NINA

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Algumas horas depois que Caleb saiu, resolvi explorar o enorme apartamento

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Algumas horas depois que Caleb saiu, resolvi explorar o enorme apartamento. O lugar era gigantesco, e cada porta que eu abria parecia esconder um novo mistério. Percorri os corredores elegantes, abrindo diversas portas em busca de algo que me distraísse. Acabei encontrando o quarto dele. Assim como o restante da casa, o cômodo era impecável, com uma decoração sofisticada, porém, estranhamente impessoal. Não havia um objeto sequer que transmitisse um traço de sua personalidade. Parecia um quarto de hotel de luxo, perfeitamente arrumado, mas sem alma.

Continuei minha busca até encontrar a sala de TV. Ou pelo menos, o que eu acreditava ser uma. A televisão, se é que podia chamar aquele monstro de televisão, ocupava quase toda a parede. Diante dela, um sofá reclinável extremamente confortável e, ao redor, a única evidência de que aquela casa tinha um dono: prateleiras abarrotadas de troféus, fotos e camisas de futebol americano de times diferentes. Me aproximei curiosa e, a primeira foto que vi, era dele e seu pai. Havia várias fotos da família, e outras com equipes de futebol americano, onde Caleb, ainda criança, parecia ter no máximo 10 anos. Era claro que ele guardava cada lembrança com carinho, desde os tempos de sua infância até os momentos como jogador profissional.

Em meio a todas essas recordações, peguei uma foto da formatura dele. Caleb havia estudado na Universidade do Alabama, onde se formou em Nutrição com honras. Nunca imaginei que alguém pudesse ficar tão atraente vestindo uma beca, mas ele conseguia. Era impressionante como cada pequeno detalhe revelava um pouco mais sobre ele.

Enquanto ainda me perdia em suas memórias, fui interrompida pela televisão. A entrevista pré-jogo tinha começado. Sentei-me no sofá, puxei uma coberta sobre mim e comecei a assistir, atenta às perguntas destinadas aos jogadores. Caleb estava lá, com os braços cruzados, encostado na cadeira. Usava um boné do time, o que lhe dava um ar ainda mais fechado, e seu rosto demonstrava pouca paciência. Ele claramente não estava gostando de estar ali.

— Matthew, o que você espera para o jogo de hoje? — perguntou o entrevistador.

Caleb descruzou os braços, inclinou-se em direção ao microfone, e com um tom contido, respondeu:

— Vai ser um grande jogo. Temos adversários de alto nível, mas estamos focados em dar o nosso melhor.

Após isso, ele não foi mais incomodado. Achei estranho, como se houvesse uma espécie de censura em torno das perguntas direcionadas a ele. Talvez houvesse algo acontecendo nos bastidores que eu não soubesse.

Assisti ao jogo todo, mesmo sem ser uma grande fã de esportes. Mas vê-lo em ação na televisão foi uma experiência totalmente diferente. Pouco depois que o jogo terminou, senti fome e fui até a cozinha comer algo. Estava distraída quando a campainha tocou.

Fiquei intrigada. Quem poderia ser àquela hora? A portaria não havia avisado nada. Caminhei mancando até a porta, com cautela, e abri apenas uma fresta.

— Oi, querida! — disse uma voz doce e familiar.

Era a mãe de Caleb, parada ali, sorrindo, com uma pilha de vasilhas nas mãos.

— Olá — respondi, abrindo a porta para que ela entrasse.

— Caleb sempre chega exausto e faminto dos jogos, então eu trouxe comida para vocês. E como você está? — perguntou ela, enquanto seguia direto para a cozinha, já começando a preparar o que parecia ser um verdadeiro banquete.

— Estou me recuperando — respondi, meio sem jeito.

— Quer ajuda? — perguntei, já sabendo qual seria a resposta.

— Não precisa, pode se sentar. Eu cuido de tudo — disse, enquanto movia-se habilmente entre os utensílios e panelas.

Fiquei ali, quieta, observando-a. A atmosfera era tranquila, mas eu não sabia muito bem o que dizer. Aproveitei o momento para mandar uma mensagem para Caleb, avisando que sua mãe estava ali. Ele respondeu dizendo que já estava a caminho.

— Meu marido está viajando a trabalho, então somos só nós hoje — comentou ela, com um sorriso gentil.

— A senhora não foi ao jogo? — perguntei.

— Não, não tenho mais coração para ver aqueles brutamontes jogando meu filho no chão. Prefiro assistir de casa, com um pouco mais de distância. — Seu tom era carinhoso, mas firme.

— Depois de tantos anos, ainda não se acostumou? — perguntei, curiosa.

— Nunca vou me acostumar — ela respondeu, com uma expressão suave. — Para mim, ele sempre será o meu garotinho.

Quando a comida estava pronta e o aroma delicioso invadia o ambiente, Caleb finalmente chegou. Trazia uma grande bolsa de equipamentos e já estava de banho tomado, exalando um cheiro fresco. Ele vestia jeans e uma camisa branca de manga longa.

— Oi — disse ele, aproximando-se com um sorriso no rosto. — O que você faz aqui, mãe?

— Vim alimentar vocês — respondeu ela, sem tirar os olhos da panela.

Caleb se aproximou de mim, lançando um olhar de cumplicidade. Ele sabia que sua mãe estava observando cada movimento, então decidiu encenar.

— Parabéns pelo jogo — disse, tentando quebrar o silêncio.

— Obrigado — ele respondeu, lançando um rápido olhar para mim.

Sem aviso suas mãos subiram por minhas coxas, separando-as lentamente, seu corpo foi encaixando-se entre minhas pernas. Sua mão subiu do meu pescoço até o meu rosto. Olhei para ele com uma expressão de "o que você está fazendo?", mas ele manteve o olhar firme, como se fosse parte do plano.

— Acabe com isso logo — sussurrei, irritada.

— Está com tanta pressa para me beijar assim? — ele sussurrou de volta, com um sorriso malicioso.

Revirei os olhos, antes de o puxar pela camisa e colar nossos lábios. O beijo, no entanto, durou mais do que deveria. Era para ser algo superficial, mas não foi bem assim.

— Vamos terminar isso mais tarde — ele disse alto, afastando-se com um sorriso brincalhão. — Agora, vamos comer.

Fiquei vermelha de vergonha por um longo tempo. A sensação só começou a passar quando a mãe de Caleb começou a contar histórias engraçadas de sua infância, incluindo sobre sua irmã, Camila, que era três anos mais velha, casada, e tinha uma filha chamada Capri.

Depois de um tempo e muita conversa a mãe dele se despediu.

— Não se esqueçam do jantar na semana que vem, hein! — disse ela, antes de sair.

Quando ficamos sozinhos, Caleb riu enquanto colocava a louça na máquina.

— acho que nós saímos bem.

— você exagerou no beijo.

— e você gostou — sorriu com malícia

Minha boca abriu e fechou várias vezes mas nenhum som foi emitido.

— Eu tenho algo para você — disse ele, tirando uma pequena caixa do bolso.

Ao abrir, vi um anel delicado e lindo.

— As pessoas logo vão começar a perguntar por que você não usa um anel de noivado — ele explicou.

— Uau, é lindo! — exclamei, surpresa.

Sorri, estendendo o dedo, e ele colocou o anel, que se encaixou perfeitamente.

— Eu te devolvo quando tudo isso acabar — prometi.

— Não precisa. Assim você sempre vai se lembrar de mim.

Ele sorriu, me soltou, e saiu da cozinha, me deixando sozinha com meus pensamentos até a hora de dormir.

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