Era dezembro, e os Playoffs se aproximavam. Por mais que fôssemos o líder da nossa divisão e tivéssemos perdido somente um jogo, as coisas estavam péssimas. O clima era pesado e quase sufocante, como se uma tempestade estivesse prestes a desabar sobre nós a qualquer momento.
Eu estava tentando. Tentando o máximo que podia para confortar meus colegas de time, sabendo a situação que eles viviam. Tolerava os ataques de raiva do técnico e os treinamentos exaustivos. Em toda a minha carreira, as coisas nunca tinham ficado tão ruins. Às vezes, quando me obrigavam a realizar mil lançamentos por treino, meu braço direito queimava, e não havia fisioterapia que desse conta da dor. Eu realmente estava tentando, mas não sabia por mais quanto tempo iria aguentar.
Hoje era dia de jogo em casa, algo que sempre nos deixava animados, mas o vestiário estava mergulhado em um silêncio sepulcral. Nada de piadinhas, nada de risadas. Eu só queria que aquilo acabasse logo.
— Certo, garotos — o técnico disse, seu tom carregado —, último jogo antes da semana do Natal.
Não ouvi uma palavra do que ele disse. Fiquei concentrado nas minhas mãos cheias de bolhas, que latejavam, um lembrete incômodo de cada treino exagerado dos últimos meses.
Após a cerimônia de abertura, fui para o banco e fiquei sentado de cabeça baixa. Eu só queria que aquele dia terminasse.
Na minha vez de jogar, levantei e, ao me virar, vi a Nina na arquibancada. Ela sorriu para mim e me olhou nos olhos de um jeito que, por um instante, fez todo o resto sumir. Era como se, de alguma forma, me desse forças para continuar.
Mesmo com dor, fiz o melhor que pude e vencemos por apenas um ponto. Como vinha fazendo ultimamente, coloquei meu ouvido no "mute" enquanto o técnico acabava comigo, e sequer tomei banho porque só queria ir para casa.
— Oi, meu amor — a Nina me recebeu de braços abertos, e eu sequer sei quanto tempo fiquei com a cabeça enfiada em seu pescoço ali mesmo.
— Vamos para casa.
O trajeto foi silencioso. Assim que chegamos, entrei direto para o chuveiro. Deixei a água quente cair sobre meus ombros doloridos, sentindo apenas um alívio momentâneo, e depois fui direto para a cama.
— Você quer alguma coisa? — a Nina perguntou, me observando com atenção. — Está com fome?
— Não, está tudo bem.
Era óbvio que eu não contava para ela o que vinha passando nos treinos, mas ela sabia que algo não estava certo. Todos os dias, seu olhar atento examinava cada cantinho do meu corpo, procurando por algo que explicasse as dores que eu sentia.
— Quer um remédio?
— Sim, por favor.
Ela me deu um comprimido de analgésico e depois subiu na cama.
— Vire de costas.
Não retruquei, apenas fiz o que foi pedido. Ela subiu nas minhas costas e começou a massagear. Suas mãos estavam quentes, e o quarto em penumbra parecia silencioso, exceto pela minha respiração pesada.
— É aqui que dói? — questionou ao perceber minha careta de dor quando passou a mão sob o ombro.
— Sim.
A massagem não aliviou de fato a dor, mas o toque dela era relaxante, e assim acabei conseguindo dormir.
No meio da noite, acordei com o ombro latejando. Com cuidado para não acordá-la, fui até a cozinha em silêncio e peguei um saco de gelo. Meus dentes batiam a cada fisgada que o ombro dava.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Contato de emergência
RomanceNina tem apenas um contato em seu celular, salvo como "Emergência", embora não saiba a quem pertence. Após sofrer um acidente e acordar no hospital, ela finalmente conhece o misterioso dono do número. O que ela não esperava era que isso traria uma s...
