Os dias passaram e a semifinal era no sábado. Na sexta-feira à noite, Caleb estava mais quieto do que nunca. Quase não falou durante o jantar, e depois subiu pro quarto sem dizer muita coisa. Eu o conhecia bem demais pra achar que era só concentração.
Esperei um tempo e depois fui atrás dele. A porta estava entreaberta, e ele estava sentado no chão, encostado na parede, com o rosto escondido nas mãos.
Me aproximei devagar e sentei ao lado dele, sem dizer nada.
Ficamos alguns segundos assim, no silêncio. Só o som baixo da respiração dele, pesada.
— Tá difícil — ele murmurou, sem me olhar.
— Eu sei.
— Eu queria tanto só jogar. Só isso. Mas parece que tem mil coisas nas minhas costas.
Ele fechou os olhos por um segundo, e depois encostou a testa na minha.
— Se eu perder amanhã, você ainda vai estar aqui?
— Sempre.
— Mesmo se eu não conseguir jogar até o fim?
— Mesmo se você nem entrar em campo.
Ele respirou fundo, e pela primeira vez em dias, deixou o corpo relaxar um pouco.
No dia seguinte, fomos para o estádio em silêncio. A cidade parecia mais viva do que nunca — as ruas estavam cheias de torcedores, bandeiras tremulando nas janelas, buzinas, cantos, gritos de incentivo... e também de provocação.
Quando chegamos, o estacionamento estava tomado. Fotógrafos se acotovelavam na entrada do estádio. Caleb, estacionou o carro, deu a volta, pegou minha mão e seguimos andando juntos sem dizer uma palavra, sem olhar para os flashes.
— Vai dar tudo certo — falei contra seu peito. — Independente do resultado, eu sou sua fã número um. E nada no mundo vai mudar isso.
Ele me envolveu nos braços, demorando um pouco mais do que o normal.
— Eu te amo — murmurou perto do meu ouvido — mais do que você imagina.
— Eu também te amo
Ele me deu um último beijo na testa, apertou minha mão com firmeza e se afastou em direção à porta que dava acesso aos vestiários.
— Vou te esperar aqui — murmurei, a voz meio presa.
— Tá bom — ele respondeu antes de virar.
Fiquei ali parada por alguns segundos, só observando ele desaparecer no corredor. Respirei fundo e então me virei para subir até a arquibancada.
Me sentei no meu lugar, ajeitando a blusa do time e cruzando os braços contra o frio que insistia em me abraçar. As pessoas ao meu redor tentaram puxar assunto, comentar alguma jogada de jogo passado, fazer brincadeiras sobre o rival, mas eu mal consegui sorrir.
O jogo começou tenso. O time rival começou no ataque, e os primeiros minutos foram pura pressão. Eles vieram com tudo, agressivos, rápidos, buscando pontuar logo de cara pra tentar desestabilizar.
Caleb ainda não tinha entrado em campo, mas eu sabia que era questão de minutos. O técnico conversava com ele à beira do campo, e dava pra ver de longe que ele estava sentindo dor. Levava a mão ao ombro de vez em quando, disfarçando, mas eu notava. Sempre notava.
Quando ele entrou eu passei a observar com cuidado cada movimento. Ele estava jogando com inteligência, não com impulso. Foi cuidadoso desde o primeiro snap. Evitava passes longos demais, não forçava jogadas arriscadas. Preferia as opções seguras — lançamentos curtos, jogadas terrestres, avanços lentos e consistentes.
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Contato de emergência
RomanceNina tem apenas um contato em seu celular, salvo como "Emergência", embora não saiba a quem pertence. Após sofrer um acidente e acordar no hospital, ela finalmente conhece o misterioso dono do número. O que ela não esperava era que isso traria uma s...
