sou louca? Você é quem apareceu aqui no meu quarto, eu nem te conheço.

— Você se jogou na frente de um carro e mandou me ligarem.

— Eu mandei te ligar? Tá de sacanagem.

Ele se aproximou com meu celular na mão e me mostrou a tela, onde havia um único contato salvo. Em seguida, discou e instantaneamente seu celular começou a tocar.

— Eu não sabia que esse número era seu.

Ele deu uma risada sem humor e colocou o aparelho ao meu lado. Toda aquela discussão fez minha cabeça começar a doer muito, então me deitei contra o travesseiro duro e fechei os olhos, lacrimejando.

— Não sabia que esse número era seu e sinto muito pela confusão. Agora, me deixe em paz, por favor — pedi.

— Meus advogados vão entrar em contato com você.

Ele virou as costas para sair, mas a porta foi aberta e pessoas começaram a entrar.

— O que vocês estão fazendo aqui? — disse, irritado.

O homem era mais velho, tinha o cabelo escuro e era alto como o Caleb. A mulher era muito bonita, o cabelo loiro preso em um coque elegante, e a outra garota também tinha o cabelo loiro claro. Deduzi, pela semelhança, que era a família dele.

— Vimos as notícias e viemos correndo. Você tentou nos ligar, mas estávamos no mercado.

A mulher caminhou até mim e pegou minha mão.

— Como você está, querida?

Olhei para Caleb, que agora tinha as bochechas vermelhas de irritação.

— Estou bem.

— Não acredito que nos esconderam algo tão importante como um noivado. Nem sabíamos que estavam namorando. Meu filho sabe o quanto eu esperava por esse momento.

— Verdade, ela planeja esse casamento desde que ele nasceu — disse a garota.

— O quê? — questionei, rindo. — Casamento?

Olhei novamente para Caleb, e sua família pareceu confusa. Ele veio até mim com um sorriso amarelo e pegou minha outra mão.

— Tudo bem, pode contar a eles — disse, me olhando nos olhos. — Não precisamos esconder da minha família.

— Ah, sim... claro... é... é isso, estamos... noivos.

Após muitos abraços e parabenizações, ambos começaram a me bombardear de perguntas.

— Qual é seu nome? Ainda não sabemos.

— Nina.

— Só Nina?

— Ivanova Kerzhakov.

— O quê?

— É russo.

— Você é da Rússia?

— Sou, morei lá até os 8 anos.

— Quantos anos você tem?

— Tenho 24.

Minha cabeça doía mais a cada pergunta, e eu só queria que aquele pesadelo horrível acabasse.

— Já chega, ela precisa descansar e vocês não param de fazer perguntas — disse Caleb, que até agora estava em silêncio, digitando no celular.

— Sim, claro. Nós perdoe, é que ficamos muito empolgados com as novidades.

— Sem problemas — sorri.

— Caiam fora, agora.

— Assim que estiver melhor, nos avise. Vamos te visitar.

Eles foram embora, e Caleb bufou, jogando-se no sofá.

— Que merda foi essa? Agora sou sua noiva?

— Você inventou isso para os jornais.

— Não inventei porcaria nenhuma.

Ele pegou o celular e ligou para alguém, disse algumas coisas baixinho que mal consegui ouvir, e depois se sentou.

— Minha família foi envolvida, e não há nada no mundo que me deixe mais irritado do que isso. Então vou te explicar como as coisas vão ser. Vamos fazer um contrato. Eu te dou o que você quiser e, até o final do ano, você vai ser minha noiva.

— Eu não vou ser sua noiva. Não quero nada de você.

— Andei vendo no seu celular que você tem muitas contas para pagar, então você quer algo de mim sim. Caso contrário, não teria criado toda essa cena aqui.

— Eu já disse...

Uma mulher entrou com uma pasta na mão e entregou para ele.

— Não quero seu dinheiro.

— Sabe quanto deu sua conta no hospital? E você nem foi liberada ainda.

Um papel foi parar no meu colo, e no final de várias somatórias havia um resultado: 100 mil dólares.

— O quê? — gargalhei. — 100 mil dólares?

— Foi uma cirurgia grande, além da quantidade de exames nessa cabecinha.

Me senti mais derrotada do que nunca. Eu morava em um trailer e, mesmo se o vendesse, jamais conseguiria pagar aquele valor. Além disso, tinha que pagar os empréstimos que meu pai fez para contratar advogados quando foi preso.

— Não quero seu dinheiro — falei.

Ele olhou para a mulher, que saiu do quarto, e depois se aproximou de mim.

— Eu não posso magoar minha família. Eles ficaram mais animados com a notícia de um noivado do que quando ganhei o Super Bowl. Você me colocou nessa história e agora não vai me largar com as consequências.

— Eu nunca inventei para ninguém que era sua noiva. Eu sequer sabia que aquele número era seu. Eu o encontrei um dia... é uma longa história, mas jamais imaginei que fosse de alguém como você.

— Não importa mais. Agora você vai ser minha noiva.

— Eu nem te conheço.

— Todo mundo me conhece.

— Não de verdade, você pode muito bem ser um psicopata tarado

— Não é um relacionamento de verdade, nem precisamos ser amigos.

— Eu não posso.

— Vou te deixar pensar durante o restante do dia. Volto amanhã para saber se aceitou.

Fiquei sozinha com o contrato e aquela conta monstruosa no colo, sem saber o que fazer.

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