Eu não poderia estar vivendo uma vida mais perfeita que essa. O Caleb insistiu tanto para que eu voltasse para o balé que, finalmente, comecei a fazer aulas em uma escola perto de casa. Depois da cirurgia recente, os movimentos ainda eram difíceis, e eu sabia que precisaria de muito tempo para me adaptar, mas, mesmo assim, estava mais feliz do que nunca. Era como se uma parte de mim que havia ficado adormecida por anos estivesse, aos poucos, voltando à vida.
Hoje era domingo, e ele teria um jogo em outra cidade. Acordei com o celular tocando e, sem olhar quem era, atendi, ainda de olhos fechados.
— Nina, querida. Vamos fazer um churrasco aqui em casa para assistir ao jogo, e você está sendo oficialmente convocada — era a voz animada da mãe do Caleb.
— Ahh, claro. Eu irei — respondi, espreguiçando-me.
— A Camila vai passar para te pegar. Não se atrase!
— Tá bom — respondi, rindo, antes de desligar.
Depois da ligação, rolei na cama, sentindo o lençol frio e o vazio ao meu lado. Enfiei o rosto no travesseiro do Caleb, inalando seu cheiro. Era engraçado pensar em como, em tão pouco tempo, criamos algo tão nosso, algo que fazia cada minuto sem ele parecer estranho.
Meu celular tocou novamente, e quando olhei para o visor, sorri. Era Caleb, "GOAT" e a foto era dele fazendo uma careta ridícula.
— Bom dia — ele disse com aquele sorriso despreocupado no vídeo. — A bela adormecida ainda não levantou?
— Ainda não — falei com preguiça, ajustando o celular enquanto me afundava no travesseiro. — Como você está?
— Estou um pouco tenso — ele admitiu, e pude ver que, apesar do sorriso, havia uma linha de preocupação em sua expressão.
— Apostei dinheiro na sua vitória, é bom começar a se acalmar — provoquei, tentando distraí-lo.
Ele riu, aquela risada baixa que sempre iluminava seus olhos claros.
— Vai dar tudo certo. Você treinou muito para isso — acrescentei, séria agora, deixando claro que confiava nele.
— Com você dizendo isso, fica mais fácil acreditar — respondeu, seu sorriso suavizando.
Ficamos em silêncio por um momento, apenas nos olhando pela tela, até que ele disse:
— Você vai assistir ao jogo, né?
— Claro. Vou para a casa da sua mãe. Parece que vai ter um churrasco.
— Ah, então estão te paparicando mais que a mim agora?
Ele riu novamente, mas o som foi interrompido por alguém chamando-o ao fundo.
— Preciso ir, mas te ligo depois do jogo, ok?
— Tudo bem. Boa sorte
— Obrigado. Fique torcendo por mim.
Levantei-me, pronta para encarar a bagunça carinhosa da família do Caleb. Assim que terminei de pentear o cabelo, ouvi a buzina lá fora. Camila tinha chegado para me buscar. Desci rapidamente e, assim que entrei no carro, ela me lançou um sorriso cúmplice.
— Preparada para a farra? — ela perguntou, divertida.
— Nem tanto, mas vamos lá — respondi, rindo.
A casa dos pais do Caleb ficava em Bagside, de frente para o mar. Assim que entramos, tive a certeza de que aquele lugar era um verdadeiro lar. Havia fotos de Caleb, de Camila, da pequena Capri e até mesmo de Ricardo espalhadas por cada canto da casa.
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Contato de emergência
RomanceNina tem apenas um contato em seu celular, salvo como "Emergência", embora não saiba a quem pertence. Após sofrer um acidente e acordar no hospital, ela finalmente conhece o misterioso dono do número. O que ela não esperava era que isso traria uma s...
